16 August 2010 | 21:17

Muita coisa aconteceu nesses meses que o blog ficou parado. Minha pouca habilidade de administrar o meu tempo foi o que me fez me afastar do blog. Decidi que queria diminuir meu constante sentimento de culpa. Uma das razões para a existência desse sentimento, no meu caso, é não escrever no blog. Resolvi, então, largar o blog de mão, sem olhar (muito) pra trás. Decisão fácil, já que as outras razões que tenho para o meu sentimento de culpa não são de largar pra lá, que são dividir meu tempo de mãe, com meu tempo de estudante, com meu tempo de namorada/esposa/amante, com meu tempo de dona de casa. Sem falar no meu tempo de filha, amiga, etc., que esses já estão sendo bem negligenciados há tempos.
Logo depois que voltei do Brasil, em fevereiro, o ritmo na faculdade deu uma disparada. Começou o primeiro estágio do curso, que ia de 9h às 14h todos os dias. Muita informação nova, muita gente nova, muita coisa para observar e anotar. Muito interessante acompanhar o dia a dia de assistentes sociais na vida real, mas muito cansativo também. No meio do estágio, que durou 6 semanas, tive que escrever um trabalho que substituía o que eu não fiz porque estava no Brasil. Ou seja, depois do estágio, às 14, ia euzinha aqui para a biblioteca escrever o trabalho. Foi uma semana e meia praticamente sem ver o Lukas direito. Nunca mais fico devendo trabalho pra fazer mais tarde, pelo menos não como algo planejado.
Depois do término do estágio foi hora de escrever o trabalho de 30 páginas baseando na experiência no estágio. Trabalho árduo, uma vez que deveria ser feito em grupo de 4. Aqui na Dinamarca se tornou costume em cursos superiores trabalhos em grupo. Segundo o ministério da educação, trabalho em grupo na faculdade, é importante pois treina os estudantes a trabalhar em equipe, o que mais tarde será útil no futuro trabalho. Muitos empregadores concordam com essa afirmação. Mas os estudantes em geral não gostam muito da idéia, eu me vejo obrigada a reforçar esse coro. É um saquinho! Além de trabalhar em grupo ser mais trabalhoso e mais demorado, a avaliação final é, no mínimo, complicada de entender e, imagino eu, complicada de realizar. Resumindo a ópera, o trabalho foi um sucesso, tanto o escrito quanto o oral. Depois de entregar o trabalho escrito, tivemos duas semanas para nos preparar para a prova oral individual, que era uma espécie de defesa do trabalho escrito, mas no qual também deveríamos trazer algum ponto de vista novo, uma forma de aplicar o que se escreveu no trabalho através de um ângulo novo. Para mim a prova oral é a pior parte, sem dúvida nenhuma. É uma tortura. Primeiro porque nunca se sabe exatamente o que é esperado de você. Segundo porque eu fico nervosa em prova oral e quando fico nervosa aqui, meu dinamarquês vai gradativamente ficando ruinzinho, quase que na mesma proporção que o volume da minha voz vai baixando. É um horror completo, mas apesar de todo meu sofrimento deu tudo certo. Nosso trabalho escrito foi bastante elogiado, assim como minha apresentação oral. Tanto que recebi nota 10. Aqui na Dinamarca a nota máxima é 12. A escala aqui é -3 (três negativos), 00, 02, 4, 7, 10, 12. Com -3 ou 00 a pessoa é reprovada. 02 é o mínimo aceitável, 4 é aceitável, 7 é bom, 10 é ótimo e 12 é praticamente perfeito.
A minha felicidade por ter tirado 10 foi indescritível. Me mostra que eu posso sim ir bem na faculdade em dinamarquês. Alegria e alívio. Depois foi só curtir as férias, que trouxeram também muitas novidades, mas sobre as quais eu vou falar no próximo post…
Escrito por Cat em Dinamarca, dinamarquês, estudando, quotidiano |
Junte-se ao papo (9)
____________________________________________________________
23 March 2008 | 15:09
Todo ano eu gosto de assistir o Zulu Awards, que é a entrega de prêmios realizada pelo canal dinamarquês TV 2 Zulu. A premiação é no estilo do Oscar, mas homenageia não só filmes, mas 6 categorias diferentes: música, filme, tv, rádio, esporte e comercial.
A razão principal pela qual eu gosto de assistir o Zulu Awards é porque todo ano eu me surpreendo com músicos/bandas dinamarquesas que eu nem desconfiava serem dinamarquesas por cantarem em inglês. Geralmente são músicos/bandas que tocam sempre na rádio, mas que eu não dou muita atenção por não fazerem meu estilo.
Aqui vão alguns exemplos desse ano:
Esse foi o mais absurdo, porque eu nunca percebi que eles cantam um pedaço em dinamarquês! E olha que eu até gosto da música e vivo cantarolando-a. Eitcha…
A banda se chama Volbeat e a música The Garden's Tale.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
Dessa eu também gosto.
A banda se chama The Storm e a música Lullaby.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
Essa também é interessante.
A cantora se chama Aura e a música Something for Nothing.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
Essa parece ter sido desenterrada lá dos anos 80, mas não, é atual…
A banda é Private e a música My Secret Lover.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
Esse eu achei que fosse mais uma boy band americana da vida… Mas como dá pra ver, a Dinamarca também produz essas coisas dispensáveis.
O cantor se chama Burhan G e a música Who is he?
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
Essa banda eu sempre soube ser dinamarquesa, porque é o único sucesso estrondoso dinamarquês que eu conheço que vem da mesma cidadezinha do ruivo. É um grupinho de adolescentes carismáticos, mas que tocam tanto na rádio que cansam os ouvidos da gente.
A banda é Alphabeat e a música 10.000 Nights of Thunder.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
___________________
A artista mais premiada da vez foi a Natasja, que infelizmente morreu num acidente de carro ano passado na Jamaica. Uma perda trágica. Talentosíssima, a carreira dela prometia. Ela cantava em dinamarquês e escrevia letras altamente engajadas.
Essa é uma das música que eu mais gosto dela, que pertence a um álbum de lançamento póstumo, e se chama Giv mig Danmark tilbage (Me devolva a Dinamarca).
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
__________________
Me limitei a músicas presentes no Zulu Awards 2008, porque se eu começasse a colocar músicas e bandas dinamarquesas que eu realmente gosto aqui esse post não teria fim.
Escrito por Cat em Dinamarca, dinamarquês, música dinamarquesa, ouvindo, vendo |
Junte-se ao papo (0)
____________________________________________________________
12 October 2007 | 13:54
Não existe o nosso fonema (vou chamar de som aqui no post) J em dinamarquês. A letra J em dinamarquês é pronunciada como o nosso I. O nome do ruivo, por exemplo, é Jonas mas se proncuncia "iônas". O resultado de não existir o som na língua é que os dinamarqueses normalmente não fazem idéia de como pronunciá-lo. Quando eles precisam falar uma palavra em outra língua que tem J, eles pronunciam como CH. E não vêem diferença entre os dois sons.
Peça a um dinamarquês para que ele diga Xis e Giz.
A minha professora de psicologia outro dia foi citar o Jean-Paul Sartre na aula. Um aluno não entendeu o nome do filósofo e ela repetiu bem devagar: "Chean Paul Sartre". Ainda completou dizendo que era a mesma pronúncia do nome em francês. Ela acredita de verdade que é a mesma coisa, já que o ouvido dinamarquês dela não consegue discernir os dois sons.
Isso de um determinado som não existir na nossa língua materna complica demais a pronúncia de uma segunda língua. Quem não teve problemas para fazer o som do TH em inglês? Ou o R francês? Mas o problema é ainda muito maior quando não conseguimos nem ouvir a diferença entre o som que precisamos produzir e aquele som mais próximo que conseguimos produzir.
Acredito que esse problema se resolva com o tempo. Depois de escutar repetidas vezes o mesmo som e de tanto tentar pronunciá-lo, encontramos de repente o jeitinho certo de articula-lo. As vezes é uma coisa consciente, sabemos exatamente o movimento ou posição da língua (boca, ou o que seja) para emetir o tal som, mas as vezes nem temos idéia de como fazemos, mas fazemos.
Assim vou consolando o ruivo, que tem vergonha de não poder falar tantos nomes de familiares e amigos meus como Juliana, Gisela, Joelma… E não ajuda nada o fato das duas primeiras serem irmãs gêmeas e de todos dizerem Ju e Gi. E o apelido de Joelma? Jojô!
Paciência, ruivo! Você chega lá…
Escrito por Cat em dinamarquês, línguas |
Junte-se ao papo (14)
____________________________________________________________