a arte de conversar e as diferenças culturais
A mulherada brazuca daqui de Århus resolveu se reunir uma vez por semana. O primeiro encontro só de mulheres aconteceu aqui em casa, semana passada. 6 mulherões, muito bom humor, muita história pra contar, muitas risadas pra dividir. Muito bom!
Tão engraçado reparar como o nosso jeitão de conversar é tão diferente dos escandinavos. Tom muito mais alto, sem falar no rítmo da conversa, frenético, uns interrompendo os outros, bem naturalmente. Lembro de ter lido a Maria falar sobre essa diferença há um bom tempo atrás e poder finalmente entender a minha estranheza numa conversa com eles. Os escandinavos, normalmente, esperam você terminar de falar pra poder falar também, enquanto nós falamos continuamente, interrompendo uns aos outros. Para nós isso não é necessariamente falta de educação, mas uma forma de demostrar que estamos atentos ao que o outro está falando e que temos algo para dividir sobre o assunto.
Lembro que assim que cheguei eu costumava falar como uma matraca, sozinha, monopolizando a conversa. Eu acabava me sentindo super desinteressante, pois esses dinamarqueses não tinham nada a dizer sobre o que eu falava. Mas depois de ler o que a Maria escreveu sobre o assunto, pude me tocar que eu simplesmente não dava oportunidade para os pobres se manifestarem.
Hoje em dia eu me policio para fazer pausas estratégicas para “checar” se eles não têm algo a dizer sobre o assunto antes de prosseguir. Quando não conheço direito a pessoa com quem estou conversando, eu tento controlar meu tom de voz e também o impulso de tocar na pessoa quando me empolgo no papo, tudo pra não intimidá-la. Fico repetindo pra mim mesma: “Cátia, um pouquinho mais baixo.”, “Cátia, não toca! Não toca!”.
Só não controlo o volume da minha risada, que aí já é demais! Pequenas estratégias que me fizeram interagir e entender melhor os dinamarqueses. Mas é só uma intimidade maior pintar que essas estratégias vão diminuindo, diminuindo, diminuindo, até a Cátia original aparecer.
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Oi catinha,já estou contando os dias para voltar para dinamarca(15 dias!!).
Realmente nosso jeito brasileiro de se expressar é tao espontaneo que nao temos regras(qdo estamos entre amigos nao esperamos um finalizar o assunto p agente continuar).Essa caracteristica nossa mostra que temos algo de especial,pois a conversa é muito mais descontraida ,sem muitas regras!!Bom o Brasileiro é assim mesmo pode ter um problemao mas está sempre ali sorrindo,sonhando,acreditando!!Acho que o mundo inteiro deve se perguntar:”De onde vem tanta alegria e tanta espontaniedade do Brasileiro?
Entao imagina o que devem se perguntar qdo veem um monte de mulheres,amigas conversando!!Bom com certeza é uma alegria só.
bjs
Vanda
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Nossa Catia, você disse TUDO!!! É impressionante como isso não é uma coisa particular, e sim um costume brasileiro! Eu me sinto da mesma maneira! Meus chefes são dinamarqueses e tenho muitos amigos tb, assim passo muito tempo com eles, mesmo morando no Brazil, a maioria deles não fala portugues, eu por vez estou aprendendo dinamarques. Já imaginou os papos, né?
Eu tenho os mesmos problemas e sentimentos. Falo como qualquer mulher brasileira e as vezes me pego em um monologo! Me sinto desinteressante as vezes, mas na verdade, nós é que falamos muito!
Vou começar a me preocupar mais com isso e me policiar mais. rs rs rs.
Adoro o seu blog, pois vc sempre aborda temas que me indentifico demais.
Beijocas, Fernanda
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Cat, que delicia uma turminha pra se encontrar toda semana
Não vejo a hora de tu chegar e dar umas boas risadas contigo . beijos
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Ola Cátia !! Tudo bem? Espero poder participar dessas reuniões com vcs e conhecer as brasileiras que estão vivendo na Dinamarca. Devo ficar pelo menos um mês em Virring, na casa da família que eu já morei 1 ano. Então sempre vou pra Aarhus passear. Gostaria muito de te conhecer pessoalmente. Vi ses ….mange kaerlige hilser maristela
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Oi Catia! Achei engracado o teu comentario sobre como a gente acaba se policiando nas conversas com os escandinavos! Comigo acontece o mesmo, eu cuido pra nao chegar pertinho demais, cuido pra nao interromper e cuido ate pra nao cair na tentacao de quebrar os silencios (que pra mim soam como eternos) que os meus colegas suecos fazem. Mas como tu, eu nao consigo controlar o volume da minha risada e quando solto uma gargalhada la no laboratorio onde trabalho eu vejo que ressoam ecos!!! Logo que cheguei e vivia na Dinamarca eu estranhei bastante essas diferencas na comunicacao (ate escrevi um post sobre isso). Mas agora acho que me acustumei e meus colegas tambem se acustumaram com o meu jeito. Beijos!
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“Cátia, um pouquinho mais baixo.”, “Cátia, não toca! Não toca!”.
Hohohohoh.. Ah, Cátia, acho que nós, brasileiras, somos todas feitas de um mesmo molde. Valeu os links. É isso aí. Eu ainda preciso me concentrar MUITO para não monopolizar a conversa toda. Em trabalhos de grupo da universidade sou terrível. Minha amiga Elin, que sabe que eu sou como sou e tem permissão pra me corrigir, me cutuca no braço e manda eu calar a boca. Aí eu sei que estou exagerando… hohoho.
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Catia, adorei ler sobre suas experiências. Estive recentemente na Dinamarca e seus relatos são exatamente o que vi e senti.
Voltarei breve e gostaria de saber como encontrar essas brasileiras em Aarhus.
Estarei a poucos quilometros e ficaria muito feliz em encontrar essa mulherada.
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