27 September 2006 | 10:14
– Miau!
- ?
- Que tipo de sotaque era esse?
Semana passada chegou meu visto de permanência. A sensação de alívio foi tão grande que nem sei explicar. Esse carimbinho colorido no meu passaporte me permite ter uma vida “normal” novamente: ficar na Dinamarca sem grandes preocupações e trabalhar o quanto eu quiser e puder. Ou seja, ser vista e tratada (ao menos um pouquinho mais) como os nativos. Com isso, e só agora, depois de tanto tempo, consegui me sentir uma cidadã novamente.
Logo depois de ter recebido meu visto eu comecei a caça a um emprego. Tinha algumas preferências: meio período, para que eu possa continuar o rítmo no curso de dinamarquês; um ambiente que me dê a oportunidade de praticar a língua; e um bom salário, claro. Respondi alguns anúncios e no dia seguinte fui chamada para uma conversa. O trabalho é num dos maiores supermercados do país, do tipo que vende desde mantimento até roupas e móveis. Meu serviço é o de arrumar os produtos nos lugares antes das portas se abrirem. Fui lá hoje conversar com o gerente de uma das seções, que iria me mostrar o que fazer e como.
Depois de uns 10 minutos de papo com o cara, ele me diz: “Eu não tô reconhecendo seu sotaque. De onde você é?”. Achei graça. Quem dera eu tivesse apenas um leve sotaque.
Mas o bom mesmo é que eu entendi tudo o que ele disse, ele entendeu tudo o que eu disse e eu terminei a manhã empregada!
—
p.s. Quero agradecer a todos que me deram um apoio muito querido no blog em dinamarquês. Obrigada mesmo! 
Escrito por Cat em línguas, trabalho |
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24 September 2006 | 22:16
Um pouco antes de nos casarmos, mudaram as regras sobre nomes aqui. Resolveram que adotar o nome do cônjuge não era mais automático no ato do casamento. Na verdade, eles separaram completamente as duas coisas. Para mudar de nome ou adotar o sobrenome do parceiro, então, era preciso entrar com o processo antes ou depois do casamento. Com isso não pude adotar o nome do ruivo quando nos casamos. Pouco tempo depois, acharam que essa lei não tinha lá muita graça e mudaram para como era antes. Ou seja, mudaram a lei (temporariamente) exatamente na época do meu casamento só pra zoar com a minha cara! :S
Mas não tem nada, não. Mudo agora! Um anjinho me passou um link onde posso preencher um formulário para iniciar o processo todo. Super prático. Estava eu preenchendo o formulário agora há pouco, chega o ruivo e pede para eu esperar porque ele quer ligar para se informar melhor, já que pretendemos mudar de nome juntos. Juntos??? Para surpresa geral da nação, o ruivo também quer adotar o meu nome do meio! Achei o máximo!
Viu, mamãe? Dá-lhe família Maturana!!!
Escrito por Cat em Dinamarca, família, ruivo & eu |
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19 September 2006 | 21:52
Olha só a empolgação. Foi só tirar uma nota boa, que a metida aqui resolveu criar coragem e fazer um blog em dinamarquês. É mole?
Na verdade, a idéia é antiga. A coragem é que é nova!
Faz tempo que a família do ruivo, mais precisamente a mãe, pedia que eu escrevesse em dinamarquês para que ela pudesse entender. A fofa da sogra tá sempre passando por aqui e tentando adivinhar sobre o que eu estou escrevendo. Tem vezes que ela chega a me ligar pra perguntar se o que ela imaginou que eu estivesse falando estava certo. Eu acho uma graça. Tenho certeza que se ela falasse português ela seria uma comentadora assídua do blog, com os comentários mais irreverentes. Pois bem, sempre achei o interesse dela e do resto da família bem legal. Mas chegar a escrever um post inteiro só em dinamarquês, para dinamarquês ler, já era muito a se esperar de mim. Acho que vocês não fazem idéia da minha insegurança a esse respeito.
Só que insegurança é um problema, que precisa ser combatido. Eu preciso muito repetir isso pra mim mesma sempre, para evitar que eu me conforme com minhas dificuldades. Porque conformismo também é um problema seríssimo! A típica atitude: “pois é, eu tenho esse problema, mas eu sou assim, não tenho como mudar”. Não tem como mudar uma ova! Se tem uma coisa que você não está satisfeito em si mesmo sempre tem como mudar. Principalmente quando você mesmo enxerga esse certo defeito. Não quer dizer que seja fácil. Muitas vezes é muito difícil. Mas essa tentativa de mudar deve ser encarada como um exercício diário. Um passo de cada vez. Uma mudançazinha a cada dia. Quando menos se espera vemos resultados surpreendentes, que talvez a olhos alheios sejam imperceptíveis, mas para nós sejam grandes conquistas, um pedaço de caminho percorrido. E a satisfação de olhar para trás e ver esse caminho percorrido deve ser usada para reabastecer a motivação de continuar esse exercício diário.
Pois foi nessa minha idéia de combater minha insegurança com o dinamarquês, de reforçar esse exercício diário, que eu resolvi tomar coragem e criar meu blog em dinamarquês. O novo blog não será uma tradução desse blog. Será só um meio a mais para praticar dinamarquês. E quem sabe contar com a ajuda da família do ruivo e dos amigos daqui.
Quem tiver curiosidade passe por lá. Mas lembrem de ligar a tecla sap!
Escrito por Cat em blogosfera, estudando, línguas, reflexões |
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19 September 2006 | 20:00
Milagrosamente a DSB, empresa ferroviária dinamarquesa, encontrou as provas que a professora esqueceu dentro do trem semana passada e as entregou a ela. Para o meu grande alívio e alegria, o resultado do meu simulado foi muito superior ao que eu esperava. Na prova que eu achava que tinha ido pior eu tirei a maior nota. Wohuuuu!
- Læseforståelse (compreensão de texto) – 10
Só ficou faltando a parte oral, que infelizmente tem o dobro do valor das duas partes escritas.
Agora vocês devem estar se pergutando que raios de nota é 11, né? Pois é, o esquema de avaliação aqui na Dinamarca é um tantinho diferente do brasileiro.
Vou tentar explicar o esquema deles, assim, a grosso modo, aplicando à prova de dinamarquês como língua estrangeira.
0 – você entregou a prova em branco
3 – você escreveu alguma coisa, mas fugiu do tema ou não fez o que foi pedido
4/5 – insatisfatório
6 – você respondeu o que foi pedido, mas não desenvolveu suas idéias e tem muitos erros de gramática e ortografia. satisfatório
7/8/9 – razoável
10/11 – você fez o que foi pedido e teve erros leves de ortografia e gramática
12 – não existe (?)
13 – você mostrou que sabe mais do que era esperado.
É muito raro receber 13, quando acontece eles sempre reagem com um grande: “UAU! O cara é um nerd!”
Foi muito bom receber minha nota. Fiquei mais segura de mim. Estava precisando muito!
Escrito por Cat em estudando |
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19 September 2006 | 19:36
Semana passada finalmente consegui parar para entender como o bloglines funciona e fazer uma conta para mim. Sempre quis ter um sistema simples que me avisasse sobre as atualizações dos blogs que gosto de ler. São tantos blogs que gosto de visitar regularmente que as vezes é difícil de administrar. Não descobri o bloglines agora. Já tinha ouvido maravilhas sobre ele, mas nunca tive saco pra fazer uma conta para mim. Venci minha preguicite aguda e fiz. Agora não perco um post de vocês!
Agora me digam, não mereço ao menos uma pequena porcentagem pelo marketing aqui no blog? hein?
Escrito por Cat em blogosfera |
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16 September 2006 | 17:40
Num email enviado pelo meu irmão Márcio.
[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=NwDgUhi6DDI]
Mac, Niterói. Ao lado do Ingá, onde eu morava. Meu bairro preferido.
Escrito por Cat em Brasil, internet |
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12 September 2006 | 20:59
Daqui a dois meses eu vou fazer a prova nacional de proficiência em dinamarquês (Prøve i Dansk 3). Como nas provas normais que temos na escola não somos avaliados com notas, mas apenas com um aprovado/reprovado, eu estava curiosa para fazer o simuladão dessa prova nacional, que foi semana passada.
O curso de dinamarquês tem 5 níveis (module), mas quem pretende ingressar num curso universitário em dinamarquês ou trabalhar em alguma profissão que exija um domínio da língua num aspecto mais específico precisa ir mais adiante e fazer o 6º nível. Quem não tem interesse em fazer o 6º nível só precisa tirar 6 como média nessa prova de proficiência. Quem pretende fazer o 6º nível precisa tirar média 9. Eu quero fazer o 6º nível.
Por isso, toda a minha curiosidade com o simuladão da semana passada. Eu queria ter uma idéia de quanto eu posso tirar para saber o quanto eu preciso melhorar nesses 2 meses até o dia da prova. Fiz tudo com a maior atenção e capricho. Passei a semana inteira ansiosa pelo resultado.
Segunda a professora chega e conta, meio a gargalhadas, que perdeu todas as provas no trem. Simplesmente saiu do trem e largou nossas preciosas provas lá dentro.
Fiquei sem palavras. Ela termina a história dizendo que se o trem não encontrar as provas teremos que fazer outra semana que vem. Afe!
Mas aí eu contei até mil e me dei conta que estava me desgastando por muito pouco. Imaginem! Um misterioso instinto assassino começava a despertar, com ânsias de estrangular a mulher. Eu hein! Xá pra lá! Que o próximo simuladão venha!
Escrito por Cat em estudando, línguas |
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12 September 2006 | 09:17
Meu celular entrou numa campanha barra pesada para substituição. Campanha radical mesmo. Me privou do serviço que mais uso: mensagens ou, como é conhecido aqui na Europa, sms. Eu continuava recebendo as mensagens, mas não conseguia abri-las. Quando tentava o celular simplestemente congelava e desligava, para se auto religar em alguns segundos. Tenho 11 mensagens recebidas e não lidas. Afe.
Com essa novela toda o ruivo se comoveu e me presenteou com um celular novinho em folha. Estou toda proza com meu primeiro celular com câmera, mp3 e rádio. Não estou acostumada com essa tecnologia toda, mas estou a-do-ran-do!
Escrito por Cat em quotidiano |
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11 September 2006 | 21:43
Há exatos 5 anos atrás eu estava na rua perto da minha casa, indo em direção ao ponto de ônibus, quando um amigo me liga perguntando se eu estava assistindo televisão. Volto para casa na mesma hora assustada. Quando pus os olhos na televisão, o segundo avião tinha acabado de bater na torre.
Lembro do meu pai comentando que aquilo seria o ponto de partida da 3ª guerra mundial. Lembro da minha incredulidade. Lembro da náusea que sentia ao ver a mesma imagem sendo repetida zilhões de vezes em todos meios de comunicação.
Hoje na aula de dinamarquês, como toda segunda, tivemos 30 minutos para escrever uma r
edação. Tópico óbvio para o dia. Só que eu passei os primeiros 10 minutos sem ter a menor idéia sobre o que escrever. Até que decidi fazer uma simples resenha sobre o último filme que vi no cinema. A redação fluiu rapidamente.
O filme retrata o vôo 93 da United Airlines no qual os passageiros reagiram contra os sequestradores. Nada ultra patriótico, o que foi uma bela surpresa. Mas acho que ele bem que poderia ser um tanto mais curto. Mas minha nota é 7/10. Vale uma conferida.
Escrito por Cat em reflexões |
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8 September 2006 | 10:55
A querida Giorgia me intimou a contar aqui no blog 6 coisinhas sobre mim. Estou meio atrasadinha para responder, mas vambora!
1. Sou extremamente tímida. Principalmente nos primeiros contatos. Preciso ter alguma intimidade com a pessoa para conseguir me soltar. É uma das minhas características que menos gosto. Me atrapalha demais. Especialmente na situação que estou vivendo agora: novo país, nova cultura, nova língua. Morro de vergonha de cometer erros em dinamarquês. O que nos leva a outra coisinha…
2. Sou perfeccionista. Até que ser assim tem seu lado bom, pois eu gosto das coisas bem feitas. O ruim é que se algo não está do jeito que eu acho que deveria estar, que eu acho que é o bom, então não presta. As vezes deixo de fazer algo por achar que não está bom o bastante. Luto muito para perder um pouco desse perfeccionismo que também me atrapalha muito. Meu medo de cometer erros em dinamarquês, por exemplo, as vezes me estimula a não falar, o que me irrita profundamente.
3. Sou brincalhona. Quando me sinto a vontade com alguém e a timidez inicial é iliminada, a palhaça (no melhor sentido da palavra) vem a tona. Adoro fazer piada, rir alto e fazer os outros rirem. Casei com um ruivo igualzinho. Vocês não fazem idéia das besteiras que saem das nossas conversas mais descontraídas. Gosto muito do tipo de humor self-ironic, que faz piada sobre si mesmo.
4. Quando eu fico nervosa eu viro bicho. Mas acho que esse lado meu só o ruivo, meus pais e meus irmãos é que conhecem. Meus amigos costumam dizer que eu sou a pessoa mais zen que eles conhecem. Normalmente, eu sou bem calma, mas quando me sinto injustiçada ou ofendida de alguma forma, o sangue sobe e aí é difícil de segurar a explosão. Uma maneira rápida e eficiente de me tirar do sério é levantar a voz comigo. Não tolero.
5. Sou solitária. Prezo muito os momentos que passo sozinha. Preciso deles. Gosto também de ir sozinha a restaurantes, cinema, olhar vitrines. O que não me faz necessariamente uma pessoa anti-social. Também gosto muito de estar rodeada por pessoas, receber visitas toda semana, ir acompanhada a restaurantes, cinema e tudo mais. Só não me coloquem num Big Brother da vida.
6. Não sei falar no telefone. Não vou entrar no mérito nem nas razões para isso. O fato é que não sei e não gosto de falar no telefone. Bater papo comigo tem que ser ao vivo, msn ou skype com webcam. Quando algum amigo me liga eu geralmente encurto a ligação marcando um encontro para logo.
Quero passar a tarefa de revelar 6 coisinhas para: Ana, Marina, Cris, Chris, Mércia, Maria, Cido, Léo, Mauro, Natália, Analy, Mi, Liza , Ananda, Mila e Anna. A caixinha de comentários também está aberta para quem mais quiser contar as suas coisinhas aqui mesmo no blog.
Escrito por Cat em eu-moi-mig |
Junte-se ao papo (10)
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