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Literatura: Gravidez E Parto

18 October 2008 | 00:09

Vou listar aqui os livros e fóruns que usei durante a gravidez, sobre a gravidez e sobre parto.

Na primeira consulta na médica recebemos um livro com todo o básico sobre gravidez, parto e as primeiras semanas do bebê. Toda grávida na Dinamarca recebe esse livro, que é atualizado todo ano. Graviditet, fødsel og den nye familie 2008. Mas como esse livro é bem resumidinho encomendei outro mais um pouco detalhado: Politikens graviditetsbog, Lene Skou Jensen.

Além desses dois, já tinha comprado bem antes de engravidar o famoso livro da Vicki Iovine,  The Girlfriends’ Guide to Pregnancy, sobre o qual cheguei a comentar aqui na época que o comprei. Nele ela conta a experiência dela sobre estar grávida (ela tem 4 filhos) de uma maneira bem engraçada e descontraída.

Exclusivamente sobre o parto eu li o Parto Ativo, da Janet Balaskas, que me foi emprestado por uma querida amiga. Gostei tanto que comprei a versão em dinamarquês para o ruivo também poder ler. Esse livro é fantástico. Ele é baseado em relatos de muitas mulheres sobre o momento do parto e fala, como o título indica, sobre parir ativamente. O livro dá dicas que ajudam a entender o que acontece no nosso corpo durante a gravidez e no parto e sobre o que nós mesmas podemos fazer para facilitar o processo e vivenciá-lo de uma forma mais consciente. É repleto de fotos demostrando os processos e inúmeros relatos.

O orkut também está cheio de comunidades interessantes. A melhor delas, na minha opinão, é a que se chama Ginecologia-Obstetrícia Baseada em Evidências. Nela obstetras (pró parto normal) trocam idéias sobre o assunto e tiram dúvidas de leigos como eu.

Outras comunidades no orkut:

Parto Humanizado

Parto do princípio

Relatos de Parto

Cesária? Nao, obrigada!

Reportagem interessante sobre parto normal na revista Galileu:

Parto sem cortes

Campanha do Ministério da Saúde pelo parto normal com a Fernanda Lima, que pariu gêmeos:

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Escrito por Cat em gravidez, parto | Junte-se ao papo (9)

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Relato Do Parto De Lukas

5 October 2008 | 23:33

Sempre tive muito medo da idéia de dar a luz. Mas ao mesmo tempo nunca tive dúvidas de que queria ter um parto normal. Como sou muito fresca, digo, sensível a dor, me consolava com a certeza de que só deveria lidar com isso num futuro longínquo. Pois o futuro tão longínquo acabou chegando.

Quando soube que estava grávida disse para mim mesma que deveria tomar vergonha e me preparar decentemente para o grande dia. Essa preparação para mim significava adquirir toda informação possível sobre parto normal, ler diferentes relatos de pessoas que escolheram com clareza um parto natural e, finalmente, saber como esse tipo de parto é encarado aqui na Dinamarca, já que era aqui que teria o meu. Foi com muita satisfação, então, que percebi que o tipo de parto normal com o qual eu estava começando a me simpatizar era próximo ao estilo dinamarquês.

Fiz questão de fazer um cursinho de preparação para o parto para saber o que me esperava, passo a passo. Esse curso valeu ouro!  Nele eu aprendi muito sobre parto normal, sobre os muitos mitos que o cercam, sobre como minimizar as dores, as diferentes opções de anestesia e de posições para parir. O legal era poder tirar todas minhas dúvidas na hora com os professores, que são profissionais com muitos anos de carreira na área, uma parteira e a outra pedagoga. O curso era para casais e ruivo me acompanhou. De início mais para me agradar, mas logo no primeiro dia ele percebeu como era interessante e adorou. Ele fez todas as perguntas técnicas possíveis e imagináveis – meu querido marido nerd. :)  

Meu pré-natal foi acompanhado pela parteira e por minha médica. Aqui na Dinamarca parto normal é assistido por uma parteira e não por um médico. Não se choquem, parteiras aqui têm diploma universitário e são profissionais especializados em partos normais, pois na Dinamarca se parte do princípio que todo parto é normal. Cesária ocorre apenas em caso de complicação. Pessoalmente, acho isso ótimo!

Depois de muito me informar com livros, fóruns na internet, muita conversa com minha parteira, minha médica, amigas mães, minha mãe e claro, o ruivo, cheguei a conclusão das minhas preferências para o parto do Lukas. Eu gostaria de tentar um parto natural com o menor número de intervenções possíveis e, se possível, na água. Mas ao mesmo tempo tentava manter minha mente aberta no caso das coisas não irem como o esperado e de que eu deveria estar alerta e saber respeitar meus limites. 

Mesmo sabendo que minha mãe tinha parido muito rápido, eu preferi me preparar para o pior. Perguntei no curso e as minhas médicas sobre as possibilidades do meu parto ser igual ao da minha mãe e ouvi de todos que é praticamente impossível de saber, pois não existe estatísticas sobre o assunto. Sem falar que uma mesma pessoa pode ter partos extremamente diferentes um do outro. Complicado de prever. Assim sendo resolvi me preparar para um parto bem longo. Se fosse curto eu só sairia ganhando, pensei. Mas para ser bem sincera não acreditei nem por um minuto que seria mesmo rápido…

No domingo, 24 de agosto, 3 dias antes do dia previsto pro parto, eu estava na varanda conversando com meus pais quando comecei a sentir um leve desconforto que pensei que fosse gazes. Ignorei. Depois de um tempinho, numa visita ao banheiro, notei que estava sangrando e chamei discretamente o ruivo para não alarmar meus pais. Concordamos que eu deveria colocar um absorvente, como aprendemos no curso, pois se a bolsa rompesse, quem me recebesse no hosptial teria uma idéia mais precisa da quantidade de água que saiu. Minutos depois, às 16:45, já comecei a sentir uma dor muito similar a cólica menstrual, que chegava a alcançar as coxas. Começamos então a anotar a frequência das contrações. Para minha surpresa elas estavam vindo com 3 minutos de intervalo. Tínhamos aprendido no curso que quando as contrações começassem a vir com 5 minutos de intervalo já era hora de ir pro hospital, antes disso é muito cedo. Mas as minhas estavam vindo a cada 3 minutos! Fiquei preocupada e ligamos pro hospital. A parteira de plantão nos convenceu a esperarmos mais um pouco para ter certeza de que as contrações eram regulares, ou seja, que vinham todas na mesma frequência. Combinamos com a parteira também que ligaríamos antes de ir. Avisei aos meus pais que estava tendo contrações e me vi tendo que explicar que não pretendíamos ir correndo pro hospital, mas que observaríamos as contrações primeiro. Fui tomar um banho quente, que foi bem ralaxante. Esperamos cerca de meia hora, anotando a hora de cada contração. Notamos apenas que elas passaram a vir a cada 2 minutos e meio. Nesse momento o ruivo foi um grande companheiro, me ajudando bastante a me concentrar na respiração. No meio das contrações nos abraçávamos e ele me ajudava a respirar respirando junto comigo e olhando nos meus olhos. Numa dessas vezes perdi as estribeiras e gritei com ele que era para ele parar de assoprar na minha cara. Ele virou o rosto e passou a assoprar pro lado, o que acabou me fazendo rir, desfazendo a tensão.

De uma hora pra outra as contrações passaram a ficar bem mais fortes e notei que comecei a ficar  distante. Um dos livros sobre parto que li dividia o parto em 5 fases (clique aqui se quiser ler uma breve descrição das fases). Lembrando das descrições desse livro, notei nitidamente que naquele momento eu estava entrando na segunda fase, pois eu me sentia muito distante e simplesmente não conseguia me comunicar direito. Era impossível falar comigo durante uma contração. Fiquei preocupada com a frequência das contrações e praticamente exigi do ruivo que fossemos pro hospital. Ruivo lembrou então que faltavam algumas coisas de última hora na mala, como pasta de dente, etc. e começou a rever a lista que fiz do que deveria estar na mala. As dores estavam tão fortes que não deixei que ele terminasse a lista. Ruivo, muito cético, me pediu pra avisar aos meus pais que nós iríamos para o hospital, mas que provavelmente seríamos mandados de volta pra casa, como tínhamos escutado que acontecia quando se vai muito cedo para o hospital. Traduzi a informação para meus pais, mesmo indignada: "Como assim voltar pra casa? 2 minutos e meio!!!".

Na pressa de levarmos tudo para o carro acabamos esquecendo de ligar novamente para o hospital. No carro, a caminho do hospital, as dores ficaram ainda mais fortes e eu não conseguia mais me concentrar tão disciplinadamente na respiração. Passei, então, não a gritar, mas a emitir uns sons profundos de dor. Ruivo tentando me ajudar a voltar a respirar começou a dizer: "Não, Cátia, respira! Lembra de respirar!" perdi novamente a paciência: "Cala a boca! Eu tô fazendo o melhor que eu posso. Você tá me estressando". Mas assim que a contração passou pedi desculpas rapidamente, arrependida. Afinal de contas ele só queria me ajudar, sabendo que a respiração aliviava a dor.

Chegando no hospital nos dirigimos diretamente para o corredor das salas de parto e não para a recepção, onde deveríamos. No corredor das salas de parto, a secretária se encarregou de chamar a parteira para que não precisássemos descer para a recepção. Os minutos de espera pela parteira me pareceram uma eternidade, mas segundo o Ruivo não passaram de dois minutos. Mas alí, em pé na sala de espera, eu já comecei a sentir o peso do Lukas lá embaixo. Parecia que ele simplesmente "cairia" se eu andasse muito. Sentia também muita vontade de ir ao banheiro fazer o "número 2". Lembrei novamente da descrição das fases do livro. A parteira de plantão chega meio contrariada reclamando que não ligamos antes de vir. Entro na sala de exame já querendo tirar a roupa e ela me adverte que ainda não é a hora pois ela só vai me examinar. Deito na maca e ela começa a cutucar minha barriga bem devagar enquanto eu aviso que estou com muita vontade de empurrar. Ela me explica pacientemente que ainda estou sendo examinada e por isso ainda não é hora de empurrar. Ela escuta também o coração do Lukas com o aparelho do ultrassom e diz que tudo parece estar muito bem. Finalmente ela diz que posso tirar a calcinha para ela fazer o exame de toque. Me assustei com a quantidade de sangue no meu absorvente, mas ela explica que é muito normal. Ela me examina rapidamente e com os olhos arregalados diz: "10 centímetros de dilatação. Você está pronta para parir!". Apesar de saber que estava num estágio avançado, ainda me surpreendi com a constatação. Perguntei se podia empurrar e a parteira explica que precisamos, na verdade, ir para a sala de parto. Levantei e saí correndo na direção da outra sala, sem calcinha, sem nada. A parteira logo atrás de mim, rindo, tentando me cobrir e me perguntando se tudo bem eu estar andando no corredor nua. Não cheguei a responder por estar no meio de uma contração, mas pensei: "Estou me lixando se o mundo inteiro está me vendo pelada agora! Só quero saber de parir meu filho!!". 

Na sala de parto a parteira que me examinou me apresenta a uma outra parteira que me auxiliaria no parto e uma enfermeira. Durante a gravidez me preocupei muito em não ser a parteira que fez meu pré-natal que me auxiliaria no dia do meu parto e realmente não foi. Mas felizmente ela foi fantástica. Calma, irreverente e direta. Procurei ficar calma e me concentrar para seguir bem os conselhos dela. O primeiro deles foi para que eu segurasse minhas pernas com meus braços e que as puxasse de encontro ao meu corpo durante as contrações. Imaginei que a fase de expulsão fosse um trabalho constante de empurrar, como se vê tanto em filmes e novelas. Que nada! As contrações duravam menos de um minuto e eu fazia força 3 vezes durante cada uma. A posição em que eu estava parece que me ajudou a dar tudo de mim, toda a força do meu corpo em cada contração. Os intervalos entre uma contração e outra duravam vários minutos, ou pelo menos assim me parecia, longos intervalos em que eu relaxava completamente. A impressão que eu tinha era de que cada músculo do meu corpo apagava e que cairia no sono a qualquer momento. Lembro de dizer para a parteira que eu iria dormir e ela me responder: "Fica tranquila que se você dormir a próxima contração se ocupará de te acordar". Era nos intervalos que eu mais sentia a presença do Ruivo. Sempre com uma palavra doce, me encorajando, me dizendo como eu estava me saindo bem e me dando suco pelo canudinho. Foi também num intervalo que ouvi o Ruivo dizer que o cabelo do Lukas era escuro. A cabeça do Lukas estava coroando. Me inclinei para poder ver também e vi a parteira puxando o cabelo dele e fazendo um penteado punk. "É escuro e longo", ela disse. Foi um grande conforto ver a cabecinha do Lukas. Finalmente aquele momento tão surreal estava acontecendo.

A parteira disse que em 15 minutos ele provavelmente já estaria entre nós. Ela me explicou que dos 3 empurrões que eu dava durante as contrações, o primeiro era sempre o mais potente e me pediu para que eu me concentrasse neles. Procurei então a dar tudo de mim no primeiro. Logo depois ela diz que podia ver que o Lukas estava com a cabeça virada para o lado e que isso iria complicar um pouco para mim. A posição normal é o nariz do bebê estar apontando para as costas da mãe. Continuei empurrando e nisso vi a parteira separar uma seringa e uma tesourinha. Logo depois ela me pergunta o que eu prefiro: 1) esperar e continuar empurrando; 2) que ela ajudasse a virar a cabeça dele com a mão; ou 3) episiotomia, que é um corte no períneo para facilitar a saída do bebê. Respondi que eu preferia que ela ajudasse a virar a cabeça dele. O que eu não sabia é que ela usaria dois dedinhos para rebaixar o períneo e aí virar a cabecinha dele. Lembro que ela pediu para que eu fizesse toda força que eu pudesse no momento em que ela ajudasse, mas a dor dessa manobra foi tão forte que não consegui fazer força nenhuma. Pelo menos a manobra deu resultado logo e depois de algumas contrações mais a cabeça do Lukas saiu. A parteira perguntou ao Ruivo se ele queria cortar o cordão umbilical, pois deveria ser naquele momento, já que o cordão estava enrolado no pescocinho do Lukas. Ruivo respondeu que não e a parteira cortou o cordão bem rapidamente, com o corpinho dele ainda dentro de mim. O corpinho dele saiu logo na contração seguinte, bem mais fácil do que a cabeça.

Às 18:19 Lukas veio direto para o meu peito, ainda sujinho de sangue e gordura do líquido amniótico. A mamãe e papai chorões aqui não se contiveram. Ver aquele serzinho todo enrugadinho, mas perfeitinho bem na nossa frente foi um momento mágico. Nosso filho estava bem alí, estávamos abraçando ele… Duro de acreditar! A mágica do momento foi interrompida pela enfermeira que achou Lukas pálido demais e o levou para ser examinado. Ruivo ainda brincou dizendo que a julgar pelo pai não era de se surpreender que o filho também fosse pálido. Mas elas precisavam checar se tudo estava bem, pois ele já tinha nascido há 5 minutos e ainda não tinha chorado direito. Uma pediatra foi chamada. Ela o fez chorar, o examinou e constatou que ele era perfeitinho. Ruivo foi chamado para ajudar a limpá-lo enquanto a parteira me ajudava a expulsar a placenta. Para nossa surpresa não houve laceração nenhuma e não precisei levar ponto. Logo depois Lukas voltou para mim e mamou pela primeira vez

O parto do Lukas não foi nada perto do que eu esperava, mas foi com o menor número de intervenções possíveis, como eu preferia. Não tive anestesia nenhuma. A única intervenção foi a manobra de rebaixar o períneo, que sinceramente, não sei se concordaria novamente. Com relação a falta de anestesia, fico feliz que não precisei, mas por outro lado, tenho que admitir que foi pura "sorte" já que o trabalho de parto foi tão rápido – duas horas e meia. Porque se tivesse que passar pelo que passei por mais de 10 horas tenho quase certeza de que pediria sim algum tipo de anestesia. Mas não me arrependo nem por um segundo de ter tido um parto natural. Já estou animada para o próximo! ;)

Escrito por Cat em Lukas, gravidez, parto | Junte-se ao papo (30)

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