29 September 2007 | 22:26
*Postizinho para dar uma folga a vocês do meu chororô de drama queen.*
Se tem um blog que eu adoro e acompanho religiosamente é o Post Secret.
Frank Warren, criador do blog, posta todo domingo em média 20 cartões postais que ele recebe de pessoas de todo o mundo, onde elas contam seus segredos mais íntimos. Os segredos são dos mais variados. Desde aqueles que nos fazem rir até os que nos chocam.
Os cartões são postados apenas nos domingos, mas durante a semana sempre aparecem algumas respostas. Não existe sistema de comentário no blog, mas é possível escrever um email para o dono do blog com seu comentário e ele decide se publica no blog ou não. As respostas que são publicadas são o contraponto vital para os segredos, na minha opinião.

—–Email Message—–
Sent: Sunday, September 16, 2007 2:48 PM
Subject: "i put the toilet paper on backwards"
I knew it!
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Cartão postal:
As vezes eu coloco o papel higiênico ao "contrário" só pra te irritar.
Resposta:
Eu sabia!
Escrito por Cat em blogosfera, reflexões |
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28 August 2007 | 21:04
Voltamos pra casa. Mais conformados. A vovó, no fundo, sabia que era a hora, e queria ir. O resto da família é que preferia acreditar que não era agora. É complicado de aceitar, mas é o ciclo da vida. Ficam as lembranças doces, as histórias, as fotos. E a esperança de que esse sentimento de que nada disso é o bastante suavize.
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2 July 2007 | 11:23
Desde que comuniquei ao meu chefe que vou sair do trabalho que eu estou numa ansiosa contagem regressiva para o grande dia. O dia de volta a liberdade!
Trabalhar à noite não é fácil. Há 6 meses já que eu sinto que minha rotina virou de pernas pro ar. Desde que eu comecei a trabalhar que eu não consigo por ordem no meu dia a dia. Meu dia sempre começa numa angústia enorme de se querer fazer tudo ao mesmo tempo. A primeira tarefa é de tentar acordar antes do ruivo sair, para também tentar tomar café junto com ele. Essa tarefa é a que ganha, de disparada, como a mais mal sucedida de todas. Eu sempre durmo mais do que deveria. Depois de finalmente acordar e tomar café eu dou uma geral na casa – o que geralmente eu consigo. Mas daí por diante é sempre uma sucessão de tarefas feitas pela metade, por causa daquela angústia de se querer fazer tudo ao mesmo tempo. Leio meus emails e só respondo um terço deles, porque o resto requere um pouco mais de tempo para ser respondido do jeito que eu quero. Obviamente que eles acabam por não serem respondidos ou respondidos com semanas ou até meses de atraso. Leio rapidamente meus blogs preferidos. Mas raramente escrevo um comentário. Vergonha, vergonha! Leio rapidamente as notícias do Brasil. Dou uma navegada nervosa e apressada, tentando lembrar o que pensei em pesquisar na internet enquanto estava no trabalho no dia anterior (é proibido entrar na internet no trabalho). Leio o jornal, sempre sublinhando as palavras que não conheço na esperança de pesquisar com calma os significados mais tarde. Esse mais tarde nunca chega e os jornais todos riscados de vermelho terminam indo pro lixo passadas duas semanas. Snif. Bato um papo rápido com meu pai ou minha mãe pelo google talk, quase sempre enquanto faço outra coisa. Daí já está na hora de tomar banho e me arrumar pro trabalho. Nessa hora a sensação é que o meu dia acabou e só vou ter a chance de fazer aquilo que eu não consegui hoje no dia senguinte. Nisso são 14:30. Quando eu chego em casa do trabalho já é meia noite e meia e só vou conseguir dormir mesmo uma hora e meia depois apesar do cansaço.
Não consigo fazer nem metade das coisas que eu fazia antes. A principal delas, e a que eu mais sinto falta é escrever. Aqui no blog e nos meus carderninhos. Escrever no blog sempre me ajudou demais. Esse momento de pausa para respirar, refletir e colocar essa enxurrada de vivências em palavras me ajuda a pôr ordem nos meus pensamentos e a entender o que se passa ao meu redor e dentro de mim. Ler os comentários então! Sempre me ajudou a encarar essas vivências a partir de um outro ângulo, o que me ensina muita coisa.
Já tentei de tudo para organizar a minha rotina apesar do horário louco. Afinal de contas, eu não sou a única que trabalha à noite. E as pessoas que trabalham de madrugada então? Como elas fazem? Como elas se organizam? Como elas são felizes? Achei que com o tempo eu me adaptaria, mas o tempo só fez aumentar minha frustração. Eu sinto falta de uma rotina de "gente normal". Sinto falta de cozinhar junto do ruivo para a janta. Jantar com ele à luz de velas do jeito que gostamos. Sinto falta de encontrar com os amigos, de ver televisão.
Por isso tudo que estou nessa contagem regressiva. Faltam 6 semanas. 40 dias.
Escrito por Cat em quotidiano, reflexões, trabalho |
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31 May 2007 | 00:33
Sei que estou sumidinha, mas estou bem. Só tenho trabalhado muito. Na semana passada inteira, por exemplo, eu fiz hora extra no trabalho. Ao todo foram 11 horas por dia. O cansaço tomou conta de mim. Virei um zumbi monossilábico de olhos vermelhos. Mas valeu a pena porque assim eu pago minha carteira sem dor na consciência. E o que sobrar vai para as férias. Compensei o cansaço com o fim de semana prolongado (segunda foi feriado aqui) mais preguiçoso dos últimos tempos! Dormi tudo o que tive direito, li, vi televisão. Além de ter ido ao cinema, como vocês já sabem. Hoje também trabalho extra, mas é só. Estarei em mini-férias de sexta à terça-feira, com direito à viagem e visita a velhos bons amigos.
Depois volto a labuta de novo e vou encarando todo trabalho extra que rolar. Até o final dos meus dias por lá. Que será em breve, até. Mal posso esperar! Não que eu não goste do trabalho. Eu gosto. Principalmente das pessoas que encontrei por lá. Mas não posso negar que me faz uma falta enorme uma ocupação instigante. Quem diria que eu sentiria tanta falta de dar aula? Até mesmo de preparar as aulas, bolar exercícios e atividades que conseguissem despertar o interesse dos alunos, que para mim sempre foi a parte mais enjoadinha, além de não-remunerada. Ver o meu tempo agora ser usado com uma atividade repetitiva e que exige tão pouco do meu raciocínio me desestimula.
Lembro de ter lido a Marina dizer uma vez que se sentia emburrecendo. Lembro que achei graça, mas talvez eu esteja tendo uma idéia do que ela quis dizer. Presumo que seja a inércia, a falta de estímulo. Mas talvez seja apenas a ansiedade para setembro chegar. Que setembro chegue logo…
Escrito por Cat em quotidiano, reflexões, trabalho |
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9 April 2007 | 15:44
Não entendo como esses dois extremos podem coexistir dentro de um ser. Racionalmente eu acho normalíssimo ser paciente e esperar, porque as coisas acontecem no seu tempo, né? Mas lá dentro de mim eu quero tudo, aqui e agora. Dá um cansaço. Porque parece que esperei minha vida inteira, sempre pacientemente. Daí eu não quero mais esperar. Quero tudo num pluft. Numa torcida de nariz da Feiticeira…

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27 March 2007 | 12:06
Uma das coisas mais difícieis de se morar longe da família e amigos brasileiros é não poder acompanhar a chegada e o desenvolvimento das novas pessoinhas que vão nascendo.
Clarinha, a filha da minha melhor amiga, Janaína, já tem dois meses e só a vi em fotos.
Vou ser tia-avó da Beatriz daqui há um mês e nem pude curtir o barrigão da minha sobrinha, Carol.
Desde que saí do Brasil pela primeira vez, há quatro anos atrás, ganhei duas primas lindas, Letícia e Beatriz e muitas amigas queridas tiveram filhos.
Pelo jeito vou ser aquela tia distante, que eles só vêem uma vez por ano, e que aperta a bochecha deles e diz: “Nossa! Como você cresceu!”.
A sensação de que não estou fazendo parte de fases importantes da vida da minha família e dos meus amigos é desconcertante. Pensar que a minha escolha de vir para cá foi um passo decisivo para começar minha própria família não chega a ser um consolo, mas me ajuda a segurar a barra e arcar com as consequências da minha decisão. Decisão essa, aliás, da qual não me arrependo nem por um segundo, por mais difícil que tenha sido e seja. Mas a frutração de não fazer parte dessas vidas existe, está sempre aqui, me acompanhando.
Escrito por Cat em amigos, família, reflexões |
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27 March 2007 | 11:24
Preciso muito muito aprender a ser mais tolerante com a intolerância alheia. Meu auto-controle está à anos-luz de ser atingido. Mas preciso!
Post enigmático, mas por enquanto ficará assim. Talvez eu venha a desenvolvê-lo mais tarde. Talvez não.
Tribute to Klimt - Oliver Gray
Escrito por Cat em reflexões |
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13 February 2007 | 14:11
Deixo aqui meu grande pesar pela morte brutal do garotinho João Hélio no Rio.
Escrito por Cat em reflexões |
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7 December 2006 | 23:58
No dia 2 de dezembro de 2004 eu cheguei na Dinamarca. Dessa vez pronta pra ficar. Foram 3 meses como turista, tempo em que procurava desesperadamente por um trabalho de au pair para poder ficar. 6 meses como au pair, época cansativa, mas muito gratificante, que me deu oportunidade de conviver com cavalos, coisa que eu adorava. 1 ano como estudante, mas apenas 6 meses realmente no mestrado, até que decidi admitir que não era o que queria para mim. Um dois piores momentos da minha vida, fico feliz que tenha acabado. Mais 6 meses me concentrando no dinamarquês e… Casamento! Um dia mágico, extremamente feliz. E logo depois, Brasil! 6 semanas corridas, mas deliciosas. De volta para cá e mais 6 meses de muito dinamarquês. E finalmente a satisfação de terminar os cinco módulos obrigatórios do curso. Agora o futuro promete. Mas também preciso me lembrar de curtir o agora, de estar presente no meu presente.
Vez ou outra alguém me pergunta se sou feliz aqui, se me arrependi ou se já me adaptei. É um assunto que dá pano pra manga, e sobre o qual sempre tenho algo a acrescentar.
Eu gosto muito daqui. Apesar dos pesares. Nunca me arrependi. Não tenho uma vida perfeita e 100% feliz o tempo todo. Claro que não. É complicado, sofro muito nesse processo de adaptação. Mas minha luta é não me concentrar no que me puxa pra baixo, mas no que me leva pra frente, sempre em frente. Eu não tenho uma fórmula ou segredo para uma adaptação mais suave. Afinal de contas, não é porque uma coisa dá certo pra mim, que vai dar certo para outra pessoa. Mas acredito que certas coisas bem básicas me ajudaram e não custa dividir.
Por exemplo, antes de vir para cá, quando estava ainda considerando a possibilidade, eu lia tudo o que encontrava sobre Dinamarca e Escandinávia, descobri vários blogs de pessoas que moravam por esses lados há tempos (cuja maioria continuo lendo fielmente até hoje), e claro, conversava muito com o ruivo sobre o assunto. Não tenho dúvida de que isso tenha ajudado muito. Só o fato de saber pelo menos um pouco o que iria encontrar por aqui, de ter consciência do que teria que aguentar, de tentar me preparar para encarar tudo de bom e ruim que a Dinamarca tinha pra me oferecer me deixou, de uma forma ou de outra, um pouquinho mais forte. Me ajudou pelo menos a não deixar as coisas ruins me cegarem, sem permitir que eu encontrasse as coisas boas, e também que eu não me arrependesse radicalmente logo de cara. Informação é sempre o primeiro passo e nunca é demais.
Outra coisa foi a consciência de que sem dominar a língua eu estaria sempre à deriva. Torna tudo mais difícil. Mais difícil de se encontrar trabalho, de fazer novos amigos, enfim, de fazer parte de um todo. Sempre soube que isso era essencial para que eu me sentisse bem aqui. Essencial pelo menos para mim. Eu conheço pessoas que vivem aqui há anos sem falar dinamarquês e isso não os incomoda. Mas sempre me incomodou. Não saber a língua sempre foi uma das razões principais em todas as vezes que me vi depressiva aqui. Me sentia isolada, presa dentro de mim mesma, um peixe fora d'água. Não que a língua não seja mais um problema hoje em dia. Ainda tenho muito a melhorar. Mas só o fato de entender e conseguir me comunicar razoavelmente bem já me faz me sentir livre, cheia de planos e opções. Sabendo que a língua é de longe a minha maior luta aqui, o que vai me abrir portas em todos os setores da minha vida, tratei de me concentrar nela. É preciso traçar planos e prioridades ou a frustração de não estar saindo do lugar consome a gente.
Outro fator importantíssimo, é que eu só tomei a decisão de vir para cá tendo certeza absoluta do que queria. Mesmo não tendo idéia se meu relacionamento com o ruivo daria certo ou a minha química com o lugar funcionaria. É impossível prever essas coisas. Mas eu sabia que o que eu mais queria naquele momento era tentar. Sem essa certeza no peito, não acredito que eu teria vindo.
Escrito por Cat em Dinamarca, imigração, memórias, reflexões |
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30 November 2006 | 15:07
Quando estou desanimadinha, gosto de lembrar de uma frase do Piet Hein, um poeta dinamarquês, que disse:
"Den, der ikke lever nu lever aldrig – hvad gør du?" – Aquele que não vive agora, não vive nunca. O que você está fazendo?
Essa frase sempre me faz levantar e agir. Ou ela exerce um poder mágico sobre mim ou eu sou mesmo facilmente influenciável.
Escrito por Cat em lendo, reflexões |
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