2 anos de Dinamarca
No dia 2 de dezembro de 2004 eu cheguei na Dinamarca. Dessa vez pronta pra ficar. Foram 3 meses como turista, tempo em que procurava desesperadamente por um trabalho de au pair para poder ficar. 6 meses como au pair, época cansativa, mas muito gratificante, que me deu oportunidade de conviver com cavalos, coisa que eu adorava. 1 ano como estudante, mas apenas 6 meses realmente no mestrado, até que decidi admitir que não era o que queria para mim. Um dois piores momentos da minha vida, fico feliz que tenha acabado. Mais 6 meses me concentrando no dinamarquês e… Casamento! Um dia mágico, extremamente feliz. E logo depois, Brasil! 6 semanas corridas, mas deliciosas. De volta para cá e mais 6 meses de muito dinamarquês. E finalmente a satisfação de terminar os cinco módulos obrigatórios do curso. Agora o futuro promete. Mas também preciso me lembrar de curtir o agora, de estar presente no meu presente.
Vez ou outra alguém me pergunta se sou feliz aqui, se me arrependi ou se já me adaptei. É um assunto que dá pano pra manga, e sobre o qual sempre tenho algo a acrescentar.
Eu gosto muito daqui. Apesar dos pesares. Nunca me arrependi. Não tenho uma vida perfeita e 100% feliz o tempo todo. Claro que não. É complicado, sofro muito nesse processo de adaptação. Mas minha luta é não me concentrar no que me puxa pra baixo, mas no que me leva pra frente, sempre em frente. Eu não tenho uma fórmula ou segredo para uma adaptação mais suave. Afinal de contas, não é porque uma coisa dá certo pra mim, que vai dar certo para outra pessoa. Mas acredito que certas coisas bem básicas me ajudaram e não custa dividir.
Por exemplo, antes de vir para cá, quando estava ainda considerando a possibilidade, eu lia tudo o que encontrava sobre Dinamarca e Escandinávia, descobri vários blogs de pessoas que moravam por esses lados há tempos (cuja maioria continuo lendo fielmente até hoje), e claro, conversava muito com o ruivo sobre o assunto. Não tenho dúvida de que isso tenha ajudado muito. Só o fato de saber pelo menos um pouco o que iria encontrar por aqui, de ter consciência do que teria que aguentar, de tentar me preparar para encarar tudo de bom e ruim que a Dinamarca tinha pra me oferecer me deixou, de uma forma ou de outra, um pouquinho mais forte. Me ajudou pelo menos a não deixar as coisas ruins me cegarem, sem permitir que eu encontrasse as coisas boas, e também que eu não me arrependesse radicalmente logo de cara. Informação é sempre o primeiro passo e nunca é demais.
Outra coisa foi a consciência de que sem dominar a língua eu estaria sempre à deriva. Torna tudo mais difícil. Mais difícil de se encontrar trabalho, de fazer novos amigos, enfim, de fazer parte de um todo. Sempre soube que isso era essencial para que eu me sentisse bem aqui. Essencial pelo menos para mim. Eu conheço pessoas que vivem aqui há anos sem falar dinamarquês e isso não os incomoda. Mas sempre me incomodou. Não saber a língua sempre foi uma das razões principais em todas as vezes que me vi depressiva aqui. Me sentia isolada, presa dentro de mim mesma, um peixe fora d'água. Não que a língua não seja mais um problema hoje em dia. Ainda tenho muito a melhorar. Mas só o fato de entender e conseguir me comunicar razoavelmente bem já me faz me sentir livre, cheia de planos e opções. Sabendo que a língua é de longe a minha maior luta aqui, o que vai me abrir portas em todos os setores da minha vida, tratei de me concentrar nela. É preciso traçar planos e prioridades ou a frustração de não estar saindo do lugar consome a gente.
Outro fator importantíssimo, é que eu só tomei a decisão de vir para cá tendo certeza absoluta do que queria. Mesmo não tendo idéia se meu relacionamento com o ruivo daria certo ou a minha química com o lugar funcionaria. É impossível prever essas coisas. Mas eu sabia que o que eu mais queria naquele momento era tentar. Sem essa certeza no peito, não acredito que eu teria vindo.
Escrito por Cat em Dinamarca, imigração, memórias, reflexões____________________________________________________________



É isso aí Cátia. Também tento me concentrar nas coisas positivas (o que é dificílimo pra mim, diga-se de passagem, até por conta do meu temperamento natural, que eu detesto, mas que é uma parte de mim). Acho bacana seu approach positivo e gosto muito de te ler. Aprendo muito com você. Parabéns pela luta, pelos dois anos, e pelos seus muitos sucessos! Parabéns, você merece! Beijocas.
Muito obrigada pelo carinho, Maria. Esse comentário vindo de você tem um sentido muito especial para mim.
Beijos, Cat.
Responda esse comentário
Pôxa Cátia! Perfeito tudo isso o que vc escreveu!E diz muito sobre tudo o que eu penso e o que sinto também…
Você falou absolutamente tudo mesmo!!
Boa sorte e bola pra frente sempre!
beijo,
cyntia
Obrigada, Cyntia. Boa sorte pra gente!
Beijos, Cat.
Responda esse comentário
Cátia realmente o q vc falou é muito certo.Olha eu estou morando aqui na Dinamarca há 3meses… 6 meses de casada!! Díficil mudar de país,costumes,clima,amizades….. Mas podemos dizer q somos (todas as pessoas q tomam a decisao de mudar de pais,de vida) corajosas, e vencedoras.pois acreditamos em si proprio e no poder de q podemos vencer. Eu tenho tbem como objetivo numero 1, aprender o dinamarques. E acredito q as dificuldades sempre existirao. Elas existem pra podermos crescer. E descobri q na vida nada é impossivel!!!

Felicidadesssss.
bjs
vanda
Isso aí, Vanda!
Beijos!
Responda esse comentário
Um dos piores momentos da sua vida foi o mestrado?? Não entendi.. Mas muito lindo o texto, você é uma vitoriosa.
Oi Loretta.
Eu quis dizer, na verdade, que assumir que aquele mestrado não era o que eu queria, e finalmente desistir dele foi um dos piores momentos da minha vida.
Obrigada pelo comentário carinhoso.
Beijos, Cat.
Responda esse comentário
Katia, enquanto expatriada, sei bem do que vc tá falando! Realmente nossa vida no exterior não é sempre “feliz” tem momentos baixos sim, mas o que deve nos impulsionar, seja fora ou no Br, é a vista que temos a frente, os objetivos e a certeza de que somos capazes!
Te admiro muito por tudo que vc conquistou num país frio e distante!
Muito Sucesso sempre!!!
Bjs
Obrigada, Priscila! Muito sucesso para você também! Sempre!
Beijos
Responda esse comentário
Muito bom vc ter exposto tão claramente seu ponto de vista.
Deixou todos cientes de que não vivemos no paraiso aqui na europa, mas soube dizer querer tentar deve nos mover a qualquer lugar ou situação!!!!!
Sempre visito o seu site, super legal.
Que bom que gostou, Kelly. Obrigada!
Beijo, Cat.
Responda esse comentário
Olá Cátia,
Ler seu depoimento me ajudou e muito, pois estou indo a Dinamarca em Outubro e entre outras coisas a língua local me deixa hiper anisosa e apreensiva quantoa minha necesidade de adaptaçao neste país.
Cátia, quero ter sua determinaçao e coragem.
Beijinhos carinhosos,
Responda esse comentário