9 December 2007 | 14:42
Passei na prova prática!!!
Foram dias sem dormir direito, ansiosa, preocupada. Quarta-feira passada fui eu para a minha aula de "aquecimento", uma hora antes da prova. Eu estava tão nervosa que cometi erros durante a aula que normalmente nunca cometo. Fiquei ainda mais preocupada, precisava relaxar. Pensei em pedir um chá na pausa entre a última aula e a prova, mas não houve pausa. Estacionei o carro, o meu professor saiu e entrou o fiscal. Pro meu alívio o fiscal parecia ser um cara simpático e calmo. Pedi para ele falar devagar e nitidamente, para eu não correr o risco de entender errado alguma instrução que ele desse. Disse também que estava muito nervosa, mas acho que nem precisava pois meus braços tremiam enquanto eu segurava o volante.
Ele explicou que ele só diria alguma coisa quando fosse para virar em alguma rua. Ele diria algo como primeira à esquerda ou segunda à direita. Se estivessemos num cruzamento e eu não recebesse instrução alguma era para continuar seguindo em frente, reto.
Dei a partida e nos dirigimos para o centro da cidade. Eu estava torcendo para que a prova se concentrasse nas ruas que eu já conhecesse bem, mas nos primeiros 10 minutos eu precisei dirigir num bairro que nunca estive antes, nem à pé ou de ônibus. Tentei me concentrar em cada detalhe das ruas, procurar toda e qualquer placa difícil de ver, etc.
Daí nos dirigimos para uma rótula, onde recebi a instrução que precisava virar na primeira à direita. Fiquei repetindo as regras e detalhes para mim mesma: numa rótula, quando é preciso entrar na primeira à direita, deve-se posicionar o carro no lado direito da rua e ligar a seta, tudo antes de entrar na rótula, se orientar em relação a carros vindo da esquerda e ciclistas vindo da direita e entrar na rótula se posicionando sempre à direita, olhar sobre o ombro novamente e entrar na primeira rua. Lembrei de todos os detalhes e fiz tudo como deveria. Rótulas sempre foi um ponto dramático para mim, pois sempre esquecia um detalhe e outro, por isso fiquei muito satisfeita de ter feito tudo direitinho na prova. Mas para minha surpresa o fiscal diz para entrar na primeira à direita e novamente na primeira à direita logo depois. Isso significava que eu voltaria à mesma rótula. Dessa vezes ele disse para entrar na terceira à direita. Fiquei novamente repetindo cada detalhe para mim mesma: para entrar na terceira é preciso posicionar o carro do lado esquerdo da rua antes de entrar na rótula, se orientar com relação a carros vindo da esquerda, se posicionar do lado esquerdo da rua dentro da rótula, e quando estiver em frente a segunda entrada da rótula, se orientar para trás e posicionar o carro do lado direito da rótula e ligar a seta para direita, e finalmente entrar na terceira entrada. Novamente fiz tudo como deveria, alívio total.
Nos dirigimos então para um bairro bem conhecido, com ruas pequenas, onde existem muitas ruas onde a direita tem a vez (não sei como se chama em port.). Entrei na rua sabendo que precisava freiar antes de passar pela rua da direita, olhar para ver se vem carro, e seguir em frente. Logo na primeira freiada o carro morreu e me dei conta que o carro ainda estava na terceira marcha. Automaticamente surgiu um vácuo no meu estômago e fiquei esperando ele dizer que tinha reprovado ali mesmo. Mas ele só sorriu e eu continuei. Fiquei arrasada depois disso, porque eu sabia direitinho o que precisava fazer, mas simplesmente esqueci de trocar a marcha. Não me perdoava.
Passados os 25 minutos obrigatórios voltamos para o ponto de partida. Estacionei e desliguei o carro cabisbaixa, esperando pelo pior. Ele sorriu e me parabenizou. Eu não acreditei! "Mas eu deixei o carro morrer!", ele continuou sorrindo e disse que sim, mas que foi meu único erro e que eu estava muito nervosa, mas que no geral eu dirigi muito bem. Ainda acrescentou dizendo algo que eu achei muito interessante. Disse que o mais importante mesmo não é o quão bem você sabe operar o carro, mas sim o quão bem você conhece as regras de trânsito e as põe em prática. Disse que certos detalhes para operar o carro vêm com a prática, com o tempo. Achei bem bacana da parte dele me dizer isso.
Meu professor disse que estava quase certo de que eu não passaria de tão nervosa que eu estava. Pra ser sincera meu receio era o mesmo. Mas felizmente tudo acabou! Não sabia se ficava mais feliz de ter passado ou de ter me livrado de vez das aulas da auto-escola. Estou livre! Só falta um carro.
No final do dia, acabei com 3 carteiras de motoristas diferentes na mão: a temporária, que não passa de um papelzinho com a assinatura do fiscal, a carteira internacional para poder dirigir no Brasil e no resto do mundo, e a carteira de emergência, que tive que tirar para poder tirar a internacional, já que só com a temporária não dá. A carteira definitiva chega em 3 meses.
Ruas de Nikity City, se preparem!!!
Rá Rá Rá *risada maquiavélica*
Escrito por Cat em auto-escola |
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6 November 2007 | 23:03
Tô aqui curtindo o fato de ter passado e não precisar mais esquentar a cabeça com tantos pequenos detalhes e expressões que na prática não farão a menor diferença. Como por exemplo, saber que quando se fala em "vejens brug" (uso da rua) se refere a ruas com muita movimentação tanto de carro quanto pedestre, como perto de shopping centers. Alguém aí pode me explicar como é que saber o significado da expressão "vejens brug" vai me ajudar a dirigir melhor? Ainda não encontrei uma razão satisfatória.
A teoria nunca foi meu problema nas aulas da auto-escola. Sempre consegui fazer os simulados que apareciam entre uma aula e outra com poucos erros. Mas na medida que a prova foi se aproximando, meu nervosismo foi aumentando. Nos últimos dias eu não conseguia me concentrar em mais nada, só conseguia devorar o livro da auto-escola e repetir incansavelmente os simulados na escola e na internet. Conhecem a sensação de que quanto mais se estuda menos se tem a impressão de que se domina o assunto? Isso sempre acontece comigo.
Acordei hoje super cedo e cheguei quase uma hora adiantada no local da prova. O resto das pessoas, que foram 20 no total, foram chegando aos poucos meia hora depois de mim. Fomos convidados para sentar numa sala pequena, com um telão na frente e o formulário para a resposta em cada mesa. Recebemos uma explicação rápida do fiscal sobre como a prova aconteceria.
Seria mostrado no telão na nossa frente uma foto de uma situação no trânsito. Nós deveríamos partir do princípio que estamos dentro do carro e a imagem da foto é o que vemos de onde estamos. Assim como na foto abaixo:
Para cada foto mostrada, seria feita uma pergunta (uma voz gravada), como por exemplo, no que é preciso prestar antenção especial na situação apresentada. Existem, em geral, 4 respostas (também citadas pela voz gravada). Nós deveriamos marcar no nosso formulário sim ou não para cada resposta (não havia nada escrito no formulário, apenas os quadradinhos para sim e não). Seriam mostradas no total 25 fotos.
As questões da prova não foram complicadas, o que achei difícil mesmo foi o rítmo da prova. Muito mais rápida do que eu achei que seria. Não dava tempo para pensar entre uma foto e outra. Nos simulados que eu fazia na escola e na internet tinha tempo de sobra para pensar, analisar a foto, mudar de idéia. Mas o que interessa agora é que eu passei, apesar do meu nervosimo e da velocidade da prova.
O pior mesmo, a prova prática, ainda está por vir. Até lá ainda tenho duas aulas práticas. Uma para repassar o que aprendi até agora, uma revisão. E a outra num local fechado, onde devo dirigir em condições semelhantes à chuva e neve. Dizem que nessa aula o carro rodopia na pista… Não me decidi se acho engraçado ou se me apavoro com essa idéia. Mas sei que para a prova prática os músculos do meu corpo ficarão muito mais tensos do que para a prova teórica. Meu pescoço e ombros estão duros e doloridos. Ruivo, massagem!!!!
Para quem quiser fazer os simulados online:
Kørekort (gratuito)
Trafiktesten (pago) o que eu fazia
Escrito por Cat em auto-escola |
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6 November 2007 | 12:20
Passei na prova teórica!
Minha vida parou nos últimos dias graças ao estresse que tomou conta de mim por causa dessa prova.
Quando voltar da faculdade eu conto com calma como foi e respondo os recados e emails.
Bora me acompanhar na dança da felicidade!
Escrito por Cat em auto-escola |
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29 October 2007 | 16:43
Para ser bem sincera, eu não sabia (ou não lembrava) que normalmente um carro tem 5 marchas. Na minha primeira aula de direção aqui eu precisei ser "lembrada" da ordem dos pedais!
Eu sou uma passageira 100% passiva. Quando entro num carro, costumo fazer uma das 3 seguintes coisas:
1. tagarelo com o motorista ou um dos passageiros;
2. aprecio a paisagem;
3. durmo.
Nunca me interessei por carros, nunca fui de acompanhar o trânsito. Só agora que estou reparando em certos detalhes como sinais, placas e marcações que me eram totalmente invisíveis até então. Interessante que agora quando ando de bicicleta num lugar, por onde já passei trocentas vezes, me assusto com certas placas que nunca antes tinha me dado conta que estavam lá.
Dirigir tem ampliado minha visão!
Escrito por Cat em abobrinhas, auto-escola |
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28 October 2007 | 14:47
Semana passada na aula de direção fomos treinar na estrada. Eu estava me pelando de medo só de pensar na velocidade em que deveria dirigir. Isso porque quando a velocidade é alta, o mínimo movimento no volante é sentido e a imagem do carro rodando na pista não saía da minha cabeça. Não venha me perguntar por que eu pensava nessas coisas.
Mas a aula correu supreendentemente bem. É sim assustador passar de 30km/h para 130 em questão de segundos. Principalmente quando raramente se teve oportunidade de dirigir a pelo menos 80 antes. Mas depois da terceira vez, de entrar e sair da estrada, peguei o espírito da coisa e precisava ficar de olho para não ultrapassar o limite. Muito mais fácil dirigir na estrada, sem ter que pensar em sinal vermelho, pedestres, ciclistas, etc. Consegui me concentrar no que precisava sem problemas. E, felizmente, nenhuma imagem de carro rodopiando na pista passou pela minha cabeça.
No mesmo dia dessa aula fui, junto com minha amiga Fer, encontrar pela primeira vez duas meninas que chegaram há pouco tempo em Århus, a Geraldine e a Sheilla. Uma simpatia as duas – as três, mas a Fer eu já sabia que era!
Qual não foi minha surpresa, então, quando fui descrever para as meninas a dificuldade que encontrei em passar da quinta para sexta marcha (porque ainda não consigo passar marcha sem olhar para a mesma) e ouvir todas indagarem "como assim sexta marcha?", "isso não existe, Cátia" e as mais malvadas ainda rirem da minha ingenuidade. Cheguei a duvidar daquelas duas horas que passei na estrada. Talvez eu tivesse imaginado coisas. Minha dúvida aumentou quando cheguei em casa e tive que aguentar o ruivo reforçar o coro das meninas e também rir da minha cara. Viram, meninas? Vocês não foram as únicas. Meu próprio marido.
Mas aqui vai minha vingança. A sexta marcha do Golf que dirijo na auto-escola:

Foto tirada no final da aula de anteontem, que foi, aliás, ótima. Estacionei perfeitamente várias vezes depois da terceira tentativa. U-hu!
Escrito por Cat em abobrinhas, amigos, auto-escola |
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10 October 2007 | 20:33
Ninguém pode te fazer se sentir inferior sem o seu consentimento.
– Eleonor Roosevelt -
Foi com essa frase em mente que fui para a aula de direção na semana passada. Primeira aula depois da conversinha que tive com o meu instrutor. A aula dessa vez fluiu muito melhor. Pude perceber que ele se esforçou bastante para manter um tom de voz civilizado. Deu alguns deslizes, mas de um modo geral ele se saiu bem. Mas também tenho que admitir que fui um tanto mais fria com ele. Não fui exatamente a menina-sorriso costumeira, que não sabe dizer não e faz o impossível para agradar o próximo. Um pouco porque estava doente, mas também porque procurei me controlar nesse aspecto. Até porque relações humanas consistem muito nesse confronto de personalidades. E uma busca, muitas vezes inconsciente, para conhecer os limites alheios.
Meu instrutor é gente boa, sim. Só tem uma personalidade mais agressiva e agitada do que a minha. Não há nada de errado nisso, ele tem todo direito de ser diferente de mim, lógico. O problema é que eu funciono de outra forma, num ritmo mais suave e com isso, nossa interação não é das mais harmoniosas. Principalmente num ambiente onde as emoções, minhas pelo menos, estão a flor da pele. Então, para ele, que é uma cara "espaçoso" e agitado, é muito fácil de me intimidar, a menininha fragilizada.
Hoje tive novamente aula de direção e foi novamente bem melhor do que as outras anteriores. Não foi perfeita, mas bem melhor. É um pouco engraçado, pois é bem nítido para mim que ele se esforça mesmo para falar de um jeitinho mais doce, que não é da natureza dele. Mas como disse o ruivo, deixa ele fazer o teatrinho dele à vontade, contanto que ele esteja tendo consideração com o meu pedido. E ele está. Felizmente!

De resto, é uma questão de aprender a lidar com os meus próprios nervos, como bem disse a Mi aqui.
Será que só eu, a Jana e a Kelly tivemos problema com os nossos instrutores? Alguém mais tem uma história pra contar?
Escrito por Cat em auto-escola, reflexões |
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29 September 2007 | 18:07
Eu juro que não sei se o meu instrutor da auto-escola é meio grosso ou sou eu que sou ultra sensível. Tendo mais a acreditar que seja eu a ultra sensível mesmo. De qualquer forma, tomei coragem e conversei com ele no final da aula de ontem. Expliquei, com bastante jeitinho, que quanto mais ele aumenta o tom de voz dele mais inversa é a reação que ele arranca de mim. Em vez de agir eu fico paralisada. Ele prometeu tentar maneirar, mas deixou claro que por vezes não vai ter como evitar. Agora é só esperar pelo próximo capítulo…
Uma coisa estressante que estou tendo para aprender a dirigir por aqui tem um pouco a ver com o cuidado extra que se precisa ter com relação a ciclistas. Bicicleta na Dinamarca é um meio de transporte, e como um tem o seu lugar e papel no trânsito. Só que não existe "carteira de ciclista", não existem cursos. Com isso quem precisa ter cuidado extra é mesmo o motorita. Então para o motorista virar à direita, por exemplo, ele precisa se orientar pelo espelho retrovisor, espelho lateral e olhando para trás. Só que uma vez não adianta. É preciso olhar pelo espelho lateral e para trás duas vezes, enquanto se faz uma série de outras coisas.
A sequência é mais ou menos assim no caso de dobrar para a direita:
1. espelho retrovisor
2. espelho lateral
3. olhar para trás enquanto se liga a seta, se pisa na embreagem e muda a marcha para a segunda
4. olhar para esquerda
5. espelho lateral
6. olhar para trás (para ter certeza de que não vou atropelar nenhum ciclista)
7. finalmente virar
O meu problema nessa sequência fica entre o número 2 e 3. Eu olho pro espelho lateral e dou conta da seta, embreagem e marcha ou eu olho pra trás ao mesmo tempo que dou conta do resto. Nunca consigo olhar pelo espelho lateral e olhar para trás enquanto dou conta de todo o resto. É nessa hora que o instrutor começa a aumentar a voz comigo, eu entro em pânico e faço tudo errado. E ele levanta mais ainda a voz. Estresse total…
Todo mundo que tem carteira por aqui vem me dizer que eles nem olham pelo espelho lateral, olham direto para trás. Que bom pra eles. Só que eu não vou passar na prova prática se não conseguir fazer tudo como manda o figurino, né?
Gente, eu durmo e acordo pensando nas aulas de direção. Tentem, então, dar um disconto nesse disco arranhado que o blog virou, ok?
Escrito por Cat em auto-escola |
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23 September 2007 | 12:06
Não, ninguém aí acertou a resposta e portanto ninguém ganhou o "super prêmio 5 estrelas".
Apesar de não ser nada improvável esse papo acontecer como um monólogo de vez em quando. Mas dessa vez não.
Quem diz essas coisas para mim é o meu instrutor da auto-escola. Nós temos uma certa dificuldade de encontrar um horário que caiba para os dois. O resultado é que tenho feito aula de direção com duas semanas de intervalo entre uma aula e outra. O que eu acho ruim pois quebra o rítmo. A teoria eu conheço de trás para frente, mas colocar todos os mínimos detalhes em prática em fração de segundos no meio do trânsito ainda é complicado para mim. E ouvindo essas frases num tom de voz cada vez mais alto só me deixa ainda mais nervosa e desconcentrada. Aí na hora eu fico na dúvida se o cara que é um grosso ou sou eu que sou uma molenga. O fato é que eu me sinto como uma criança levando bronca, e segurando o choro.
Só que aí a aula termina, o nervosismo passa e eu me mando tomar vergonha na cara, me convenço de que o cara não é grosso coisa nenhuma, que ele está fazendo o trabalho dele, tentando arrancar uma reação minha em momentos cruciais. Já até pensei em conversar francamente com ele e dizer que o tom de voz dele acaba me desconcentrando, mas sempre desisto pois não sei qual alternativa ele teria. Complicado.
Depois da aula, o nervosimo passa, mas minha frustração não. Nessas horas eu queria estar no Brasil e alugar meu pai ou irmão para ficar treinando com o carro deles entre uma aula e outra. Pois eu sei que o que me falta não é a teoria, mas a prática mesmo.
Agora ando sonhando praticamente toda noite que dirijo impecavelmente e estou toda feliz. Só para acordar pra realidade no final…
Escrito por Cat em auto-escola, eu-moi-mig |
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