31 August 2007 | 19:28
Vou começar com uma errata: não era um navio, como escrevi há 4 posts atrás, mas um veleiro. Minha confusão se deu ao fato de todo mundo se referir coloquialmente a ele como skib, que significa navio.
Antes de começar o resuminho por dias, preciso explicar também o conceito do passeio. Krakemut, que é o nome do passeio, acontece todo ano na mesma semana de agosto, que é quando o mesmo grupinho de 3-4 pessoas tem o veleiro reservado pra eles. São pessoas com experiência em navegação, com cursos e certificados. Eles tiveram a idéia de fazer esse passeio anual, formando um grupo grande com pessoas conhecidas ou não e ensiná-los os pontos básicos de se navegar num veleiro. Eles separam a tripulação em 3 times, cada time é encarregado de uma atividade diferente por dia. As atividades também são 3: navegação, convés e cozinha. É uma ótima maneira para eles de fazer o que gostam, praticando o conhecimento que adquiriram com uma certa frequência e ainda conhecer pessoas. Mas tudo isso com a presença e supervisão do Capitão e dono do veleiro.
Primeiro dia: [Århus -> Aalborg ->Hals]
Acordamos cedo e pegamos um trem em direção a Aalborg, norte de Jylland. Depois de duas horas de viagem de trem chegamos no porto de Aalborg, onde o veleiro de madeira de 1903 chamado Bona Gratia nos esperava. Tomamos café da manhã com os outro 13 tripulantes e fomos fazer compras para o nosso mantimento num supermercado próximo. Eu fui encarregada das verduras. Nunca comprei tanta verdura na minha vida! Um carrinho cheio!
O veleiro tem 20 metros de comprimento e 20 de altura. Possui uma pequena cabine de onde o capitão naviga, com todos os mapas de oceanos, mares, portos e cais na Dinamarca e Escandinávia. Assim que cheguei na cabine notei uma lista pregada na parede com o nome de todos divididos nos tais times. Ruivo e eu estávamos (sabiamente) em times diferentes. Começamos a jornada com uma introdução às regras, apresentadas pelo Capitão. Ele, um senhor de meia idade super sereno e objetivo, contou a história do veleiro e explicou as principais medidas de segurança.
No primeiro dia meu time estava encarregado da navegação. Os dois cabeças do meu time explicaram rapidamente como ler um mapa, observando os caminhos que o veleiro pode ou não pode passar, os sinais, etc. 3 dos 5 integrantes do meu time se revezaram no timão (o volante do veleiro). Os outros 2, incluindo eu, ficaram atentos aos mapas e à bússula. O mapa em questão era o de Kattegat, que é o estreito entre a Dinamarca e a Suécia e a região naútica que nosso veleiro exploraria.
Navegamos por algumas horas. O dia estava lindo, céu azulzão (como nessa foto acima) e mar calmo. Mas como o vento não ajudava muito, decidimos parar e pernoitar no porto de uma cidadezinha chamada Hals.
Como a brisa do mar deixa o cabelo uma beleza, lá fui eu imediatamente à procura de um banheiro no porto de Hals. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar um banheiro bonitinho e com água de graça? Foi o único porto em que a água era gratuita.
Jantamos, contamos histórias de marinheiro e fomos dormir lá para a meia-noite nas camas apertadinhas, mas aconchegantes do veleiro.
Já tive uma impressão bem positiva do passeio depois do primeiro dia. Eu devo admitir que achei que seria bem mais duro o trabalho no veleiro. Mas estava sendo muito interessante e gostoso aprender tudo aquilo.
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Será um post por dia, porque ninguém irá aguentar ler tudo de uma vez só.
Escrito por Cat em Dinamarca, krakemuttur, viagens |
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28 August 2007 | 21:29
Estamos aqui colocando a casa em ordem. Tem muita coisa que eu queria fazer desde que nos mudamos, mas que sempre adiei e que ainda estava por fazer. Muita coisa foi desempacotada depois da mudança em janeiro e colocada de qualquer jeito nas estantes e armários. O que para mim é bagunça, pro ruivo é "improvisação", no que ele não vê nada de mal. Mas finalmente cada coisinha está encontrando seu lugar de destino, deixando os improvisos pra trás. Não sei vocês, mas eu funciono melhor quando o espaço físico ao meu redor está razoavelmente em ordem. É mais fácil de me concentrar no que estou fazendo, sem precisar ficar fazendo listas mentais do que eu preciso arrumar, limpar, organizar – acabo não fazendo nenhuma delas por não conseguir me decidir ao que dar prioridade.
É, eu sei, meio esquizofrênica essa que vos escreve. 
Escrito por Cat em casa, quotidiano |
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28 August 2007 | 21:04
Voltamos pra casa. Mais conformados. A vovó, no fundo, sabia que era a hora, e queria ir. O resto da família é que preferia acreditar que não era agora. É complicado de aceitar, mas é o ciclo da vida. Ficam as lembranças doces, as histórias, as fotos. E a esperança de que esse sentimento de que nada disso é o bastante suavize.
Escrito por Cat em família, reflexões |
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25 August 2007 | 20:04
Voltamos de viagem. Estamos na casa dos sogros. A vovó do ruivo infelizmente faleceu essa semana.
O nó na garganta está difícil de ir embora…
Escrito por Cat em família |
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17 August 2007 | 09:00
A avó do ruivo está bem, na medida do possível. Continua em observação e cheia de chamego da família inteira, 24 horas por dia – literalmente. O nosso revezamento em turnos está funcionando a mil maravilhas. Adoro as tardes que passo com ela, que tem sempre muitas histórias para contar, sobre uma época em que eu ainda não fazia parte da família. O ruivo sempre se referiu a ela como "a mulher mais doce do mundo", e agora, depois desse contato mais frequente com ela, eu devo concordar com ele. Ela é, sem dúvida, uma das pessoas mais elegantes e doces que já conheci.
A única tarde que não passei com ela foi na quarta, quando voltei para Århus para fazer minha aula de direção. Eu dirijo extremamente bem… em ruas desertas. Mas é só me colocar no trânsito do centro da cidade que meu corpo empedra e meus neurônios passam a funcionar em camera lenta. Dizem que com o tempo isso melhora. Eu prefiro acreditar, né? Sou uma moça otimista. 
Uma das viagens das nossas férias estava em suspenso pelo estado da avó do ruivo, mas hoje decidimos que vamos sim viajar. Até porque a própria vovó se empolgou mais do que a gente e está ansiosa para ouvir estórias da viagem na nossa volta. Nós vamos velejar com uns 10 amigos num navio antigo por uma semana. Estamos agora na correria atrás de roupas e acessórios necessários pra viagem. Não temos a menor idéia do que nos espera. Mas já ficamos sabendo que nesse tipo de viagem o intuito não é relaxar, é preciso ralar para manter o navio. Vai ser interessante essa descoberta. 
Escrito por Cat em família, viagens |
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16 August 2007 | 21:58
Verão na Dinamarca é tempo de inúmeros festivais espalhados por todo o país. De todos os tipos, para todos os gostos. O maior de todos é o festival de música de Roskilde, que teve início em 71, inspirado por outros grandes festivais da época como Woodstock. O festival de Roskilde já trouxe e continua trazendo todo ano muitos grandes nomes da música mundial. Para se ter uma idéia do tamanho do festival, ele recebeu esse ano 100 mil pessoas.
Eu quero muito muito muito ir a esse festival um dia. O desse ano deve ter sido o mais molhado e lameado de todos os tempos, pois choveu todos os dias praticamente sem interrupção. Mas ainda assim eu queria muito ter estado lá. Ouvi vários shows ao vivo pelo rádio, do trabalho. Mesmo só escutando pelo rádio eu vibrei alucinadamente com muitos dos shows, imagina se eu estivesse lá, me matando de dançar?
Além do festival de Roskilde, só pra mencionar alguns, também tem o Skanderborg festival, Jelling festival, Esbjerg festival (especializado em música dos anos 80), Horsens Open Air, Samsø festival e muitos outros. Vem gente do país inteiro e também de fora para esses festivais, então o comum é o local do festival ter um espaço reservado para acampamento, já que são de 2 a 4 dias de shows.
Esse ano nós não podemos ir ao Roskilde por termos tido um casamento para ir bem no meio do festival. Mas para compensar marcamos presença em outro festival, um tanto mais modesto, aqui em Århus, chamado Danmarks Grimmeste Festival, que traduzindo significa "O festival mais feio da Dinamarca". Piada feita sobre o nome do festival de Skanderborg, que também é conhecido como Danmarks Smukkeste Festival – "O festival mais bonito da Dinamarca".
O festival mais feio da Dinamarca não faz nada juz ao nome – ele acontece numa fazenda muito fofa em Brabrand, em Århus. Os moradores da fazenda, um casal de meia idade, estavam sempre por lá, assistindo aos shows, com familiare e o filho, que é o organizador e cabeça do evento. 2007 foi o quarto ano do festival, que se concentra em bandas nacionais. Bandas conhecidas minhas esse ano eram poucas, mas tive muitas boas surpresas, como Powersolo, Kong Salami, Je m'apelle Mads & Bount Niller.
Mas a surpresa maior foi a estrela internacional, uma francesinha chamada Soko, que foi descoberta por um locutor de rádio dinamarquês, nas suas explorações musicais pelo MySpace. Este locutor passou a tocar sempre Soko no seu programa, Den Sorte Spejder. Com isso, a música "I'll kill her" virou em pouco tempo um sucesso nacional. A surpresa foi constatar que Soko tem todo um repertório, além da única música que toca constantemente nas rádios dinamarquesas. E a maioria tão boa quanto esta que já conhecemos por aqui. Soko é uma versão adolescente da Alanis Morissette. Uma menininha com raiva dos ex-namorados, cheia de self-irony e sarcasmo. E mais um tantão de doçura. Eu adorei a mistura! Dêem uma conferida:
[youtube]gxxMFKmgz_I[/youtube]
Fotos do festival no Flickr
Escrito por Cat em Dinamarca, música dinamarquesa, ouvindo |
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13 August 2007 | 20:46
Me presenteei com essa belezoca abaixo para iniciar bem as minhas férias.
Agora que vou voltar a estudar perto de casa, a bicicleta vai voltar a ser o meu meio de transporte diário. Há exatos dois anos atrás eu também me dei uma bicicleta. Uma bem baratinha, comprada num supermercado, de 3 marchas. Não era uma Brastemp, mas deu conta do recado. Agora eu comprei uma Brastemp! Ou melhor, uma Batavus! Com corrente fechada, de 7 marchas, chamada Diva. A diferença que eu sinto da antiga bike é enorme. Estou me deliciando a cada pedalada.
Estamos indo visitar os avós do ruivo todo dia de bicicleta. São aproximadamente 5 km da casa dos pais até a casa dos avós – subindo e descendo ladeiras. Eu já tinha perdido o pique de andar de bicicleta, já que trabalhando eu tinha um cartão mensal do ônibus, que faz com que eu possa andar a hora que eu quiser, quantas vezes eu quiser. Aí cadê que eu tinha ânimo pra andar de bicicleta? Mas depois de 7 meses nesse sedentarismo até que meu corpinho está aguentando firme e forte. Vamos ver quanto tempo vai durar para as dores musculares chegarem…
Escrito por Cat em quotidiano |
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11 August 2007 | 21:47
Meu último dia no trabalho foi estranho. Uma mistura de alívio com tristeza. Cada coisa que eu fazia eu repetia para mim mesma que era pela última vez. O chefe se despediu com um aperto de mão e disse mais uma vez que as portas estarão abertas para eu voltar se eu quiser. Agradeci sorridente. É algo sempre bom de se ouvir. Deu um apertozinho no coração ao dizer tchau para aqueles que provavelmente não voltarei a ver. Mas o alívio maior foi saber que era a última vez que pegava aquele ônibus, naquele ponto, àquela hora da noite.
Estamos agora na casa dos sogros. Viemos pra cá assim que cheguei do trabalho ontem. Família inteira reunida se revezando para transmetir muito amor para a avó do ruivo que está doente.

Escrito por Cat em família, trabalho |
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8 August 2007 | 12:09
Estou ótima. Saudade de tudo e de todos.
Muita coisa acontecendo. Muita coisa pra contar. Muitos posts mentais prontos para se mateliarizarem aqui no blog.
Só faltam 3 dias para as minhas férias + liberdade. Tic-tac-tic-tac.
Volto quando acabar/começar.
Inté!
Escrito por Cat em blogosfera, quotidiano |
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8 August 2007 | 11:56


http://simpsonizeme.com/
Escrito por Cat em abobrinhas, quotidiano |
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