27 September 2006 | 10:14
– Miau!
- ?
- Que tipo de sotaque era esse?
Semana passada chegou meu visto de permanência. A sensação de alívio foi tão grande que nem sei explicar. Esse carimbinho colorido no meu passaporte me permite ter uma vida “normal” novamente: ficar na Dinamarca sem grandes preocupações e trabalhar o quanto eu quiser e puder. Ou seja, ser vista e tratada (ao menos um pouquinho mais) como os nativos. Com isso, e só agora, depois de tanto tempo, consegui me sentir uma cidadã novamente.
Logo depois de ter recebido meu visto eu comecei a caça a um emprego. Tinha algumas preferências: meio período, para que eu possa continuar o rítmo no curso de dinamarquês; um ambiente que me dê a oportunidade de praticar a língua; e um bom salário, claro. Respondi alguns anúncios e no dia seguinte fui chamada para uma conversa. O trabalho é num dos maiores supermercados do país, do tipo que vende desde mantimento até roupas e móveis. Meu serviço é o de arrumar os produtos nos lugares antes das portas se abrirem. Fui lá hoje conversar com o gerente de uma das seções, que iria me mostrar o que fazer e como.
Depois de uns 10 minutos de papo com o cara, ele me diz: “Eu não tô reconhecendo seu sotaque. De onde você é?”. Achei graça. Quem dera eu tivesse apenas um leve sotaque.
Mas o bom mesmo é que eu entendi tudo o que ele disse, ele entendeu tudo o que eu disse e eu terminei a manhã empregada!
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p.s. Quero agradecer a todos que me deram um apoio muito querido no blog em dinamarquês. Obrigada mesmo! 
Escrito por Cat em línguas, trabalho |
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4 April 2006 | 22:30
Preciso trabalhar! Preciso! Preciso! Preciso! Buáá!
Desde o ínicio do ano que estou atrás de emprego, mas a coisa tá complicadíssima. E olha que nem estou muito exigente, quero apenas um bico, porque, afinal de contas, só tenho direito à trabalhar no máximo 15 horas por semana com o meu visto atual. O probleminha é que com o meu dinamarquês, infelizmente ainda precário, as opção são muito poucas.
Semana passada um cara ligou me oferecendo um bico limpando escritórios. 8 horas por semana. Beleza! Fiquei fazendo altos planos com os trocados que ganharia. Ontem acordei às 5 da manhã e fiquei esperando ele vir me buscar, conforme o combinado. Fiquei esperando, esperando, esperando… Levei um bolo fe-de-ral! Nem acreditei! Liguei para ele para saber o que houve e ele, totalmente perdido, não sabia como se desculpar, disse que tinha esquecido completamente do nosso combinado e deu o trabalho para outra pessoa. Pediu milhões de desculpas e eu acabei o tranquilizando, naturalmente. Só que o embaraço dele não resolve o fato de não ter trabalho para mim. Ai God…
Agora passo o dia todo procurando outro bico, pela internet e em jornais locais. Frustrante! Praticamente todos os anúncios, até mesmo os de limpeza, pedem que a pessoa fale, entenda, leia e escreva dinamarquês. Ainda não estou me sentindo segura no meu dina, mas estou me candidatando para tudo o que vejo pela frente. O pior que pode acontecer é rirem do meu dansk e eu não conseguir o trabalho, o que não vai ser muito diferente da situação atual. Então vamsimbora!
Escrito por Cat em trabalho |
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9 August 2005 | 17:26
Minha vida boa acabou. Voltei à labuta na segunda e hoje recomeçam as minhas aulas de dinamarquês. Eu tô numa moleza que vocês não imaginam… Já tinha me acostumado em não ter rotina e fazer um monte de nada.
Essa semana era pra ser a última trabalhando na fazenda. Eu deveria estar “treinando” a nova au pair esses dias. Mas a menina, um mês depois de ter concordado com o trabalho e mandado todas as papeladas para a imigração, decide que não quer mais. Pra piorar, ela anda pedindo para a minha chefe não dizer nada na imigração que ela não vai mais trabalhar, para ela ainda poder ter seu visto de permanência.
Fiquei chocada! Agora minha chefe está procurando outra au pair pra ontem.
Como tem gente sem noção nesse mundo! Cruzes!
O resultado disso pra mim é que vou trabalhar, provavelmente, até o final de agosto, como está no contrato. E não só até essa sexta, como a minha boss havia proposto, pra que eu tivesse mais tempo para a mudança e me preparar para o início das aulas na faculdade.
Escrito por Cat em quotidiano, trabalho |
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15 March 2005 | 16:12
Haja paciência! Quem em sã consciência chora porque perdeu um casaco? Me digam, honestamente… Conhecem alguém que faça esse papelão? Não? Pensem direitinho… Conhecem sim! EU!Na verdade eu não perdi. Meu super casaco quentinho, que comprei na Zara (ponta de estoque) mês passado por meros 200Dkk, deu defeito no zíper. Então eu fui com o ruivo lá na loja no último sábado, inocentemente, achando que eles fossem consertar ou trocar por outro. Mas não, ao invés disso, eles me deram o dinheiro de volta e ficaram com o casaco.

Bom, na hora eu fiquei meio perdida e saí pela cidade à procura de outro. O probleminha é que apesar do frio não ter ido embora ainda, as roupas de todas as lojas são todas primavera-verão.
Quando se deu conta que realmente não acharia outro casaco de inverno, essa mulher de 25 anos que vos escreve, caiu no choro. *Buááááá* Mas aí já era, né? A loja já tinha fechado. Passei o fim de semana todo na agonia. Mas felizmente ontem fui lá na Zara e comprei meu casaco defeituoso de volta!
Tudo bem… Podem rir…
Ontem a Gi, minha amiga brasileira em Århus, foi parar no hospital dodói e fez uma operação ontem mesmo de apendicite. Tudo muito de repente. Tadinha da Gi! Mas felizmente, tudo correu muito bem. Os médicos e enfermeiros foram todos muito atenciosos e gentis.
Gi, estamos aqui torcendo pra que você volte logo logo pra casa e que possamos ir lá nos seu cafofo experimentar sua comidinha brasileira!
Trate de ficar bem, viu?
Estou indo hoje dormir na fazenda em Skanderborg, já que Eva precisa viajar e eu vou ficar encarregada de levar o Marcus à creche amanhã de manhã, na quinta buscar ele às 16h e ficar com ele até ela chegar às 20h. Espero que a gente se entenda bem. Já está na minha mochila o meu amigo do peito, o meu dicionário Portugisisk-Dansk!
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22 February 2005 | 22:12
E a brincadeira continua! Tem feito um frio danado esses dias! 3 graus abaixo de zero e ventando muito, o que faz com que pareça estar muito mais frio do que está na realidade. Está prevista pra amanhã uma outra tempestade de neve, e por isso a mãe do Marcus me deu o dia livre pra eu curtir embaixo do meu cobertor tão querido! Agora eu sei como uma criança nórdica se sente num dia de neve. Em dia de neve não tem escola! YES!
***
Agora vou contar um pouquinho mais sobre o meu trabalho com os cavalos na fazenda. Quem acha que eu sei tudo sobre cavalos está muito, mas muito enganado mesmo. Mais leiga, impossível. Mas eu adoro animais, sou curiosa e não tenho medo de trabalho. Então, desde que fiz o primeiro contato com a família por email e li a descrição do que seriam as minhas tarefas, eu fiquei animada! Encarei como uma oportunidade rara de ter uma experiência com cavalos, além, claro, de ser A oportunidade de finalmente ter meu visto e continuar morando com meu ruivo.
Bom, geralmente eu chego lá e Eva (mãe do Marcus) já alimentou os cavalos. Então o que eu preciso fazer pra começar é soltá-los no campo. Eles já estão ansiosos pra sair do box deles, que em português se chama baia. Então eu levo com cuidado um a um pro lado de fora. Os meninos ficam de um lado e as meninas de outro, separados por uma cerca, pra não brincarem do que não devem. Nessa hora normalmente eu não tenho problemas porque eles cooperam direitinho de tanta vontade que estão de sair.
Então eu volto pro estábulo e faço a “caminha” deles espalhando bastante palha no chão de cada baia. Na verdade, cada cavalo tem sua dose particular de palha, já que uns são bem porcalhões e outros são mais limpinhos. Essa é a parte braçal e mais cansativa. Pra quem não sabe, a palha vem em grandes blocos prensados, esse bloco é separado em camadas no sentido vertical. Normalmente essas camadas se separam facilmente, mas as vezes elas caem uma por cima da outra e fica bem difícil de retirar a palha. É preciso usar aquele garfão (ancinho) pra puxar a palha pouco a pouco. Haja braço!
Depois é a hora da comida. Eles comem feno, que parece com a palha, mas tem um cheiro mais forte e não é tão seco. O feno vem disposto da mesma maneira que a palha, só que por ser mais pesado não cai nem se desfaz, o que torna tudo mais fácil. Além do feno, eles também comem ração. Cada um come uma determinada quantidade, então eu preciso ficar de olho no quadro que descreve cada um pra não me confundir. No final do dia, lá pelas 5 eu os coloco pra dentro. De vez em quando eles fazem doce, fingem que não me vêem, etc. Já que, compreensivelmente, não estão assim tão afim de voltar pras baias.
Uma das coisas interessantes de lidar com os cavalos é perceber como cada um tem sua personalidade, suas esquisitices e manias. Por exemplo, Carno, o mais velho, não gosta de andar no molhado. Ele é enorme, então não adianta eu empurrar com toda a minha força pra fazer ele andar pela lama porque ele não se move nem um milímetro. Outra engraçada é a Anita, a chefona do grupo. Ela precisa ser a primeira sempre! A primeira a sair da baia, a primeira a ser alimentada, a primeira a voltar pro estábulo, caso contrário ela fica furiosa e relincha como uma louca.
Tratar deles tem sido uma terapia pra mim, além de um bom exercício físico (só assim pra eu sair do meu sedentarismo). Até agora eu aprendi que pra ganhar o respeito do cavalo você precisa mostrar segurança no que está fazendo, confiança no seu taco e deixar claro que quem está no comando é você. Mas a maneira de fazer isso tudo depende de cada cavalo. É necessário tempo e bastante convivência pra conhecer um a um e então saber como lidar com eles. Ainda estou bem no comecinho dessa aprendizagem e estou gostando.
Escrito por Cat em frio, trabalho |
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19 February 2005 | 18:30
Essa semana que passou foi a primeira semana de trabalho pra valer, já que nas outras eu estava indo pouco a pouco, conhecendo devagar a rotina da casa, me habituando com o Marcus e com os cavalos. A mãe viaja à trabalho geralmente dois dias por semana, então eu fui dormir lá de terça até quinta já que ela precisava viajar bem cedinho na quarta e só voltaria na quinta à noite. Ela estava super preocupada porque seria a primeira vez que eu ficaria completamente sozinha com o Marcus e com os cavalos. Eu estava tranquila, já estava me sentindo super segura com os cavalos. Só a parte sobre minha comunicação com o Marcus que me deixava um pouco apreensiva. Mas como eu sabia que ele iria passar o dia na creche e depois dormir na casa do pai, nem me preocupei.

a casa
Então ela saiu bem cedinho na quarta, Marcus se esguelou de chorar na despedida e fui tentar consolá-lo e convencê-lo a ir tomar café. Nada adiantava! Ele continuava chorando e balbuciando a mesma frase sem parar. Depois de muito esforço consegui entender que ele dizia: “Jeg vil ring til min mor” (eu quero ligar pra minha mãe). Então fui eu lá correndo com ele ligar pra ela enquanto ela ainda estava a caminho do aeroporto. Depois de dois minutos conversando com a mãe no telefone ele parou de chorar como num passe de mágica e desceu comigo pra tomar café numa boa! Eu fiquei maravilhada! Daí comecei a me preparar psicologicamente pra enfrentar no mínimo 15 minutos andando na neve pra levar Marcus pra creche (porque infelizmente ainda não tenho carteira de motorista!), mas o pai dele apareceu de surpresa pra nos poupar esse trabalho!

os fofos
A partir daí eu tinha o dia inteiro só pra cuidar dos cavalos e dar um jeitinho na casa. Dei comida aos cavalos bem cedo, depois de uma hora os soltei sem grandes surpresas e prendi de novo lá pelas 5 horas da tarde. Eles são uns fofos! Só tem uma fêmea, a mais nova, que é meio louca. Mas ela decidiu ser bem boazinha comigo e se comportou. Foi tudo assim super tranquilo nos dois dias. A diferença foi que na quinta eu precisei ir buscar Marcus na creche, enfrentando os tais 15 minutos na neve. Levei aquele trenozinho pra voltar puxando ele pela neve, o que foi uma idéia brilhante porque além de deixar ele todo empolgado, foi muito mais rápido do que se ele fosse andando.
Passamos a tarde inteira tentando nos entender. Apesar de toda a minha angústia de não conseguir me comunicar direito, esse tempo com ele me forçou a falar dinamarquês. Eu não tinha opção! O que foi ótimo! O bom é que ele é super paciente e repetia trocentas vezes se necessário fosse até eu entender.
Num certo momento quando estávamos brincando na neve ele pegou um pedaço de gelo e começou a chupar como um picolé! Eu fiquei horrorizada e produzimos o seguinte diálogo:
Eu: Marcus! NEJ! (Marcus! NÃO!)
Ele: Hvofor???? (Porque????)
Eu: …….. (sem saber como dizer que era sujo)
Ele: Det smager godt! (É gostoso!)
Eu: …….. (ainda sem saber como argumentar)
Ele: Hummmmm! (saboreando o gelo)
Eu: Ok… (dando de ombros e desistindo)
Fazer o que?
Escrito por Cat em línguas, trabalho |
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3 February 2005 | 13:52
Boas notícias: encontrei uma família! Respondi um anúncio na
Eaupair e finalmente obtive uma resposta positiva! A família é a mãe (separada do pai) e Marcus, 4 anos. Eles moram numa fazenda linda com 6 cavalos e uma casa deslumbrante em Skanderborg (15km de Århus)! A mãe trabalha metade da semana de casa e metade viajando, então meu trabalho basicamente vai ser fazer compania ao Marcus enquanto ela está trabalhando de casa e quando ela estiver viajando (e Marcus com o pai) eu fico encarregada dos cavalos. Em média vou trabalhar apenas 20 horas por semana, o que me dá tempo de sobra pra estudar e o que mais me der na telha.Estou começando aos poucos para o Marcus poder se acostumar comigo e eu com os cavalos. Marcus, pelo que pude reparar até agora é muito agitado, independente e alegre. E parece que gostou de mim!

O único probleminha é que ele já fala e eu não! Mas acho que pelo menos agora o meu dinamarquês vai realmente aparecer. Na marra, mas vai sair! Off topic: Perguntaram no post anterior como vai o meu dinamarquês. A resposta é: o escrito vai bem, obrigada!

Mas o oral… ehrm… nada bom! Só entendo algumas palavras soltas quando ouço e ainda não consigo formar frases!

Tô adorando também a idéia de lidar com os cavalos. Eu adoro animais e poder ter essa experiência vai ser muito legal! O meu trabalho com eles vai ser soltá-los pela manhã, dar comida e colocá-los no estábulo novamente a tardinha. Tenho até permissão de montar se quiser!

Bem, as notícias são ótimas, mas eu só vou ficar mesmo tranquila quando tiver meu contrato, visto e inscrição na escola nas mãos! Então:
Escrito por Cat em au pair, trabalho |
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8 September 2003 | 14:14
Um instantinho entre mamadeira e soneca!
Como estão todos por ai???
Poxa… é so comigo ou com vocês também aparecem umas páginas pornográficas ao sair do meu blog? QUE HORROR! Alguém tem alguma idéia de como eu faço pra me ver livre disso? Brincadeira hein?!
Ontem falei com meu amorzão e tudo indica que ele vem me ver no final de outubro! Ainda está meio longe mas já tô contente!
Está meio difícil de me conectar por aqui, mas estou sempre tentando. Adoro ler os comentários! Mas vai demorar pra eu conseguir respondê-los.
Beijos pra todos!!!!
Escrito por Cat em trabalho |
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