15 October 2009 | 13:21
Peguei uma gripe violenta que me derrubou como nunca antes. O pior, acredito, já passou. O que ainda me persegue é uma dor de cabeça intensa. Parece que vivo “drogada” para conseguir funcionar apesar da dor de cabeça. Logo eu que o d e i o tomar remédio. Praticamente não me lembro mais o que é não ter dor de cabeça. O resultado é que fico facilmente irritada. Preciso pendurar uma plaquinha no pescoço com um alerta para as almas desavisadas manterem distância.
A “sorte” é que essa semana é de férias escolares de outono. O azar é que em férias escolares sempre tem um trabalhinho pra fazer e muitos textos pra ler. Ainda pensei que fosse ler alguns textos atrasados. Mas… A gripe tinha outros planos para mim. Estou passando a semana revezando em curtos turnos de leitura e longos turnos de soneca. E constante peso na consciência, claro.
Junto com as férias de outono, chegou o frio. Frio de verdade. Nem parece frio de outono, mas de início de inverno. Parece até que adivinhamos que o frio chegaria essa semana, pois no fim de semana saímos à caça por roupas de inverno para o Lukas. Uma jaqueta e um macacão. Hoje pela manhã, quando fui levar Lukas pra creche, passei bons 5 minutos raspando o gelo do vidro do carro. Detalhe que não posso esquecer na próxima vez que for pegar o carro nesse frio: luvas!
Agora que tirei um pesinho da consciência por não escrever no blog e procrastinar (olha como eu sou boa em multitask!) vou lá voltar ao meu livro + cama + vitamina C.
Escrito por Cat em Lukas, estudando, eu-moi-mig, frio |
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9 September 2009 | 13:31
Minha aulas começaram dia 1 de setembro. Pra quem não sabe, estou estudando Serviço Social aqui em Århus. A primeira semana foi tranquila, apenas apresentações e festas. No segundo dia teve uma viagem com a turma para que todos se conhecessem melhor, com atividades, brincadeira e festa. Todo curso superior aqui oferece essa viagem com os alunos novos. Em alguns cursos a viagem é de uma semana, mas no meu foi apenas 1 dia, o que eu acho ótimo, pois assim mais pessoas (com filhos ou trabalho) também tem oportunidade de participar. Achei que eu fosse me sentir um peixe fora d’água nesse passeio e me arrepender logo de cara por ter ido, mas até que foi bem legal. Pude ver que tem outros da minha idade, que não sou a única mais velha e com filhos.
Essa semana as aulas começaram pra valer e tem muita coisa pra ler. Tô ainda meio devagar pra entrar no ritmo depois de um ano em casa, mas acho que logo o ritmo se estabelece. Graças ao Lukas, que vai dormir pontualmente às 19h, tenho a noite toda pra ler até o sono bater.
É ao mesmo tempo frustrante e estimulante começar uma outra faculdade. Quando penso nos 3 anos e meio que vai levar pra eu me formar, dá um desânimo… Mas perceber o quanto o assunto me interessa, me sentir inspirada novamente é revigorante.
Escrito por Cat em Dinamarca, estudando, passeios, reflexões |
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27 May 2008 | 14:36
A temperatura aqui está maravilhosa. Sol constante. Minha vontade é de ficar estirada sob o sol o dia inteiro.
Mas estou em época de provas. Duas essa semana e mais duas nas próximas duas semanas. O bom é que daqui a 3 semanas o curso introdutório chega ao fim e aí sim, poderei me concentrar na barriga, quartinho do bebê e outros inúmeros detalhes pendentes.
Estou ansiosa com as provas, pois elas são orais e sou bastante atrapalhada com apresentações orais. Portanto… concentração!
Volto quando acabar. Inté!
Escrito por Cat em estudando, eu-moi-mig, quotidiano |
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9 March 2008 | 18:21
Um diálogo outro dia na aula entre mim e um professor:
professor – sorrindo: Cátia, você aumentou um pouquinho, né?
eu: Como assim "aumentei"?
professor: Assim… tá mais cheinha…
eu – já imaginando que ele soubesse: Ah sim! Outro dia medimos e minha barriga está 10cm maior.
professor: Não diga! Mas por quê?
eu – sem entender nada: "…"
uma outra aluna: Porque ela está grávida, professor!
professor: Que notícia boa! Meus parabéns!
eu: Obrigada. Mas eu jurava que você já soubesse… pra me fazer uma pergunta dessas!
professor: Ah, mas não se pode perguntar diretamente a uma mulher se ela está grávida, né? Não cai bem.
eu – não cheguei a dizer, mas pensei: E perguntar a uma mulher se ela engordou cai bem?
Cara, só rindo! Mas duvido muito que ele já não soubesse. Garanto que ele fez essa ceninha toda só para não admitir que a fofoca rolou solta na sala dos professores.
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Queria muito agradecer a todos que escreveram recadinhos de congratulações por aqui e por email. Obrigada! Muito obrigada!
Escrito por Cat em abobrinhas, estudando, gravidez |
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25 February 2008 | 23:54
Passei as últimas semanas escrevendo um trabalho pra faculdade. Não foi um trabalho difícil. O tema era simples e interessante. Mas o processo pra arrecadar as informações era complicado. Como não existe literatura sobre o tema, foi preciso fazer pesquisa de campo, entrevistas, etc., o que é demorado e trabalhoso. Sem falar que o trabalho foi feito em grupo e haja paciência e jogo de cintura para administrar as longas discussões sobre o que deveria ou não entrar para o relatório. Cansativo, muito cansativo. Finalmente entregamos, mas a novela ainda não acabou. Semana que vem é a apresentação oral do projeto. Mais longas discussões pela frente, imagino.

O lado bom de ter estado ocupada esses dias foi poder preencher a mente com algo além da gravidez. É uma piração só esses primeiros meses. Metade do tempo estou feliz da vida só de pensar que um pedaço de amor está se desenvolvendo dentro de mim, feliz com a expectativa de ver a barriga crescendo e tantas outras coisas. Na outra metade estou extremamente ansiosa com uma infinidade de interrogações, inseguranças. Procuro obviamente me concentrar na metade feliz dessa fase, mas essa é uma tarefa que está longe de ser simples.
Pra quem perguntou do papai ruivo, ele está radiante. É um tanto mais complicado pro pai desenvolver uma relação emocional com o bebê no início da gravidez. A mulher tem o privilégio de experienciar as mudanças físicas no próprio corpo e sentir os inúmeros sintômas que a ajudam a ter uma ligação mais próxima com o bebê. Já o homem fica por enquanto limitado a suas fantasias sobre ser pai, já que a barriga ainda não está grande e o bebê ainda não mexe. Sabendo disso, costumo ler os livros que compramos sobre gravidez em voz alta para ele antes de dormir. É ótimo porque sempre rende altos papos sobre a fase que estamos vivendo, o que está por vir e principalmente porque o ajuda a entender melhor pelo que estou passando agora.
O ruivo vez ou outra conversa com o meu umbigo, como se fosse uma canal direto de comunicação com o filho(a). São em momentos gostosos assim que eu procuro me concentrar.
Escrito por Cat em estudando, gravidez |
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27 November 2007 | 15:42
Inacreditável! Escrevi o último post de ontem, arrumei minha mochilinha da escola pro dia seguinte, tomei um banho e fui dormir. Acordei super cansada hoje (provavelmente coisa do inverno), fiquei na cama até o último minuto e saí em cima da hora toda esbaforida, pra chegar na faculdade e descobrir que não só não tem aula hoje, como não terá aula o resto da semana e nossa apresentação está cancelada. A professora de teatro está muito doente.
Nunca mais reclamo de nada!
Escrito por Cat em abobrinhas, estudando |
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26 November 2007 | 21:07
Estamos tendo aula de teatro no meu curso há umas semanas. Achei a idéia fantástica no início. Primeiro porque eu gosto de mudanças. Gosto de tentar coisas novas. Segundo porque acredito que seja uma ótima oportunidade de aprendermos a enxergar melhor o nosso próprio corpo, de entendermos a importância da linguagem corporal em se tratando de relações humanas, de exercitarmos nossa línguagem oral de uma maneira diferente da que estamos acostumados, e também para simplesmente sairmos da mesmice da sala de aula e perceber que aprendemos de mil outras formas e não apenas sentados numa sala de aula com livrinho e quadro negro.
As aulas estavam indo tão bem. O dia sempre começando com um aquecimento bem leve. Todos num círculo seguindo a professora num exercício básico de alongamento. Depois alguns exercícios de comunicação e interação. Alguns pareciam brincandeira de criança, mas que na realidade, assim como muitas brincadeiras de criança, são no fundo exercícios de coordenação motora. E depois "brincávamos" de fazer sketches, ou seja, cenas curtas, improvisações. Tudo muito divertido, tudo muito discontraído.
Daí que agora a coisa ficou séria. Como já sabíamos desde o princípio do curso, as semanas do curso de teatro terminarão com uma apresentação para o "público", leia-se família, outros professores e amigos. Brincar de fazer teatro entre amigos é uma coisa, se apresentar para estranhos é oooutra. Putz grila! O fato de eu nunca na vida ter tentado ser atriz ou nem mesmo feito um cursinho sequer de teatro tem uma razão de ser, né?
Semana passada cada um precisava apresentar em aula uma cena curta inspirada na nossa nacionalidade (lembrando que meu curso é composto por estrangeiros). Eu inventei de fazer uma cena na praia. Porque eu sou carioca da geeema, rata de praia (Rá! até parece!). A cena é curta, mas a cabeça oca aqui se engraçou a fazer algo nada fácil para uma amadora ultra tímida: intercalar entre a narradora que explica, olhando o público nos olhos, como é ir à praia no Rio e uma personagem que está na praia e interage com personagens imaginários. Burra eu! Deveria ter imaginado que a professora iria usar nossas cenas para a apresentação final. Claro!
Fazer minha cena na frente dos meus colegas de turma já foi difícil. Fiquei vermelha, esqueci falas, encurtei a história e terminei desengonçadamente. Imagina na frente de desconhecidos? Humilhação garantida! Vai ser uma beleza… Ruivo está ansioso para ver nossa apresentação. Mas já o adverti que quando eu entrar em cena ele tem que olhar pro outro lado!
Escrito por Cat em abobrinhas, estudando |
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19 September 2007 | 22:13
Sabe quando uma pessoa está contando uma história e você de vez em quando diz an-ham, un-hum, sei ou é nas pausas que a pessoa faz para demostrar que você está acompanhando e entendo o que ela diz? Pois é, muita gente da minha turma faz isso enquanto o professor está dando aula. Eu parto do princípio que na cultura delas é comum ter esse tipo de reação na sala de aula. Lembrando que minha turma é só de estrangeiros.
Pode até ser que esses un-hums não sejam traços culturais, mas característica isolada própria da personalidade da pessoa. Talvez os outros un-hums venham como resposta ao primeiro un-hum. Um simples fenômeno social. Talvez.
Mas eu já constatei que todo o pessoal de origem eslava da turma sempre diz o mesmo a-há. Você explica algo e eles respondem a-há pra mostrarem que entenderam. Sempre!
Uma exurrada de a-hás, un-hums, e afins no meio da explicação do professor. Eu acho graça, mas esses an-hams todos me desconcentram. Preciso muito aprender a abstrair e não deixar que isso me desnorteie.
Escrito por Cat em abobrinhas, estudando, quotidiano |
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18 June 2007 | 10:52
Há algumas semanas eu comecei as aulas na auto escola para tirar minha carteira de motorista. Não foi fácil escolher a auto escola. A maioria esmagadora delas só tem aulas à partir de 4 da tarde. Exatamente a hora em que estou chegando no trabalho. A escola que escolhi, por exemplo, só tem aulas pela manhã às sextas-feiras. Mesmo com o tempo assim meio limitado eu escolhi essa escola pelo fato das aulas serem ministradas no computador. O aluno chega na escola no horário mais conveniente para ele, faz as lições pelo computador, lendo e ouvindo simultaneamente com um fone de ouvido. Tem sempre um instrutor disponível em caso de necessidade. Achei que com esse sistema seria mais fácil para mim, já que posso ler e ouvir ao mesmo tempo, eliminando maiores problemas para entender a língua. Sem falar que posso repetir as lições quantas vezes quiser. Também já encomendei o livro. Fiquei sabendo na escola que esse livro é pouquíssimo usado pelos alunos. Mas expliquei que como o dinamarquês não é minha língua materna eu quero me cercar de todos os recursos possíveis. Com o livro eu vou poder estudar em casa e me preparar para as aulas, tirando dúvidas de vocabulário específico.
Desde outubro do ano passado é obrigatório cumprir 7 horas de aula de primeiros socorros para poder tirar carteira de motorista. Foi o que fiz no sábado passado. A aula foi muito interessante. Tivemos que treinar em bonecos a massagem cardíaca, respiração boca a boca, e um no outro a posição lateral de segurança.
Me assustei com a intensidade da massagem cardíaca. É preciso pressionar tanto ao ponto da caixa toráxica descer 5 cm! O professor chegou a dizer que se ouvirmos um crac, para ficarmos calmos que é assim mesmo(??). Lembrei de ter lido no jornal há um tempinho que o conselho nos EUA era de não se fazer massagem cardíaca pois o risco de ser processado no caso de quebrar um ossinho era muito grande. Imagina?
Bom, mas agora eu tenho um diploma de primeiros socorros. Hurra! Vou sair por aí dando uma de Jack do Lost.
Escrito por Cat em estudando |
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16 May 2007 | 11:15
Acabei de chegar da entrevista na faculdade e no final dela as duas professoras que me entrevistaram já me comunicaram que estou dentro! Ainda vou receber uma carta me comunicando que fui admitida e que devo responder se aceito. Mas segundo as professoras, a papelada é mera formalidade já que elas sabem na hora da entrevista quem entra ou não.
A entrevista foi a conversa mais descontraída e irreverente que já tive com dois desconhecidos dinamarqueses! Elas queriam saber basicamente a minha história: o que fazia no Brasil, porque vim parar aqui, o que faço aqui e minhas experiências. Elas me deram também o panorama completo das minhas possibilidades depois do primeiro ano.
Meu primeiro ano vai ser um curso especial para estrangeiros, que eu decidi fazer para obter aquele conhecimento que para os dinamarqueses é evidente, pelo simples fato de eles serem dinamarqueses, que é sobre cultura e sociedade. Nesse curso se tem aulas de dinamarquês, direito, serviço social, entendimento cultural, psicologia, pedagogia, drama e pronúncia dinamarquesa. Após esse primeiro ano, o aluno escolhe se quer continuar o bacharelado em serviço social ou læreuddannelse, que é o curso para se tornar professor de ensino fundamental e médio. Eu prentendo continuar o curso em serviço social, que pensando em mercado de trabalho é uma área cheia de oportunidades para estrangeiros. Mas as professoras me alertaram que eu tenho grande possibilidade também em trabalhar com língua se eu quiser, que é aliás a minha formação no Brasil. Mas isso eu vou descobrir no decorrer do meu primeiro ano.
Que alegria que eu fiquei depois da entrevista! E eu pensando que só teria uma resposta lá pra julho. Imaginam minha surpresa? O curso começa em setembro. Mal posso esperar.
Escrito por Cat em estudando |
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