Uma coisa que ajudou muito na longa viagem de avião pro Brasil foi ter o laptop à mão com alguns episódios de Pingu. Lukas é apaixonado pelo Pingu. Se emociona, dá gargalhadas… É uma viagem assisti-lo assintindo Pingu.
Preferimos que ele não assista televisão e brinque como uma criança deve fazer. Mas em certas situações devo admitir que ajuda conseguir destraí-lo tão bem. Uma delas foi no vôo. A tarefa mais difícil durante o vôo de 11 horas Madri-Rio foi evitar que ele fosse pro chão, descobrir que tinha a possibilidade de correr pelos corredores do avião e incomodar os outros passageiros de um plano ainda mais pessoal do que ele já fazia do acento dele. Conseguimos fazer com que ele não fosse pro chão com a ajuda de vários truques. Lendo livrinhos para ele, brincando com pecinhas de lego, colocando-o pra dormir, etc. Ele mesmo se distraía bastante “batendo papo” com os outros passageiros. Mas naquele momento em que tínhamos esgotado todos os outros truques e que já estavamos bem cansados, nos rendíamos à ajuda tão preciosa do Pingu. Na volta Pingu não chegou a ser solicitado pois viajamos durante a noite e Lukas felizmente dormiu o vôo inteira.
Pra quem não lembra do Pingu, um episódio para resfrescar a memória:
p.s. O Legal do Pingu é que ele fala pinguinês, ou seja, não precisamos entender o que ele fala para nos deixar envolver.
Demos uma fugidinha estratégica do freezer das Zooropa e viemos para o forno do Rio. Só para chegar à conclusão que não é uma boa idéia vir pro Brasil no meio do verão. O choque é muito grande. Ruivo e filhote estranham. Até eu, que parece que já mudei de DNA. Já se passaram duas semanas e agora falta só uma. O tempo passa mais rápido por aqui. Pelo menos desde que fui morar na Dinamarca.
Lukas está estranhando bastante. Acho que mais do que o calor, ele está estranhando a rotina diferente. Ele funciona melhor com horários fixos para tudo e por aqui é bem complicado de seguir um roteirinho pré-estabelecido. Depois de uma semana conseguimos encontrar uma certa rotina e ele já está mais calminho. Mas para seguir a rotina dele fica mais complicado pra gente de sair por aí, visitar lugares e encontrar pessoas. O gostinho amargo da culpa já está na minha boca antes mesmo de ir embora.
Estamos com uma internet bem fraquinha, que cai a todo momento. Por isso a demora para atualizar o Flickr.
Acabei de fazer um Formspring pra mim. Para os que têm paciência para essas coisas, sintam-se à vontade para perguntar o que quiserem. Prometo tentar responder todas as perguntas.
As malas já estão prontas e eu estou aqui ansiosa pra chegar logo no Brasil, rever minha família e exibir muito meu filho.
Para controlar um pouco a ansiedade, em vez de ir dormir, tô aqui conversando com uma amiga no MSN e ouvindo música dinamarquesa. Uma das músicas dinamarquesas que eu mais gosto é Lorte Parforhold do Magtens Korridorer. O vocalista grita tanto que eu nunca consegui entender a letra inteira, então fui ouvir acompanhando com a letra na net e me acabei de rir aqui. Divido então com vocês (alerta pras almas sensíveis: a letra não é nada delicada!):
…
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
…
Det skete her for en måned siden
Aconteceu há um mês atrás
at min parforhold gik lidt dårligt for tiden
meu relacionamento ficou ruim
og pludselig en dag var det hele slut
e de repente um dia acabou
som at skide når man tror man skal slå en prut
como fazer cocô quando se acha que só vai soltar um pum
Jeg ved egentlig ikke hvad problemet var
Eu na verdade não sei qual foi o problema
jeg tror bare hun syntes jeg var en kæmpe nar
eu acho que ela simplesmente me achava um grande idiota
det os det her biologiske ur
é culpa também desse tal de relógio biológico
nu er jeg alene mand og jeg er pisse sur
agora eu tô sozinho e tô muito p***
Så står vi her og smiler på hinanden
agora a gente fica sorrindo um pro outro
og jeg fatter nul og en skid
e eu fico sem entender nada
det var jo dig der skred
foi você que se mandou
Lorteparforhold
relacionamento de m****
lorteparforhold
relacionamento de m****
ludbehandlede træpersienner åhåh
persianas de madeira ô ô
lorteparforhold
relacionamento de m****
Folk de ringer af og til fra tid til anden
as pessoas me ligam de vez em quando
med latter i det fjerne kom nu ud for fanden
no meio de festas “Sai de casa, cara!”
kom hen og få en bajer ta’ din kone med
“Vem, toma uma cerveja e traz sua mulher.”
hun går rundt og er gravid oppe i Nordsjælland et sted
Mas ela tá por aí grávida em algum lugar
Det går over med tiden den læger alle sår
“Vai passar, o tempo cura todas as mágoas”
kan du ikke få den elskede må du elske den du får
“Você não tem quem você ama, então ame quem você tem”
der kommer altid en pige og en sporvogn til
“Mulher é igual a ônibus. sempre vem um depois do outro”
du fra Magtens Korridorer mand du kan da score som du vil
“Vocês do grupo Magtens Korridorer, vocês catam todas!”
Så står vi her og smiler på hinanden
og jeg fatter nul og en skid
det var jo dig der skred
Dá pra sentir a fúria dele, não dá? Essa música é ótima pra cantar berrando naqueles dias meio chatos, em que nada dá certo, só pra descarregar as frustrações. Pois é, música é minha melhor terapia.
Este ano o Natal foi aqui em casa e não na casa dos sogros como de costume. Os sogros estão renovando a casa, então era mais fácil todos virem para cá. Para Lukas também foi bom, pois não foi preciso bagunçar muito a rotina dele. Ruivo foi o encarregado de assar os patos (aqui se como pato e não peru na ceia) e foi muito bem sucedido no seu projeto.
Uma das partes mais legais do dia foi a quantidade de gente que me ligou do Brasil para me desejar feliz natal. Me senti acarinhada. Outro ponto alto da noite foi o papo pela webcam com minha família. Foi muito legal falar com todo mundo reunido. Ainda fiz um tour com o meu laptop pelo meu apartamento, mostrando a todos como eu moro e apresentando minha família dinamarquesa. Pra cada integrante da família dinamarquesa que eu apontava a webcam minha família brasileira gritava: “Feliz Nataaaaal!”. Uns doidos muito fofos todos eles! No dia 25 repetimos o papo virtual. Baguncinha boa que faz uma falta danada. Obrigada por arranjar tudo, tia!!! Te adoro! A tia Iza é minha leitora mais assídua (páreo duro com meu pai) e uma tia-avó do Lukas muito da coruja!
A virada do ano também passamos aqui em casa, com um casal de amigos. Uma festinha tranquila, caseira.
Quero agradecer muito os presentinhos que ganhamos: um móbile fofo de uma leitora aqui do blog (Fernanda), uma camisa social e gravatinha borboleta pro Lukas de uma outra leitora aqui do blog, amiga de uma amiga, que agora virou amiga também (a Patrícia) e trufas divinas da Flavia, a amiga da nova amiga. Quero agradecer também pelos muitos cartões carinhosos, emails e recadinhos. Muito obrigada também pelo carinho e apoio tão importante, virtual ou não, durante todo o ano de 2008. Espero poder conseguir retribuir de alguma forma. Quero pedir perdão se fui relapsa com algum email, recado ou comentário aqui.
2008 foi pra mim um ano de alegrias, aprendizados e desafios. Alegria de iniciar o ano sabendo que estava grávida, no Brasil, com minha família. Com a gravidez veio uma sede de informação, uma vontade de aprender cada vez mais sobre o meu estado, sobre a evolução do serzinho na minha barriga, vontade de me preparar da melhor forma possível para a chegada dele. Com o a chegada do Lukas os desafios só começaram. Desafios dolorosos e outros prazerosos também. Em 2008 fui apresentada a um amor maior que o mundo. Só me resta agradecer.
Desejo a todos um 2009 de grandes conquistas, felicidades e muito muito amor – no seu sentido mais amplo. Pessoalmente em 2009 eu quero poder descobrir mais, aprender mais, amar mais.
Tô meio atrasadinha, mas preciso contar aqui que minha prima Gisella é curadora de uma mostra de filmes indianos no CCBB do Rio, Nouvelle Vague Indiana. A abertura foi na terca, dia 11 e vai até dia 23 de novembro.
Se quiserem ler mais sobre a mostra cliquem aqui ou aqui.
A família Cardoso está sempre transbordando de orgulho dessa minha prima…
Dá-lhe, Gi! Parabéns! Queria muito poder ir ver também! sniff sniff…
Então quer dizer que na novela das 7 da TV Grobo tem um dinamarquês ruivo que sonha em ter a barba como a do meu ruivo? Não pode! E nossos direitos autorais? Meu ruivo tem a patente, oras!
E a sogra que cruelmente cortou a barba do genro? Mãe, não vá ter idéias, hein!
Apesar de todo lirismo da foto do post anterior eu já estava impaciente para vir aqui postar e quebrar essa inércia agonizante do blog. Um conjunto de fatores me roubava a vontade de postar. Um deles é a cabeça cheia e a correria do dia a dia já no dia seguinte da volta do Brasil. Além, claro, da fatídica tristeza da volta, que é uma mistura de saudade e sentimento de culpa/frustação por não ter feito tudo o que queria, por não ter encontrado todos os amigos que gostaria e por não ter passado o tempo "suficiente" com aqueles que encontrei. Essa melancolia da volta sempre me ataca e parece inevitável, mesmo eu sabendo que ela irá aparecer.
Fora esse banzo sutil, eu estou muito bem. Já faz 3 semanas que voltamos do Brasil. 3 semanas do casamento do meu irmão. Dia lindo, muito feliz! A festa foi a cara deles. Alegre, discontraída, com churrasco e banho de piscina. Ontem, aliás, foi aniversário dele e eu quero deixar aqui meus parabéns. Meu maninho, um homem casado, com a menina mais gente fina que existe nesse mundo. Felicidade infinita pra vocês!
***
Estou super atolada de trabalhos pra faculdade, mas vou tentar fugir de uma nova hibernação.
Se eu tivesse talento para colocar a felicidade em palavras, vocês estariam lendo algo muito bonito e revelador aqui hoje. Mas como não tenho, só posso me limitar a dizer que estou realmente muito feliz nesse momento e que minha esperança é de que isso signifique que o ano novo é promissor.
Quero desejar a todos muita harmonia e felicidade em 2008!
Ruivo está me surpreendendo e está curtindo o verão carioca muito melhor do que eu poderia imaginar. Está feliz da vida tomando sucos de todos os sabores possíveis e desfilando com as primeiras camisetas sem manga da vida dele – com muito protetor solar, obviamente.
Estou na casa dos meus pais. Curtindo um chamego bom da família e amigos. Também estou curtindo o calor, apesar das chuvas e do tempo nublado. Estou, no entanto, sentindo uma saudade tremenda do ruivo, que só virá depois do Natal. Mas por outro lado, estou aproveitando a tranquilidade desses dias aqui sem ter que me preocupar com ele, servir de guia, intérprete, etc., que também pode ser bem cansativo.
_______________
Já dirigi por aqui. Peguei no carro bem apreensiva com o jeitão agressivo de dirigir do brasileiro, mas até que não foi tão apavorante como imaginei. O mais difícil foi encarar os buracos. Meus pais moram na região oceânica de Niterói, e quem conhece sabe que muitas ruas daqui são de terra, o que agrava a situação mais ainda. Preciso de mais prática.
_______________
A sensação que eu tenho quando reencontro meus amigos e minha família é de que o tempo não passou, que a última vez que nos vimos foi ontem. O processo de reparar as diferenças físicas, me atualizar sobre as novidades, conhecer os bebês que chegaram é sempre um tanto estranho para mim. Já o ambiente, o espaço físico, o clima, o barulho, tudo isso é sim sempre um choque. Principalmente nos primeiros dias. É tudo muito diferente e distante. É preciso um certo tempo para me reacostumar.
_______________
Agora estou aqui à espera de um solzinho para expulsar essa cor pálida invernal do meu corpo! Mas de acordo com esse céu cinzento, passarei o Natal assim mesmo, com minha cor translúcida dinamarquesa. Ou posso fazer como o ruivo sugeriu e procurar um solarium para providenciar um bronzeamento artificial.
Quero desejar a todos que passam por aqui um Ótimo Natal!