De volta.

1 February 2006 | 11:23

Se preparem que o post é longo.

A viagem superou todas minhas expectativas. Na verdade, eu não fui com muitas expectativas, o que deve justificar a minha enorme felicidade com os resultados da semana. Eu fiz um roteirinho bonitinho num carderninho pra depois passar pra cá, mas esqueci lá no chalé. Damn it! Mas aqui vai outro capenga:

Sábado à tarde - Pegamos o ônibus que nos levaria até a Noruega. Os sogros jáno navio estavam no ônibus. Tínhamos a opção de ir de ônibus ou avião, só que de avião o vôo sairia do aeroporto de Copenhaguen, e para chegar até lá vai uma graninha boa. De ônibus é óbviamente muito mais lento, mas também mais em conta. E indo de ônibus tem o bônus de pegarmos a barca, que eu acho um barato. Chegamos na barca lá pelas 9 da noite, encontramos nossa cabine, deixamos nossas coisas e fomos fazer a festa na lojinha tax free (livre de imposto). Compramos junk food (besteirinhas pra comer) e passamos algumas horas relaxando e papeando na cabine. Dessa vez não pude ir brincar no cassino, nem na danceteria porque teríamos que acordar às 6 da manhã, quando chegaríamos na Noruega.

Domingo - Saímos da barca, voltamos pro ônibus, trocamos por uma van e às 14h chegamos em Trysil. Uma correria só pra alugar os esquis e botas. Depois de tudo resolvido, colocamos as roupas de esqui e fomos aproveitar o pouco tempo que tínhamos antes que os lifts (teleféricoschalé que puxam as pessoas para o alto da montanha) fechassem. Como anoitece por volta das 16h, os lifts fecham às 15:30. Coloquei os esquis nos pés e fui me aventurar. Mal conseguia sair do lugar e como não queria atrapalhar a curtição do ruivo e dos sogros decidi deixar pra tentar na aula no dia seguinte. Fui pro nosso chalé e desfiz as malas. Uma hora depois os outros chegaram, jantamos e ficamos de papo até a hora de dormir. Nisso, lá no fundo, eu estava suuuper insegura com o que viria a acontecer na aula de esqui no dia seguinte. “Será que eu vou entrar em pânico?”, “Será que eu vou aguentar numa boa os 5 dias de aula?”, “Será que eu vou quebrar um osso? “.

***

Pausa no roteiro para apresentar o esquema da estação de esqui:

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Essas são as pistas da estação de Trysil. Cada cor significa um nível de dificuldade. Verde = fácil, azul = médio, vermelho = difícil, preto = expert. Eu fiquei nas verdes, naturalmente. O ruivo se aventurou em cada cor.

***

Segunda-feira - Acordo às 7 da madrugada, tomo café, me arrumo e vou meia hora antes da carro atoladoaula pra trocar as botas que estavam muito pequenas. Levei uma eternidade pra fechar a bendita da bota de esqui sozinha! No ponto de encontro da aulinha de esqui, já estava a minha turma reunida e o instrutor. 7 dinamarqueses, 2 suecos e o instrutor que era, naturalmente, norueguês. Começamos aprendendo a colocar e tirar os esquis. Não é tão fácil quanto parece, muito menos se o esqui não está totalmente na horizontal. Logo depois fomos (andando) para a pista das crianças, que era uma descidinha bem discreta e curta. Aprendemos como posicionar o corpo e algumas dicas básicas de como freiar, a parte mais valiosa, na minha opinião. :) As minhas tentativas de freiar foram todas um fiasco! Não conseguia parar e muito menos controlar a velocidade que eu descia. Nisso, eu entrava em pânico de perceber que estava pegando velocidade e me jogava no chão. E pra levantar? Só conseguia depois de tirar os esquis. Um saco! Passei metade da aula me jogando no chão, tirando os esquis e recolocando o esquis. Aula terminada, não consegui fazer nada e cheguei em casa muito fula da vida. Estava convencida que não fui feita pra esquiar, que odiava o frio, a neve e que nunca mais voltaria numa estação de esqui na vida. Só continuaria indo às aulas em consideração aos sogros. Disse pro ruivo também que ele seria o único responsável a ensinar nossos pimpolhos a esquiar no futuro e que eu não teria qualquer participação. Poderia até acompanhar, mas me restriria ao chalé, restaurante e afins. Pronto, tudo decidido. Jonas parecia ouvir tudo, mas no final disse que não queria me dar atenção porque sabia que eu não estava dizendo tudo aquilo de coração. Sábio ruivo! :)

Terça-feira - Acordei com uma dor enorme nos pulsos de tanto segurar forte e me apoiar nos ponto de partidabastões. Chegando na aula o instrutor me diz que os bastões que estou usando são muito curtos pra minha altura e vou eu trocá-los. Pra começar a aula, o instrutor vai (esquiando) pro meio da pista das crianças e nos chama. Foram todos e fiquei por último imaginando como faria para descer e conseguir parar onde eles estavam. Não consegui parar e me estabaquei lindamente nos pés do instrutor. O consolo, mais tarde, foi constatar que essa foi a última vez que caí durante a semana. Milagrosamente, eu consegui começar a freiar e parar completamente quando queria. Quesito elegância zero, mas conseguia. Fomos então pegar o lift para ir até o alto da pista das crianças. O lift era meu maior trauma, pois da última vez que estive numa estação de esqui o tombo no lift foi grandioso e inesquecível. Mas esse lift era muuuuito mais fácil de usar: na forma de um disco, que você põe entre as pernas, na bunda e ele vai te puxando. Tudo tranquilo. Nem precisava ter suado tanto. Dessa vez cheguei em casa feliz da vida, contando pro ruivo como consegui usar o lift e freiar. Duas conquistas.

Quarta-feira - Acordei dessa vez com dor no corpo todo, praticamente. Na aula, fomos praticando à noiteexplorar uma pista maior e praticar algumas técnicas. A minha conquista do dia foi conseguir controlar pra que lado eu vou. Voltei pra casa ainda mais satisfeita com os resultados. Quarta e sábado são dias em que os lifts estão funcionando até as 20h na estação de Trysil. Aproveitei pra ir praticar até tarde junto com a sogra, que é uma expert e me deu altas dicas. Nevou muito nesse dia. A neve batendo no rosto enquanto descia a montanha era de machucar, além de ficar difícil de enxergar alguma coisa. Mas foi uma sensação boa, completamente nova. A sogra até reclamou que eu estava indo muito rápido.

Quinta-feira - Acordei novamente com dor no corpo, mas cheia de gás. Na aula, como alguns descidalifts não estavam funcionando por um problema de energia, pegamos um lift alternativo para uma pista mais ao alto da montanha. O instrutor queria praticar o freio em zig-zag. Eu estava otimista e confiante. Me sentia pronta pra tudo. Mas qual não foi minha surpresa ao chegar no alto da pista e não conseguir ver o fim de uma parte da pista de tão inclinado que era? O instrutor foi na frente, demonstrando o que queria e todos o seguiram. Eu fiquei lá em cima, petrificada, imaginando em quantos pedacinhos eu iria me partir ao levar o tombo certo e fatal. Fui descendo bem devagar, tentando ao máximo fazer o zig-zag pedido, mas o movimento de virar pro lado oposto e freiando ao mesmo tempo era doloroso e assustador. Minhas pernas tremiam e eu suava como se estivesse uns 40ºC dentro daquela roupa. Depois de todo o sufoco, cheguei no final da pista e o instrutor propõe de subir novamente. Topei sem titubear. Mas o que eu tava pensando? Tortura total! De início, eu pensei, ingenuamente, que a segunda vez seria mais fácil pois eu já conhecia a pista e estaria mais segura. Ledo engando. Desci no mesmo sufoco de antes. Senão maior. Mas assim que alcancei o final da pista a aula tinha finalmente acabado. Cheguei em casa reclamando que aquela pista deveria ser preta e não verde! :P

Sexta-feira - Último dia de aula, fomos explorar pistas ainda desconhecidas. Foi o dia mais tranquilo, as pistas eram deliciosas, sem sufoco nem susto. A turma se empolgou e todosmontanha desceram numa velocidade impressionante. Adorei! Recebi meu merecido diploma no final da aula. :) À tarde fui com o ruivo e os sogros explorar outras pistas e pra minha total surpresa, eles me levaram pro topo total da montanha. Nem conseguia acreditar que estava lá em cima. O frio e o vento era tanto que eu não sentia mais meu nariz. Fiquei encantada com a vista. As poucas fotos que tiramos não fazem jus a beleza do lugar. Às 15:30 já estavamos com as malas prontas esperando a van para nos levar de volta ao ônibus e a todo o caminho de volta para a Dinamarca.

O saldo da viagem foi muito positivo. Quando saí daqui não imaginava nem por um segundo que estaria esquiando no fim da semana. Me surpreendi com a rapidez que tudo aconteceu. Mas como o instrutor disse, não existe segredo ou fórmula, mas prática. Agora, depois dessa experiência, eu consigo me ver repetindo a dose todo inverno. Já temos até planos para a próxima temporada.

Escrito por Cat em quotidiano, viagens


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2 Comentários

Ana FINLAND Windows XP Internet Explorer 6.0
Feb 6, 2006 at 4:41 pm

Algumas coisas:
1. o link no blog antigo para este está errado. Você pode colocar um template lá para redirecionar para cá. Posso te passar o código se quiser.
2. Esquiar é mesmo muito legal! Sua narrativa dá bem uma idéia de como você deve ter se sentido! :) Eu não tive tanta “sorte” e só contei com 2 dias e um namorado paciente para me ensinar. Mas mesmo assim gostei muito, foram muitos tombos porém válidos! No comeco eu estava ficando louca com o tal de zig zag, que o cérebro mandava fazer mas as pernas não executavam corretamente! Mas no final do 1o dia deu para pegar o jeito.
Tinha um 3. também mas já esqueci.
Beijinhos

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Natália DENMARK Windows XP Mozilla Firefox 1.5.0.1
Feb 7, 2006 at 12:47 pm

Então suas expectativas foram superadas, hein. Que maravilha!
Depois de ler seu post fiquei com uma coceira na orelha, uma vontade de aprender a esquiar… *daydreaming*
Um beijo

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