12 October 2007 | 13:54
Não existe o nosso fonema (vou chamar de som aqui no post) J em dinamarquês. A letra J em dinamarquês é pronunciada como o nosso I. O nome do ruivo, por exemplo, é Jonas mas se proncuncia "iônas". O resultado de não existir o som na língua é que os dinamarqueses normalmente não fazem idéia de como pronunciá-lo. Quando eles precisam falar uma palavra em outra língua que tem J, eles pronunciam como CH. E não vêem diferença entre os dois sons.
Peça a um dinamarquês para que ele diga Xis e Giz.
A minha professora de psicologia outro dia foi citar o Jean-Paul Sartre na aula. Um aluno não entendeu o nome do filósofo e ela repetiu bem devagar: "Chean Paul Sartre". Ainda completou dizendo que era a mesma pronúncia do nome em francês. Ela acredita de verdade que é a mesma coisa, já que o ouvido dinamarquês dela não consegue discernir os dois sons.
Isso de um determinado som não existir na nossa língua materna complica demais a pronúncia de uma segunda língua. Quem não teve problemas para fazer o som do TH em inglês? Ou o R francês? Mas o problema é ainda muito maior quando não conseguimos nem ouvir a diferença entre o som que precisamos produzir e aquele som mais próximo que conseguimos produzir.
Acredito que esse problema se resolva com o tempo. Depois de escutar repetidas vezes o mesmo som e de tanto tentar pronunciá-lo, encontramos de repente o jeitinho certo de articula-lo. As vezes é uma coisa consciente, sabemos exatamente o movimento ou posição da língua (boca, ou o que seja) para emetir o tal som, mas as vezes nem temos idéia de como fazemos, mas fazemos.
Assim vou consolando o ruivo, que tem vergonha de não poder falar tantos nomes de familiares e amigos meus como Juliana, Gisela, Joelma… E não ajuda nada o fato das duas primeiras serem irmãs gêmeas e de todos dizerem Ju e Gi. E o apelido de Joelma? Jojô!
Paciência, ruivo! Você chega lá…
Escrito por Cat em dinamarquês, línguas |
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19 September 2007 | 23:46
Como pressentido, o blog em dinamarquês acabou de ser reinaugurado hoje, exatamente 1 ano depois do primeiro post.

Longa vida, bloguinho på dansk…
Escrito por Cat em blogosfera, línguas |
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7 February 2007 | 11:35
Estou meio desaparecida do blog, mas por motivos justos. Nosso apartamento está finalmente aparentando um lar. Esse fim de semana que passou foi nosso primeiro fim de semana inteiro livre e aproveitamos para dar uma arrumada e desempacotar o resto das nossas coisas.
No domingo a noite vieram vários amigos do ruivo assistir ao Super Bowl – campionato de futebol americano. Eu acho esse jogo um saaaaaco, mas participei da baguncinha pré-jogo que foi hamburger feito em casa, muito chips e refri. Como o jogo foi começar só lá pra meia-noite, eu fui pra caminha dormir.
Ruivo está todo doentinho. Gripado, febril e todo congestionado, né? Normal. Ontem ele me disse em português: "Meu cabeça cheio de meleca!"
"Meleca" ele aprendeu comigo, porque como sou uma menina pura e raramente xingo pra valer, eu falo palavras assim em momentos de raiva, feias mas inofencivas aos ouvidos infantis. Bem, falo coisas mais feias do que "meleca" também, mas não vem ao caso.
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Parei de ir a escola. Fui conversar com a conselheira da escola, porque realmente aquele meu ritmo não estava funcionando. Eu ia pra escola sem o menor pique, não tinha saco para participar das aulas como fazia e ainda por cima bocejava o tempo todo. E quem é professor sabe que ver um aluno bocejando no meio da sua aula é de matar. A conselheira da escola, então, me sujeriu continuar estudando pela internet, num curso online da escola, com professores reais que corrigem os trabalhos. Estou agora esperando receber a carta com o nome de usuário e senha para começar esse curso. Espero que seja bom. É verdade que a parte oral sai perdendo, mas para isso eu tenho o ruivo para ser explorado.
Outro ponto que me fez decidir parar, além do cansaço, foi decidir fazer um curso preparatório pro curso que eu quero seguir aqui. Para esse curso preparatório, essa prova que eu já fiz, o PD3 já é suficiente. E com esse curso preparatório eu posso entrar diretamente no curso que eu quero. Fazer o Studieprøve, a prova pra qual eu estava me preparando agora, então, será opcional. Mesmo assim eu pretendo fazer mais tarde, quem sabe ainda esse ano, porque bem ou mal é um diploma importante de se ter.
Agora vou curtir meu tempo livre, visitando os blogs amigos, respondendo emails, e vendo tv.
Ô coisa boa!!!
Escrito por Cat em estudando, línguas, quotidiano |
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21 January 2007 | 22:22
Na noite do Ano Novo, vieram dois amigos do ruivo que eu não conhecia aqui em casa. Ficaram só meia hora e foram embora antes do jantar. No meio da visita um deles foi ao banheiro. Quando voltou, ele parou na minha frente com uma expressão bem concentrada e falou: "una lata de likso". Eu fiquei paralisada por uns segundos olhando para ele tentando decifrar aquela charada. Sem sucesso. Aí ele soltou outra: "uno espeurro". Aí não deu mais pra segurar e eu soltei um sonoro "ÃHN?". Mas aí a Fernanda, minha amiga brasileira que veio passar o réveillon comigo, matou a charada e me alertou que ele estava tentando falar uma lata de lixo e um espelho.
Só aí foi cair a minha ficha. Como somos um casal de línguas maternas diferentes, a casa inteira é cheia de adesivos com os nomes dos objetos da casa em dinamarquês e em português. Então aqui em casa se aprende um pouco de língua (muito mal, por sinal) enquanto se faz as necessidades fisiológicas diárias. Interessante, não?
Escrito por Cat em línguas |
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9 January 2007 | 16:19
Eu fico cada vez mais impressionada com a Dinamarca e a língua dinamarquesa. Esse país, pra quem não sabe, tem o tamanho do estado do Rio de Janeiro e o mesmo número de habitantes da cidade do Rio de Janeiro. A densidade demográfica, então, é pequena e acredito que isso tenha um grande efeito na língua.
A língua dinamarquesa tem particularidades muito distintas dependendo da região do país. Não é nada raro uma notícia no telejornal aparecer com legendas, mesmo que a pessoa entrevistada esteja falando dinamarquês, porque consideram o sotaque dela muito forte.
São tantos sotaques regionais e tão fortes para um país tão pequeno, que é de impressionar mesmo, sem falar nos dialetos.
Tenho um exemplo na família do ruivo mesmo. Uma parte da família do sogro mora no extremo sul do país. Um dos irmãos do sogro, tio do ruivo, tem um sotaque tão carregado que eu não entendo praticamente nada do que ele diz. Meu próprio sogro pronuncia muitas coisas completamente diferente do que o jeito que eu aprendo na escola.
Encucada com isso há um tempo atrás, fui perguntar na escola se existe um dinamarquês padrão, oficial. Aprendi que existe sim e ele se chama Rigsdansk. É um dinamarquês sem sotaque regional e sem maneirismos de linguagem. É o que se fala normalmente pela maioria das pessoas que trabalham na televisão e no rádio. Mas nem sempre. Eu já consigo reparar que algumas dessas pessoas são nitidamente de Copenhague ou de Århus.
Mas isso de língua padrão é bem discutível, né? É possível mesmo manter essa língua padrão longe dos sotaques e dos maneirismos? Complicado.
Fui perguntar então se o que aprendemos na escola é o Rigsdansk. O professor substitudo que estava lá no dia disse que é algo entre o Rigsdansk e o dinamarquês de Århus. Explicou também que teoricamente Rigsdansk é a língua ensinada nas escolas, mas na prática isso é bem diferente. É praticamente impossível para os professores se livrarem por completo de qualquer traço de sotaque regional ou maneirismo.
Aproveitando o assunto o professor escreveu a seguinte frase no quadro para exemplificar o modo que as pessoas no leste da Jutlandia (Vestjylland) falam: a æ u o æ ø i æ å. Isso é apenas a transcrição de como a frase soa, as palavras dessa frase, na verdade, não são só de vogais. Coloquei essa frase no blog em dinamarquês também para ver se alguém lá advinha o que é.
Essa frase me fez lembrar de uma outra, em português, que diz:
Ó o auê aí, ô!
Preciso explicar o que significa?
Escrito por Cat em Dinamarca, línguas |
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23 November 2006 | 22:22
Um grupo do curso de História da Literatura da Universidade de Århus criou um projeto literário bem legal com o intuito de dar voz aos estrangeiros que estão aprendendo dinamarquês. Eles reuniram textos escritos por vários alunos da escola de dinamarquês e publicaram nesse site e em folhetos e posteres, que estão espalhados em vários lugares da cidade.
Na verdade, tudo começou como um simples dever de casa. Era pra escrevermos um texto sobre uma palavra que era importante para nós. Poderia ser um texto, uma crônica, um poema, qualquer coisa, desde que tivesse aproximadamente 100 palavras. No dia de entregar "o dever de casa", nos deparamos com esse grupo da Universidade na sala de aula. Eles explicaram o projeto e nos deixaram decidir se gostaríamos de participar ou não. Eles não queriam que escrevessemos com a pressão de ter o texto divulgado, por isso a "armação" toda de um simples dever de casa. Todos os textos estão em dinamarquês e na língua materna do autor.
Meu texto está lá no site e também espalhado pela cidade. Só que por uma confusãozinha, estou identificada com nacionalidade portuguesa. Ora pois!
Update:
Meu texto em português:

Meu texto predileto, que me deu arrepios quando li:
Escrito por Cat em estudando, eu-moi-mig, línguas |
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6 November 2006 | 23:01
Escrevi outro dia no blog em dinamarquês sobre uma das minhas dificuldades com a língua e acabei lembrando de algumas peculiaridades interessantes do idioma para contar aqui.
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Os dinamarqueses dizem obrigado de várias formas e em várias situações diferentes:
- Tak.
- Tak for det. (Obrigado por isto) > geralmente em resposta a alguma gentileza.
- Tak skal du have. (Você deve receber um obrigado) > Esse é um obrigado mais enfático e educado.
- Mange tak. (Muito obrigado)
- Tusind tak. (Mil vezes obrigado)
- Tak for denne gang. (Obrigado por esta vez)
- Tak for i dag. (Obrigado por hoje)
- Tak for sidst. (Obrigado pela última vez) > Esse é meio complicadinho. É usado para agradecer pela última vez que você viu a pessoa, que foi também uma ocasião em que você foi convidado por ela para alguma coisa.
- Tak for mad. (Obrigado pela comida) > Esse é bem importante. É tradição sempre agradecer pela comida à pessoa que cozinhou.
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E também tem várias opções de resposta para o obrigado:
- Det var så lidt. (Foi tão pouco) > Como o nosso "de nada". Usado no caso de você ter feito algo nada trabalhoso.
- Velbekomme. > Usado no caso de você ter feito algo mais trabalhoso pela pessoa.
- Selv tak. (Obrigado você também) > Usado no caso da pessoa também ter feito algo por você.
Para quem não está acostumado, responder um obrigado adequadamente não é muito simples. Imagina! É preciso avaliar em segundos se o favor que se fez foi com ou sem esforço, e se a pessoa em questão participou ou não.
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Quando as pessoas se despedem, elas geralmente dizem as seguintes expressões:
- Hav det godt. (Fique bem)
- I lige måde. (Você também / da mesma forma)
Esse "i lige måde" é usado para desejar o mesmo de volta à pessoa que lhe desejou algo.
Por algum motivo oculto eu sempre, SEMPRE, respondo "i lige måde" quando me dizem "tak". Está errado e eu sei, mas não consigo evitar. Não sei porquê automatizei isso. O que acontece é que eu acabo ficando muda quando me agradecem por alguma coisa porque estou concentradíssima engolindo meu "i lige måde". Quando eu finalmente consigo encontrar a resposta adequada para a situação e respondo, já passou tanto tempo, que as pessas devem pensar que eu sou a pessoa mais lenta que elas já encontraram na vida. Fazer o que? Me resta apenas esperar que o meu cérebro tome jeito com o tempo e coloque o "i lige måde" no lugar certo.
Escrito por Cat em estudando, línguas |
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26 October 2006 | 21:15
Quem não tiver saco para esse papo de aprender uma língua nova (e louca!) e gramática, pode parar de ler o post aqui mesmo. Não culpo vocês!
Quem tiver coragem de continuar, aconselho a dar uma refrescada na memória com o livrinho de gramática de vocês antes de terminar de ler o post.
A prova nacional de proficiência em dinamarquês está se aproximando e ando rodeada de dicionários, gramáticas e papéis. Queria escrever sobre uma porção de outras coisas (como o dia do professor, o livro que acabei de ler, um guiazinho de como andar de bicicleta na Dk e outras coisas), mas como meu tempo tem se consumindo estudando, acabo ficando um pouco sem cabeça para escrever sobre generalidades. Então, para a felicidade de vocês, vou dividir um pouquinho do meu conhecimento da língua e também o meu drama.
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Uma das coisas com que eu mais tenho dificuldades em usar na língua dinamarquesa é a ordem das palavaras na frase. É barra! Cada classe de palavras tem uma posição na frase, que é quase sempre inflexível. Consequentemente, quanto mais classe de palavras a frase tiver, mais complexo e difícil de lembrar fica. E se a frase tiver mais de uma oração? Mais uma dezena de regras extras sobre a posição das palavras.
A ordem, numa frase simples, fica assim:
sujeito – verbo – objeto
Até aí beleza, né? Igualzinho o português! Mas aí entra o advérbio:
sujeito – verbo – advérbio – objeto
Agora, se forem duas orações:
sujeito – verbo – conjunção – sujeito – advérbio – verbo - objeto
Um advérbio de tempo, por exemplo, só pode ficar no início da oração ou no final. Se ficar no início ele inverte a posição do sujeito e do verbo:
advérbio de tempo – verbo – sujeito – objeto
Essa inversão da posição do sujeito e do verbo acontece em várias ocasiões e me deixa maluca. Na hora de escrever até que é fácil lembrar da regra, mas na hora de falar sempre me escapole e eu não faço. E eu sempre noto que não fiz logo depois de ter falado. Um saco. Tá sendo super difícil de automatizar isso.
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Outra coisa maluca com o dinamarquês são os números. Aqui os números tem a ordem inversa. Se fala a unidade antes da dezena. Por exemplo:
21 – um e vinte
Eu também não consigo automatizar isso de jeito nenhum! Sempre levo um bom tempo pra entender de qual número estão falando. Para minha alegria, se fala os números de telefone em dinamarquês em dezenas (65 56 65 56). Quando preciso anotar o telefone de alguém, eu sempre começo pela unidade e depois a dezena. Não sei como os dinamarqueses conseguem escrever normalmente.
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E tem muito mais… Mas agora tenho que dormir que amanhã trabalho cedo. Boa noite!
Escrito por Cat em estudando, línguas |
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27 September 2006 | 10:14
– Miau!
- ?
- Que tipo de sotaque era esse?
Semana passada chegou meu visto de permanência. A sensação de alívio foi tão grande que nem sei explicar. Esse carimbinho colorido no meu passaporte me permite ter uma vida “normal” novamente: ficar na Dinamarca sem grandes preocupações e trabalhar o quanto eu quiser e puder. Ou seja, ser vista e tratada (ao menos um pouquinho mais) como os nativos. Com isso, e só agora, depois de tanto tempo, consegui me sentir uma cidadã novamente.
Logo depois de ter recebido meu visto eu comecei a caça a um emprego. Tinha algumas preferências: meio período, para que eu possa continuar o rítmo no curso de dinamarquês; um ambiente que me dê a oportunidade de praticar a língua; e um bom salário, claro. Respondi alguns anúncios e no dia seguinte fui chamada para uma conversa. O trabalho é num dos maiores supermercados do país, do tipo que vende desde mantimento até roupas e móveis. Meu serviço é o de arrumar os produtos nos lugares antes das portas se abrirem. Fui lá hoje conversar com o gerente de uma das seções, que iria me mostrar o que fazer e como.
Depois de uns 10 minutos de papo com o cara, ele me diz: “Eu não tô reconhecendo seu sotaque. De onde você é?”. Achei graça. Quem dera eu tivesse apenas um leve sotaque.
Mas o bom mesmo é que eu entendi tudo o que ele disse, ele entendeu tudo o que eu disse e eu terminei a manhã empregada!
—
p.s. Quero agradecer a todos que me deram um apoio muito querido no blog em dinamarquês. Obrigada mesmo! 
Escrito por Cat em línguas, trabalho |
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19 September 2006 | 21:52
Olha só a empolgação. Foi só tirar uma nota boa, que a metida aqui resolveu criar coragem e fazer um blog em dinamarquês. É mole?
Na verdade, a idéia é antiga. A coragem é que é nova!
Faz tempo que a família do ruivo, mais precisamente a mãe, pedia que eu escrevesse em dinamarquês para que ela pudesse entender. A fofa da sogra tá sempre passando por aqui e tentando adivinhar sobre o que eu estou escrevendo. Tem vezes que ela chega a me ligar pra perguntar se o que ela imaginou que eu estivesse falando estava certo. Eu acho uma graça. Tenho certeza que se ela falasse português ela seria uma comentadora assídua do blog, com os comentários mais irreverentes. Pois bem, sempre achei o interesse dela e do resto da família bem legal. Mas chegar a escrever um post inteiro só em dinamarquês, para dinamarquês ler, já era muito a se esperar de mim. Acho que vocês não fazem idéia da minha insegurança a esse respeito.
Só que insegurança é um problema, que precisa ser combatido. Eu preciso muito repetir isso pra mim mesma sempre, para evitar que eu me conforme com minhas dificuldades. Porque conformismo também é um problema seríssimo! A típica atitude: “pois é, eu tenho esse problema, mas eu sou assim, não tenho como mudar”. Não tem como mudar uma ova! Se tem uma coisa que você não está satisfeito em si mesmo sempre tem como mudar. Principalmente quando você mesmo enxerga esse certo defeito. Não quer dizer que seja fácil. Muitas vezes é muito difícil. Mas essa tentativa de mudar deve ser encarada como um exercício diário. Um passo de cada vez. Uma mudançazinha a cada dia. Quando menos se espera vemos resultados surpreendentes, que talvez a olhos alheios sejam imperceptíveis, mas para nós sejam grandes conquistas, um pedaço de caminho percorrido. E a satisfação de olhar para trás e ver esse caminho percorrido deve ser usada para reabastecer a motivação de continuar esse exercício diário.
Pois foi nessa minha idéia de combater minha insegurança com o dinamarquês, de reforçar esse exercício diário, que eu resolvi tomar coragem e criar meu blog em dinamarquês. O novo blog não será uma tradução desse blog. Será só um meio a mais para praticar dinamarquês. E quem sabe contar com a ajuda da família do ruivo e dos amigos daqui.
Quem tiver curiosidade passe por lá. Mas lembrem de ligar a tecla sap!
Escrito por Cat em blogosfera, estudando, línguas, reflexões |
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