Diário de bordo
Vou começar com uma errata: não era um navio, como escrevi há 4 posts atrás, mas um veleiro. Minha confusão se deu ao fato de todo mundo se referir coloquialmente a ele como skib, que significa navio.
Antes de começar o resuminho por dias, preciso explicar também o conceito do passeio. Krakemut, que é o nome do passeio, acontece todo ano na mesma semana de agosto, que é quando o mesmo grupinho de 3-4 pessoas tem o veleiro reservado pra eles. São pessoas com experiência em navegação, com cursos e certificados. Eles tiveram a idéia de fazer esse passeio anual, formando um grupo grande com pessoas conhecidas ou não e ensiná-los os pontos básicos de se navegar num veleiro. Eles separam a tripulação em 3 times, cada time é encarregado de uma atividade diferente por dia. As atividades também são 3: navegação, convés e cozinha. É uma ótima maneira para eles de fazer o que gostam, praticando o conhecimento que adquiriram com uma certa frequência e ainda conhecer pessoas. Mas tudo isso com a presença e supervisão do Capitão e dono do veleiro.
Primeiro dia: [Århus -> Aalborg ->Hals]
Acordamos cedo e pegamos um trem em direção a Aalborg, norte de Jylland. Depois de duas horas de viagem de trem chegamos no porto de Aalborg, onde o veleiro de madeira de 1903 chamado Bona Gratia nos esperava. Tomamos café da manhã com os outro 13 tripulantes e fomos fazer compras para o nosso mantimento num supermercado próximo. Eu fui encarregada das verduras. Nunca comprei tanta verdura na minha vida! Um carrinho cheio!
O veleiro tem 20 metros de comprimento e 20 de altura. Possui uma pequena cabine de onde o capitão naviga, com todos os mapas de oceanos, mares, portos e cais na Dinamarca e Escandinávia. Assim que cheguei na cabine notei uma lista pregada na parede com o nome de todos divididos nos tais times. Ruivo e eu estávamos (sabiamente) em times diferentes. Começamos a jornada com uma introdução às regras, apresentadas pelo Capitão. Ele, um senhor de meia idade super sereno e objetivo, contou a história do veleiro e explicou as principais medidas de segurança.
No primeiro dia meu time estava encarregado da navegação. Os dois cabeças do meu time explicaram rapidamente como ler um mapa, observando os caminhos que o veleiro pode ou não pode passar, os sinais, etc. 3 dos 5 integrantes do meu time se revezaram no timão (o volante do veleiro). Os outros 2, incluindo eu, ficaram atentos aos mapas e à bússula. O mapa em questão era o de Kattegat, que é o estreito entre a Dinamarca e a Suécia e a região naútica que nosso veleiro exploraria.
Navegamos por algumas horas. O dia estava lindo, céu azulzão (como nessa foto acima) e mar calmo. Mas como o vento não ajudava muito, decidimos parar e pernoitar no porto de uma cidadezinha chamada Hals.
Como a brisa do mar deixa o cabelo uma beleza, lá fui eu imediatamente à procura de um banheiro no porto de Hals. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar um banheiro bonitinho e com água de graça? Foi o único porto em que a água era gratuita.
Jantamos, contamos histórias de marinheiro e fomos dormir lá para a meia-noite nas camas apertadinhas, mas aconchegantes do veleiro.

Já tive uma impressão bem positiva do passeio depois do primeiro dia. Eu devo admitir que achei que seria bem mais duro o trabalho no veleiro. Mas estava sendo muito interessante e gostoso aprender tudo aquilo.
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Será um post por dia, porque ninguém irá aguentar ler tudo de uma vez só.
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