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Mãe pela segunda vez

6 April 2011 | 23:16

Ser mãe pela segunda vez tem se mostrando, por enquanto, surpreendentemente mais fácil do que eu esperava. Me preparei para evitar e eventualmente lidar com os desafios que enfrentei quando me tornei mãe pela primeira vez. Aí, adivinhem! Os desafios são ooooutros! Parece até coisa de video game, sabe? Quando a gente fica bem treinadinho no jogo, passamos para a segunda fase e os obstáculos são completamente diferentes! É bem por aí mesmo.

Pra começar, o que foi mais difícil em se tornar mãe pela primeira vez foi exatamente isso: estava experienciando tudo pela primeira vez. Minha vida como eu a conhecia tinha acabado e começado outra, bem diferente, onde eu era responsável por um outro ser humano completamente indefeso e dependente de mim. Eu era a única fonte de alimentação dele e também a fonte principal de proteção e amor. Tudo isso praticamente 24 horas por dia. Essa mudança tão drástica, de um dia pro outro, foi dura. Por mais que eu soubesse, na teoria, que ela iria acontecer e tivesse passado a gravidez inteira me preparando e sonhando com isso, a realidade na prática foi sim, bem mais difícil. Meu corpo não era mais só meu. Meu tempo, meu sono, minha cama, nada. Por mais que essa viagem, que é a maternidade, seja fascinante e maravilhosa, tem hora que a gente quer dar uma pausa e poder tirar uma soneca sem se preocupar em manter a orelha em pé no caso do bebê chorar. Isso era meio frustrante, ainda mais juntando a dor na consciência que acompanha essa frustração. É uma pressão danada: “Eu não posso reclamar, não posso me sentir frustrada com a maternidade. Ser mãe é uma dádiva e eu só posso me permitir ficar feliz e agradecida por ter esse privilégio.” Mas a coisa não é bem assim. Esta frustração rola sim, e pode ser ainda pior reprimí-la e fingir que ela não existe. Essa ambivalência toda também era novidade pra mim. Além, claro, de todos os detalhes práticos de como cuidar de um bebezinho. O que, como fazer e quando? Todo dia, todo momento, eu tinha que lidar com uma coisa nova, aprender um aspecto novo do que era ter um bebê em casa. Era muita informação ao mesmo tempo e pouco tempo pra processar tudo. TUDO era novo! E olha que Lukas foi um bebê muito, muito, mas muito fácil!

Já na segunda vez, bom, é a segunda vez, né? Eu nem me lembro direito mais como era a minha vida antes de ser mãe. Os últimos anos da minha vida têm sido mesmo isso: ser responsável por um ser humano indefeso, dependente de mim e para quem eu sou uma das fontes principais de proteção e amor. Até aí me tornar mãe pela segunda vez não trouxe nenhuma mudança drástica na minha vida. Até a tal frustração por não ter tempo para mim não é mais a mesma. Ela ainda existe, mas num nível completamente diferente. Esses anos com o Lukas fizeram com que eu me conformasse com a falta de tempo, sono e privacidade. Essa já é a minha vida. Com a chegada da Manuela meu tempo, meu sono e minha privacidade diminuiram ainda mais, mas nada tão drástico como na primeira vez.  Toda essa parte prática de como lidar com um bebezinho, logo depois de uma breve amnésia inicial no bom estilo “como é que era mesmo?”, também passa a ser feito no automático. Trocar fraldas, colocar pra arrotar, dar banho, cortar unha, etc., é feito sem nervosismo e insegurança. Manuela é um bebê mais complexo do que o Lukas foi, mas ainda assim acho mais fácil lidar com ela, pois hoje tenho facilidade em ler os sinais dela, e assim poder suprir as necessidades dela na hora certa. Claro que me deparei com problemas que não tive na primeira vez também e sendo assim, não tinha uma fórmula pronta e testada para aplicar. Mas acho que só pela minha forma de encarar os problemas dessa vez ser mais serena tem ajudado.

O que tenho achado difícil de verdade dessa vez é encarar a arte de ser mãe de dois. Tinha me preparado psicologicamente para essa tarefa, se não impossível, então complicadíssima de se executar. Imagina, um já dá trabalho, já é difícil… dois então, o trabalho seria dobrado, só fabricando um clone meu para dar conta de tudo e manter minha sanidade mental. Mas nem é o trabalho prático que tenho achado realmente difícil. Essa parte se resolve com muita ajuda do Ruivo, que é um papai super presente. A parte mais complicada em ser mãe de dois é dividir a atenção. Não importa o que eu tente fazer, eu sempre sinto, mesmo que as vezes só lá no fundinho, que estou negligenciando um deles. Quem precisa de mais atenção e quando? Como? Não tem como escolher!  Tem hora que a incapacidade de me clonar consegue despedaçar meu coração.

E pra vocês que se perguntam se é possível amar o segundo filho tanto quanto o primeiro, o que posso dizer é que pela minha experiência eu tenho percebido que o amor não se divide, ele se multiplica.

Escrito por Cat em maternidade, reflexões | Junte-se ao papo (5)

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6 semanas

4 February 2011 | 22:57

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Manuela fez 6 semanas hoje.  Na consulta com a médica constatamos que ela está medindo 60 cm e pesando 5kg e 200g. 6cm e 1kg à mais desde que nasceu. Uma meninona. :)

As 3 primeiras semanas de vida dela foram um pouco conturbadas. Na primeira semana a amamentação estava complicada. O bico do meu seio esquerdo rachou logo nos primeiros dias e Manuela recusou o bico de silicone. Foi uma angústia só, fiquei morrendo de medo da amamentação não dar certo dessa vez. Comecei a tirar o leite do peito esquerdo com a bombinha e amamentar ela só com o peito direito. Fiz isso por dois dias e nesse tempo fiquei tratando intensivamente do bico do peito rachado. Muito creme lansinoh. Quando o bico melhorou, insisti novamente com o bico de silicone no início da mamada só para  ajudar a formar um bico no meu bico do peito, que é arredondado e depois tirava. Depois de um dia já não precisava do bico de silicone. Vitória! :)

Na segunda semana ela começou a vomitar muito, de 3-4 jatos. Mamava muito pouco por vez, mas toda hora. Fomos ao médico, que nos mandou pro hospital para nos certificar de que estava tudo normal. Fizeram uma bateria de exames e como estavam todos normais, os médicos concluíram que ela precisava aprender a mamar, que muito provavelmente ela estava vomitando porque mamava além da conta. Poucos dias depois dessa visita ao hospital ela parou de vomitar. Alívio.

Ela é um bebê muito calminho, assim como Lukas foi. Só chora com fome ou sono. Reclama um pouquinho quando fica entediada. Fora isso ela está normalmente com uma carinha de satisfeita como essa alí da foto de cima.

Lukas até agora está sendo um irmão mais velho exemplar. Sempre que a vê, a enche de abraços e beijinhos, conversa com ela, traz brinquedinhos. De vez em quando pede para pegá-la no colo também. Mas fica angustiado quando ela chora. Numa ocasião, ela começou a chorar muito no colo dele e ele, assustado, começou a chorar muito também, achando que fosse o culpado pelo choro dela. Foi de cortar o coração. O abracei e expliquei que ela só estava com fome e ele acabou aceitando a explicação com um sorriso tímido.

abraço IMG_1489

Com o Ruivo e comigo o comportamento é outro. Ele está exigindo muito mais atenção do que antes, principalmente a minha e principalmente se eu estiver com a Manuela no colo. Estamos dando toda a atenção, chamego e denguinho que podemos, mas mesmo assim a fase do “não” dos dois anos se acentuou bastante. O curioso é que o humor dele muda muito. Uma semana ele está ótimo, cheio de amor pra dar, fácil de lidar e alegre. Na outra já está o oposto, dizendo não para tudo, fazendo cenas por pouca coisa, chateado. Haja paciência e muito, mas muito jogo de cintura.

Escrito por Cat em amamentação, Manuela, maternidade | Junte-se ao papo (6)

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Relato do parto de Manuela

16 January 2011 | 01:02

A data prevista pro parto da Manuela era dia 24/12. Mas eu estava certa de que ela viria antes. Quando completei 39 semanas de gestação eu passei a sentir muitas contrações de braxton hicks, as tais contrações falsas, sentia também leves cólicas menstruais e dores na região lombar. Estava convencida de que Manuela estava se preparando para vir e que ela viria a qualquer momento. Daí fiquei doente. Um gripe feia me derrubou. O que aconteceu então? As contrações de braxton hicks e as cólicas menstruais sumiram. Eu só sentia dor no corpo, na cabeça e tossia sem parar. Na última consulta com a parteira ela me explicou que o corpo normalmente espera a gente se reestabelecer de uma doença para entrar em trabalho de parto. Ou seja, muito provavelmente a Manuela só chegaria depois que eu melhorasse da gripe. Passei vários dias de cama. No primeiro dia que me senti bem novamente o que aconteceu? As contrações começaram! Dessa vez as verdadeiras.

primeiras contrações, ainda na cama

As contrações começaram por volta das 11:30 do dia 24/12. Elas vinham com 10 minutos de intervalo. Quando comecei a ter contrações no parto do Lukas, elas já viram com apenas 2 minutos de intervalo, então 10 minutos dessa vez me parecia muito tempo e imaginei que seria um looongo parto. Ficamos um pouco na dúvida se era pra ligar pro hospital ou se era pra esperar as contrações ficarem com intervalos mais curtos. Resolvemos ligar logo e deixá-los tomar a decisão se viriam na mesma hora ou não. A parteira se prontificou a vir imediatamente, levando em consideração o parto relâmpago do Lukas.

Não demorou muito a parteira chegou de taxi com sua maletona. Conversamos um pouco e ela me examinou pra ter uma idéia do avanço do trabalho de parto. Para a minha surpresa, apesar do “grande” intervalo entre as contrações, eu estava com 5cm de dilatação. A parteira nos aconselhou então a a encher a banheira. Fiz um lanchinho rápido enquanto o Ruivo enchia a banheira. Minha mãe, que chegou na Dinamarca uma semana antes junto com meu pai, estava ao meu lado, empolgada com a chegada da netinha e com a oportunidade de poder acompanhar tudo tão de pertinho.

Com a banheira cheia, entrei na água quentinha. contrações já na águaAlém de relaxante, a água quentinha ajudava a aliviar as dores. Nisso o irmão do Ruivo chegou para ajudar a tomar conta do Lukas, já que ele não está muito acostumado com a presença dos meus pais. O irmão do Ruivo é o grande herói do Lukas, então para ele seria fácil manter Lukas distraído na sala enquanto nos preparávamos para a chegada da Manuela no quarto. Logo depois da chegada do cunhado, as contrações da fase de dilatação começaram, que eu sinto como dores mais intensas, na região lombar. A partir daí as contrações passaram a vir com intervalos bem mais curtos, mas eu continuava calma, conversando com a parteira e minha mãe e servindo de intérprete entre elas. O ruivo ainda estava às voltas com pequenos detalhes práticos e de vez em quando saía do meu lado para fazer alguma coisa na sala ou na cozinha. Uma hora Ruivo me diz que vai avisar ao irmão onde o presente de Natal do Lukas estava guardado, no caso do Lukas ficar enjoado, mas eu aperto bem a mão dele e digo que do meu lado ele não sairia mais. Eu já conseguia sentir que as contrações de expulsão estavam chegando. O ruivo, ajoealhado ao meu lado, do lado de fora da banheira, segurava minha mão e me abraçava durante cada contração. A parteira, também ajoealhada, estava de frente para mim. Minha mãe estava em pé, atrás da parteira. A parteira era tão tranquila que parecia que ela nem estava presente. Eu só percebia sua presença nas horas em que realmente precisava dela. Em um momento, um pouco confusa entre as dores, eu cheguei a perguntar pra parteira se era pra eu empurrar, ela respondeu que meu corpo saberia direitinho quando fosse a hora. Nem sei se cheguei a sorrir de verdade, mas lembro nitidamente que eu ri de mim mesma, pelo menos por dentro. Adorei a resposta dela, tão óbvia, tão natural, que me fez lembrar da razão pela qual eu escolhi um parto em casa. Essa resposta me ajudou a relaxar novamente e a me concentrar nos sinais que meu corpo me dava. Realmente não tive dúvidas quando tive que empurrar.

Durantes as contrações de expulsão eu comecei a suar muito e pedi uma toalha molhada com água fria para minha mãe. Lembro que tive dificuldade com a tecla SAP e construí a frase em português com dificuldade. Trocar de uma língua pra outra na fase de expulsão de um parto definitivamente não é uma tarefa fácil! Ruivo pôs a toalhinha na minha testa e lembro que o alívio foi tanto que achei que fosse cair no sono de tão relaxada que fiquei. Mas que nada! A dor inconfundível na contração seguinte não me deixou dúvidas: a cabecinha dela estava coroando. A parteira sorriu e disse que eu já podia tocar a cabecinha da minha filha. Foi o que fiz e Ruivo também. Pude sentir o cabelinho comprido dela “nadando” na água. Reclamei que eu podia sentir que quando eu empurrava a cabecinha dela saía, mas que quando eu parava de empurrar a cabecinha voltava pra dentro. A parteira me acalmou dizendo que era verdade, mas que a cada vez que eu empurrava a cabeça saía mais, ou seja, era como 3 passos pra frente e 1 pra trás.  Disse também que se eu estava na dúvida se estava acontecendo alguma coisa era só eu ver a expressão no rosto da minha mãe que eu não tería dúvidas. Cada vez que eu empurrava os olhos da minha mãe se arregalavam mais e o sorriso também conseguia aumentar ainda mais. Dividir esse momento com ela era um sonho meu e fiquei tão feliz de ver a alegria dela bem ali na hora. Na contração seguinte a cabecinha dela saiu. Essa parte é sem dúvida a que dói mais. Mas lembro de pensar na hora que pelo menos dessa vez não ardeu tanto quanto na última e que talvez seja graças à água. Depois de mais duas contrações saiu também o corpinho dela. minha meninaA parteira ajudou a levanta-la da água e trazê-la direto pro meu colo. Dia 24/12/10 às 15:32 Manuela veio ao mundo com 4kg e 200g e 54cm. Lembro de olhar pra ela meio incrédula, ainda surpresa com a rapidez e tranquilidade que tudo aconteceu. Ruivo chorou, minha mãe chorou, enquanto eu segurava e observava aquele corpinho tão pequeno, todo enrugadinho e coberto de gordura do líquido aminiótico. Olhei pro rostinho dela e falei: “Oi, neném. Então é você que morou na minha barriga por todo esse tempo? Eu sou a mamãe.” Ela chorava e eu queria poder amamenta-la, mas tive uma certa dificuldade em achar a posição certa. Já tinha desaprendido a segurar um corpinho tão pequetitinho. Ri de mim mesma mais uma vez. Já não lembro quanto tempo levou desse momento até sairmos da banheira e ir  pra cama. Na minha memória parece uma eternidade, em que estudava cada centímetro do corpinho da minha filha e procurava me convencer que tudo tinha mesmo acontecido do jeito que aconteceu. Mas sei que não levou tanto tempo assim, pois eu ainda precisava “parir” a placenta, e precisava sair da água para isso.

Levantar da banheira foi um sacrifício. Não porque sentia dores, mas porque minhas pernas estavam bambas e tremiam muito. Repeteco do parto do Lukas, pensei. A parteira explicou que é porque um parto é para os músculos do corpo o equivalente a correr uma maratona. Ou seja, eu tremo descontroladamente depois dos partos porque estou em péssima forma física. primeira mamada e o primeiro encontro com o irmãoDeitei na cama e expulsei a placenta com uma certa facilidade. Tive uma laceração pequena e levei um pontinho só. Deitada na cama encontrei uma posição confortável para amamentar Manuela. Nisso chega Lukas, que curioso ao ouvir o choro de Manuela lá da sala pediu para entrar no quarto. O primeiro encontro dos irmãos. Agora a mamãe aqui também chorou. Os olhinhos curiosos do meu filho, que de repente parece tão grande, tão maior do que há poucas horas atrás, olhando pra sua irmã. Irmã, o que é isso? Será que ele entende? Ele olhou bastante pra ela, indagou algumas coisas na língua dele, ainda incompreensível para nós e fez carinho na cabecinha dela.

Logo depois que a Manuela chegou ao mundo, meus sogros e cunhada também chegaram na nossa casa. Além do dia do nascimento de Manuela, também era véspera de Natal. A família do ruivo chegou trazendo a ceia de Natal. Depois de amamentar Manuela e curtir minha mais nova filhotinha enquanto descansava por algumas horas na cama, levantei e me juntei aos outros na sala. Cheguei a participar da dança em volta da árvore de Natal, que é tradição aqui na DK. Com isso eu não contava, mas eu estava ali, Lukas queria a mamãe dele pra dar a mão e acabei indo. Mas acabei também encurtando o ritual. Aproveitei que ninguém lembrava das letras das músicas mesmo e insisti em pedir a música que Lukas iria achar mais legal, que costuma ser a última. Participei também da troca de presentes e ajudei a colocar Lukas pra dormir. Logo depois já era minha hora de me juntar ao meu novo bebê e dormir também.

Deitei a cabeça no travesseiro muito satisfeita com o dia, apesar de ainda meio incrédula. Ainda não acreditava de conseguir ser tão sortuda. Ter o privilégio de poder ter um parto tão tranquilo, tão descomplicado, tão desprovido de sofrimentos. Fico muito agradecida por tudo isso. Sei que o mais importante é ter minha Manuela nos meus braços, perfeitinha e saudável. Mas poxa, como eu fico feliz também por ter tido o parto que tanto sonhei: natural, sem intervenções, sem medicamentos, sem anestesias, na água, no meu quarto, com meu marido, minha mãe, meu filho no cômodo ao lado e o resto da família de um certo modo também presente. Boas vindas à Manuela de um jeito mais humano do que esse eu não consigo imaginar.

Sinta-se muito bem-vinda, meu amor. Você já é muito amada!

P.s.: Um post sobre a nossa escolha por um parto em casa já está a caminho.

Escrito por Cat em Manuela, maternidade, parto | Junte-se ao papo (24)

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Final da gravidez

1 January 2011 | 00:58

O final dessa gravidez foi bem chatinho. Talvez por causa do inverno. Final de gravidez durante o inverno dinamarquês significa malabarismos pra calçar/tirar as botas de inverno, ter que investir em casacões maiores que cubram a barriga, etc. Não recomendo não. Além dessas incoveniências práticas, acredito que o aspecto psicológico também conta. O frio, a escuridão e a famosa depressãozinha de inverno que essas coisas trazem não combinam com o já sensível humor de uma grávida. Para completar isso tudo, eu tive uma deficiência de vitamina D, que me deu dores musculares chatíssimas.

Mas claro que ter um rapazinho de 2 anos agitando pela casa e a danada da insônia persistente também influenciou a minha disposição, ou falta dela, no final dessa gravidez. Eu não podia tirar aquela soneca no meio do dia, como fiz na gravidez do Lukas.

Barrigão com 35 semanas.

Barrigão com 39 semanas.

Ainda 39 semanas. Beijo do irmão. :)

Com 29 semanas fizemos uma ultra 3D e podemos ver nossa menininha com mais detalhes. .

Descobrimos que ela era bochechudinha.

Tinha queixo duplo.

E era cabeludinha.

A essa altura já sabíamos que ela se chamaria Manuela e a expectativa pra sua chegada só aumentava.

Escrito por Cat em gravidez, Manuela, maternidade | Junte-se ao papo (0)

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projeto

11 August 2009 | 19:28

Parece que o penúltimo post deu margem à especulações e preocupações. Sem necessidade. Estamos todos ótimos. Eu estou ótima. O post foi apenas uma forma de expressar o conflito de interesses e vontades presente dentro de mim no momento. Nada que não seja natural para uma mamãe que esteve em casa com seu filhote por 10 meses e está começando a tentar se redescobrir depois que o filhote começou na creche. O que fazer de repente com todo esse tempo sem precisar trocar fraldas e entreter um filhotinho? O que é mesmo que eu costumava fazer no meu tempo livre, além de faxina? Do que é que eu gostava de fazer? Do que eu gosto de fazer? Pode parecer banal ou até sem sentido, mas é mais complicado do que se possa imaginar. Prefiro também acreditar que é um processo que um grande número de mamães no mundo atravessam, que eu não estou sozinha.

Como consta no post, eu estou numa busca progressiva por identidade. Uma possível combinação do que eu era antes do Lukas com um lado novo meu que nasceu e se desenvolveu junto com ele. Um exercício trabalhoso dentro dessa busca é usar o meu tempo livre com sabedoria, ou seja, dar conta das tarefas do dia a dia mas também encontrar tempo pra fazer coisas que eu gosto. Uma das coisas que eu preciso tomar jeito e voltar a fazer é escrever aqui no blog. Escrever mesmo,  e não só dar atualizações esporádicas sobre o Lukas. Não só porque eu sinto falta, mas também porque me faz bem. É uma terapia. Vamos ver como me sairei nesse projeto.

Escrito por Cat em eu-moi-mig, maternidade | Junte-se ao papo (6)

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5 meses

26 January 2009 | 16:47

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Meu bebê, meu tagarela, fez 5 meses no último sábado. Hoje a enfermeira veio fazer o check up. Ele está medindo 68cm e pesando 8,8kg. Ela o elogiou muito por ele preferir ficar, na maior parte do seu tempo acordado, deitado de barriga no seu tapete. Disse que ele provavelmente vai engatinhar cedo por isso. Me aconselhou a não ficar tão preocupada por ele suar tanto. Ele simplesmente é mais calorento do que a mãe. Um viking como o pai, naturalmente. Ela também o elogiou por ser tão saudável e não ter ficado doente até agora. Fiquei toda orgulhosa. Parece até que passamos num teste.

Eu tinha me preparado pra fazer várias perguntas com relação ao sono, pois nas últimas semanas Lukas estava com muita dificuldade para adormecer. Ele dormia bem, a noite inteira, o que nem é muito comum para um bebê da sua idade. Mas ele lutava contra o sono, se recusava a dormir. Como contei antes, nós usávamos o lift para embalá-lo e ele sempre dormia em poucos minutos. Mas ele acabou ficando maior do que o lift. Sem a ajuda do lift nós tentávamos de tudo um pouco. Tentávamos dar colinho, mas colo ele só aceita com ele em pé, deitado nos nossos braços ele não fica de jeito nenhum e no colo em pé ele não dorme, nem sendo ninado. Tentávamos levá-lo pra nossa cama e deitar com ele. De início ele achava ótimo, brincava, conversava, mas quando o sono chevaga pra valer ele só conseguia chorar, mesmo no meio do papai e da mamãe. Tentava dar de mamar, mas ele também não queria. Foi um sufoco! Eu não sabia mais o que fazer. Era muito frustrante vê-lo chorar, morto de cansaço e sem conseguir cair no sono. Ele chorava olhando para mim como se suplicasse para que eu fizesse alguma coisa. Alguma coisa que funcionasse de verdade. Eu tentava. Juro que tentava tudo. Só nunca tentei deixá-lo no berço chorando sozinho e nunca vou tentar. Sou firmemente contra.

Há pouco menos de uma semana ele passou a adormecer bem, como num passe de mágica. Não fiz nada muito diferente, apenas alguns pequenos detalhes. Agora não temos como saber se foram esses pequenos detalhes que fizeram a diferença ou se foi apenas uma fase e o final dela coincidiu com a introdução desses detalhes. Assim que ele dava sinais de sono (bocejar, coçar os olhos, pequenos choramingos) nós dávamos banho, o levávamos pro quarto, dávamos massagem com óleo, diminuíamos a luz, colocávamos pijama, dávamos a chupeta, cantávamos uma musiquinha com ele no colo e depois berço. Nisso começava a choradeira. Os detalhes diferentes foram apenas apagar completamente a luz depois de dar a chupeta e sentar por uns minutos na bola de pilates com ele no colo. Agora é só colocá-lo no berço que ele dorme em poucos segundos. Sem choro, choramingos, nem um pio! Bebê feliz e pais felizes. Finalmente! :) Que assim continue!

Jonas e eu saímos pela primeira vez sem Lukas nesse sábado. Fomos ao cinema assitir Vicky Cristina Barcelona. Ele ficou sob os cuidados dos avós paternos. Para o nosso grande alívio, ele se comportou muito bem e estava se acabando de rir quando chegamos em casa. Devo confessar que eu estava bastante apreensiva, mas vê-lo tão feliz e a vontade me deixou sossegada. :)

Meu bebê está um verdadeiro tagarela, uma máquina de falar, como diz o Ruivo. Não pára de conversar. Aqui está uma de suas histórias interessantíssimas:

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=uyWBPK8Zlgo]

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Escrito por Cat em Lukas, maternidade | Junte-se ao papo (15)

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