Brasil, família, memórias – 1ª semana
Quem acompanhou o blog do ruivo, está muito mais por dentro das nossas férias, do que quem ficou apenas com o meu pobre diário de viagem aqui. Mas vamos tentar compensar o tempo perdido…
Fizemos de tudo um pouco. Fizemos 3 viagenzinhas bárbaras e vários passeios inéditos tanto pro ruivo quanto para mim.
As seis semanas de Brasil serão divididas em posts pois sou uma menina organizada! ![]()
1º semana.
Foi a mais preguiçosa de todas. Em casa, no colo da mamãe e do papai, visitando a família, minha praia favorita (Itacoatiara, em Niterói) e afins.
O único projeto mais guerreiro foi pegar um ônibus com o ruivo. Eu tinha pavor de pegar ônibus só o ruivo e eu. Ruivo tem, para quem não sabe, a palavra “GRINGO” em letras garrafais e em neon bem na testa. E como no Brasil “gringo” e “cheio da grana” tem – erroneamente – o mesmo significado, eu não gostava muito de desfilar com ele na loucura dos ônibus do Rio. Mas eu respirei fundo, me enchi de coragem e fui. Não sem antes dar algumas instruções básicas de “sobrevivência” ao querido marido: sempre alerta, nada de abrir carteira no meio da rua ou mesmo andar com muito dinheiro na carteira e nada de exibir jóias (principalmente nossa aliança
). Para nossa sorte tinha um ônibus maravilhoso, conhecido como “frescão” em Nikity, que ia direto da casa dos meus pais (Itaipú, Niterói) até o centro do Rio. Jonas teve uma primeira impressão agradabilíssima de ônibus no Rio: ar condicionado e poltronas alcolchoadas e reclináveis. Mal sabia ele que busú mesmo é bem diferente. Bom, mas descemos no centro do Rio, na Avenida Rio Branco e fomos comprar livros didáticos de português na Leonardo da Vinci para ele. Aproveitamos e demos uma passeada pela Cinelândia. Tudo correu muito bem, apesar da chuva que nos pegou de surpresa.
No final dessa semana, tivemos o privilégio de ter um churrasco em nossa homenagem na casa de dois tios queridos, como eu cheguei a contar aqui no blog. Família do meu pai reunida, rodinha de violão, cantoria até tarde, além de, claro, um churrasco maravilhoso! Que saudade que eu estava de tudo isso! Uma atividade tão costumeira na minha família essas reuniões musicais. Cresci numa família bem musical e talvez isso tenha ajudado a fazer com que a música tenha um participação tão especial na minha vida. As vezes até parece que não sinto falta, pois prefiro não parar para pensar nisso. Mas quando ouço uma música que é presença certa no repertório familiar, o aperto no peito é automático. Tanto que um dia, aqui em Århus, quando fui visitar o museu Aros pela primeira vez, me aconteceu uma coisa, digamos, inusitada. Entre as exposições fixas do museu, na área de arte contemporânea, tem uma instalação que é como um cineminha, onde passa um curta com um cara cantando bem lentamente uma música que ouvi tantas vezes na casa dos meus pais na minha casa, no Brasil. Acontecia muito de eu acordar, normalmente nos domingos, escutando essa música e saber, antes mesmo de encontrar meu pai pela casa, que ele estava feliz. Apesar da música em questão ter uma letra triste, para mim, ela representa coisas boas. Amor é a principal delas. E ela tem o poder de me transportar facilmente, onde quer que eu esteja. Foi o que aconteceu lá no museu. Quando comecei a ouvir a música, fui transportada para um domingo de manhã, em que encontrando meu pai pela casa eu pergunto, “Quer dizer que você está feliz, né?”, ele sorri, cheio de bom humor e confirma. Quando fui transportada de volta para aquela salinha do museu eu já estava chorando, bem baixinho, enquanto os outros visitantes me olhavam curiosos.
Por isso essa reunião familiar logo na primeira semana foi tão importante e gostosa para mim!
A música é essa aqui:
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Cucurucucu Paloma
(por Trini Lopez)
“Dicen que por las noches
no más se le iba en puro llorar;
dicen que no dormía,
no más se le iba en puro llorar.
Juran que el mismo cielo
se estremecía al oír su llanto,
cómo sufrió por ella,
y hasta en su muerte la fue llamando:
Ay, ay, ay, ay, ay cantaba,
ay, ay, ay, ay, ay reía,
Ay, ay, ay, ay, ay cantaba,
de pasión mortal, moría.
Que una Paloma triste
muy de mañana le va a cantar
a la casita sola
con sus puertitas de par en par;
juran que esa Paloma
no es otra cosa más que su alma,
que todavía espera
a que regrese la desdichada.
Cucurrucucú Paloma, cucurrucucú no llores.
Las piedras jamás, Paloma,
¿qué van a saber de amores?
Cucurrucucú, cucurrucucú,
cucurrucucú, cucurrucucú,
cucurrucucú, Paloma, ya no me llores “
Escrito por Cat em Brasil, família, memórias, viagens____________________________________________________________







Oi querida…..
Gostei da musica, hehehe…estou de volta ao Brasil no final do mes que vem e tambem nao vejo a hora de comer churrasco =)
Estou aguardando o novo post!!
Bjos!
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Catinha, legal!! tbm acho essa música linda… o bom de ter familia é isso… mesmo longe eles estão sempre dentro da gente, e reencontra-los é sempre uma delicia!!! estou esperando os proximos capitulos!
bjos!
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Poxa, que legal Cat!! Eu te entendo perfeitamente. Música realmente é referencial. Agora, o que tb me faz ter de novo várias lembranças é cheiro..
Às vezes volto até a minha infância…
Beijos
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Que texto bonito Cátia.
Foi muito bom revê-la e conhecer o seu marido, mesmo que por tão pouco tempo.
Um bj.
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Eita! Só agora percebi que não só temos a mesma idade e crescemos na mesma cidade, mas também no mesmo bairro, frequentávamos a mesma praia! Incrível como o mundo é pequeno e como nunca nos cruzamos por aí!!!
Beijinhos
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