27 February 2006 | 21:19
Fim de semana longo e agitado. Só hoje deu pra respirar, dar um jeito na casa e pegar num livro. Sexta tivemos um jantar animado na casa de uma amiga americana da minha antiga turma da noite do curso. Saímos de lá direto pro alojamento onde morávamos pra pegar o restinho da festa que estava rolando por lá.
Sábado um amigo do ruivo veio passar a tarde com a gente e à noite todos fomos assistir à um show diferente. Um cara no sintetizador, um na bateria e uma menina na percussão. A menina da percussão era a alma da banda. Carismática e talentosa, levava o pessoal ao delírio. Mas no meio do show aperece uma menina pra cantar e acabou quebrando totalmente o rítmo do show. Uma pena!
No domingo, decidimos pegar nossas bicicletas e pedalarmos até a Ikea pra comprar uns acessórios e decorações pra casa. Estávamos os dois animadíssimos e cheios de planos. Só que demos de cara com a porta! Ikea só abre no primeiro domingo do mês! Dois tapados, mudos, sem ação e sem fôlego sentados em frente à Ikea recobrando as energias pra fazer o caminho de volta pra casa. É engraçado de lembrar, mas nem me pergunte como estava meu humor naquela hora.
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Mas vocês viram isso?
Meninas gêmeas, uma negra e a outra branca. Ambas de olhos azuis. A mãe diz que, ainda no hospital, notou a diferença de cor das duas, mas imaginou que com o tempo elas fossem mudando. O que aconteceu é que com o tempo, uma foi clareando e a outra escurecendo. Os dois avós são negros e as duas avós brancas.
A chance disso acontecer é de 1 em 1 milhão.
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Update: 3/3
Só pra deixar o link do caso mais acessível aqui.
Poxa, triste que seja mais fácil acreditar na troca das crianças ou na desonestidade da mulher do que na ciência. Felizmente não houve dúvida sobre nenhuma das duas possibilidades, tanto que as questões não foram levantadas. Prova de amor, confiança, ingenuidade? Vocês nomeiam. Eu vou nas duas primeiras.
Escrito por Cat em quotidiano |
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23 February 2006 | 23:31
Uma das coisas mais legais do curso de dinamarquês é conviver com pessoas de culturas das mais variadas. Na minha nova turma tem gente do Peru, México, China, Turquia, Tunísia, Iraque, Kênia, Islândia e Mauritânia.
Para treinar para a prova, cada um precisa fazer uma apresentação oral de 10 minutos sobre um tema e a professora pediu para falarmos sobre nossos países. Na aula de hoje eu falei sobre o Brasil. Comecei falando sobre alguns números como tamanho e população. Falei dos atributos naturais: floresta amazônica, montanhas, ilhas e praias famosas. Da diversidade cultural, das várias religiões, da discriminação que é mais social do que racial. Quando comecei a falar sobre o Rio fui interrompida por uma enxurrada de perguntas sobre o carnaval. Logo depois sobre as favelas e a disparidade social entre ricos e pobres, o que deu margem a uma grande discussão sobre drogas, criminalidade e corrupção. Meio entristecedor o rumo que a discussão tomou, mas, sem dúvida, bem interessante.
Mas interessante mesmo foi a vez da menina da Mauritânia falar. Eu sou uma super fã dela! Ela é uma muçulmana inteligente, bem informada e moderna. Nasceu na Palestina, enquanto criança morou em vários países africanos (francófonos), mas passou a maior parte da vida na Mauritânia e lá estudou em colégios franceses. Sua cultura e mentalidade não são típicas da Mauritânia e por isso ela tem um olhar distanciado e ocidental sobre o a cultura de lá. Ela falou um pouquinho sobre o país, mas mais precisamente sobre o relacionamento homem-mulher das classes mais ricas. Foi muito legal! Vou contar, por alto e em tópicos, o que ela contou:
- Os mauritanos são um povo nômade.
- O homem não pode encostar na mulher em público.
- A sociedade da Mauritânia é matriarcal, apesar das aparências. É a mulher que decide se quer se casar ou se divorciar.
- O divórcio é muito comum. Na verdade, quanto mais divórcios a mulher ter mais popular ela é. É um sinal que ela é atraente e muitos a querem. É normal uma mulher contabilizar 10-15 divórcios.
- Os divórcios são amigáveis. Tanto que se em algum momento a mulher precisar de ajuda financeira, ela pode recorrer a algum dos ex-maridos e é certo dele a ajudar. É um comprometimento para a vida inteira.
- A mulher usa um véu que cobre o cabelo e o corpo inteiro. Mas ele pode ser bastante transparente, e a roupa por baixo bem sexy.
- Mulheres rechonchudinhas são consideradas as mais bonitas.
- Um casamento mauritano típico é muito muito caro.
- O homem precisa pagar um dote, não para os pais, mas para provar que tem dinheiro para a festa de casamento e para sustentar a esposa.
- Durante a festa de casamento, é tradição a mulher se retirar para ir ao banheiro quando na verdade está sendo “sequestrada” pelas amigas. As amigas mandam um recado para o marido dizendo que se ele a quiser de volta precisa pagar. Quanto mais ele pagar maior o amor dele pela esposa. Não é visto como compra. O dinheiro é visto como prova de amor.
- Com o dinheiro do “resgate” pago pelo marido, a mulher e as amigas costumam viajar juntas.
- Durante a festa de casamento, em vez do buquê, o pai da noiva costuma jogar dinheiro. Uma forma de mostrar o quanto a filha é valiosa.
- A roupa típica da noiva é um véu preto, que solta um pó, também preto, que a cobre por inteira. O simbolismo é do homem aceitá-la mesmo “suja” e se surpreender com sua beleza depois de limpa.
Escrito por Cat em Brasil, estudando, reflexões |
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22 February 2006 | 12:49
Semana passada comecei as aulas diárias de 4 horas de duração de dinamarquês. Logo na primeira aula percebi a facilidade que a turma tem em se expressar em dinamarquês. Todos. Bem mais do que eu. Bem mais do que a minha antiga turma da noite. Quem estuda à noite, naturalmente, trabalha ou estuda e não tem muito tempo disponível para se dedicar a estudar fora dos horários do curso. Eu era uma delas, só que com a grande sorte e bônus de ter um nativo pra ser explorado à vontade dentro de casa. Sempre percebi ter mais vocabulário e ouvido pra entender dinamarquês do que os outros da minha turma da noite. Mas nessa turma da manhã é o inverso, o que é ótimo! Já sinto um avanço espantador. Ando me policiando para, na saída da aulas, pegar pelo menos um dos jornais gratuitos e trazer pra casa. Isso tem me ajudado demais. Já faz tempo que Jonas fala comigo em dinamarquês em casa de tanto que insisti. Mas por outro lado, em 90% das vezes eu respondia em inglês, já que falava, lia e escrevia em inglês o dia inteiro por causa do mestrado. Mas pelo menos eu sentia que entendia bem. O dinamarquês coloquial eu até entendo bem, o problema era falar. Digo “era” porque eu não quero mais deixar o inglês me atrapalhar. Agora, pelo menos dentro de casa, eu falo só på dansk. Minha língua está dando nó, chego no final do dia com dor de cabeça, mas paciência. É assim que o jogo funciona.

Eu nunca fui uma pessoa ansiosa, de ter muitas angústias ou indecisões. Mas estando na situação que estou hoje, toda decisão que preciso tomar parece determinar terminantemente meu futuro e essa vontade que a decisão seja “a” certa é muito desgastante. Eu preciso aprender a viver com minhas novas circustâncias de vida, o que requer um exercício mental diário.
Escrito por Cat em línguas, reflexões |
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19 February 2006 | 21:36
… que eu parei o mestrado. Depois de muito pensar, noites sem dormir, de querer mudar de planeta e toda uma série de angústias que, sinceramente, não desejo a ninguém, finalmente tomei a decisão. O esforço para não olhar pra trás é enorme, mas a cada dia que passa fica um pouco menos difícil.
Porquê parar? A resposta exata ainda é um mistério pra mim. Razões têm várias, mas ainda tenho dificuldade de distinguir dentre elas se existe uma que seria a autêntica ou é a combinação de todas.
Primeiro que a frustração de ainda não conseguir me comunicar em dinamarquês já estava tomando conta de mim e me transformando numa pessoa que eu não reconheço (e não gosto). Isolada, reclusa, séria, insuportável. Uma coisa é visitar um país que você não fala e não entende a língua. Tudo é engraçado, interessante e, é claro, tem sempre como recorrer ao inglês e resolver o problema. Mas morar é uma história muito diferente. É ter que lidar diariamente com essa barreira. É ter que interromper o estranho na rua, a caixa do supermercado, o vendedor no telefone e dizer “Sorry, I don’t speak danish”. Ter que lidar com a reação confusa da maioria que não estava esperando ter que, de repente, apertar a tecla SAP e falar em outra língua. Ou por outro lado, quando finalmente se tenta praticar e se balbucia as poucas palavras que acredita já saber falar, ter que lidar com a cara de interrogação do outro, ou pior, ter que ouvir a resposta do outro logo em inglês, afinal de contas, pra que perder tempo praticando dinamarquês se em inglês tudo é mais rápido? A vontade de tentar se desintegra alí.
Outra coisa que andava me incomodando era a sensação constante de desajuste, de não pertencer, de peixe fora d’água no mestrado. Da dúvida incessante. Do que fazer com esse mestrado mais tarde, de como me encaixar no mercado de trabalho aqui, de como associar meu bacharelado com esse mestrado, que na essência são tão diferentes. E o mais importante: estou estudando isso porque realmente quero e gosto ou porque é preciso agora? A resposta, apesar de se revelar com dificuldade, no fundo sempre pareceu muito claramente ser a segunda. Gostar do assunto tratado no mestrado eu gosto, só não me vejo trabalhando com ele. Pelo menos não agora.
O estopim foi descobrir que na Dinamarca não se pode fazer outro curso universitário quando se tem um mestrado completo. A claustrofobia de não ter escolha, não ter opção, passou a me perseguir.
Me dedicar completamente e exclusivamente ao dinamarquês agora me pareceu a decisão mais sensata. Terminar o curso de dinamarquês me abrirá muitas portas que agora estão trancadas à cadeado, como por exemplo a possibilidade de trabalhar e sentir que finalmente sou capaz de fazer parte e colaborar no funcionamento dessa sociedade dinamarquesa, com a qual com fé, um dia, me sentirei integrada. Passar na prova final de proficiência na língua abrirá as portas da universidade e é isso que adotei como meta agora.
Só preciso lembrar… “Nobody said it was easy”.
Escrito por Cat em reflexões |
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17 February 2006 | 19:08
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Dancing in the moonlight – Toploader
Uma musiquinha boba que me faz dançar para testar a possibilidade de colocar música por aqui. Me digam se está funcionando, ok? Brigadinha!
Escrito por Cat em quotidiano |
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16 February 2006 | 17:34
- aulinha de etiqueta dinamarquesa:
Quando duas pessoas se conhecem é costume se saudarem com um aperto de mão enquanto dizem seus nomes. Geralmente dizem somente o nome, sem “meu nome é…” ou ” eu me chamo…”.
- aulinha de fonética dinamarquesa:
A letra J em dinamarquês é pronunciada com o som do nosso i em português. Por exemplo, o nome do ruivo se pronuncia ionas.
Com essas aulinhas vocês já podem entender o furo que dei essa semana na escola. Cheguei atrasada na aula e tinha um professor substituto no lugar da professora normal que não pôde ir. Me dirigi à ele, estendi minha mão e:
eu: Cátia.
ele: Jes.
eu: Yes!
ele: Jeg hedder Jes. (Eu me chamo Jes.)
eu: Nå… ok! Undskyld! (Ah sim! Me desculpe!)
… e assim fui me sentar ao som de risadas.
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Estou respondendo comentários nos próprios comentários. Vamos ver até quando essa disciplina resiste dessa vez. Mas sejamos otimistas, ok?
Escrito por Cat em Dinamarca, línguas |
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16 February 2006 | 14:59
Recebi uma visita supresa das muito boas na terça. O queridão do Cido veio até Århus e me presenteou com um dia de ótimo papo e muita risada. Ainda tive o prazer de conhecer o adversário, que é outro espetáculo de simpatia e bom humor. Demos um rolé pela cidade e fomos à um restaurante australiano. Ruivo e adversário provaram, respectivamente, crocodilo e canguru. Já Cido e eu preferimos a nossa velha conhecida vaquinha. Os dois ainda tiveram a honra de conhecer minha mansão, tomar cafézinho nas minhas xícaras de porcelana chinesa e apreciar música clássica dinamarquesa no meu aparelho de som de altíssima tecnologia. Essa foi apenas a segunda vez que encontro o Cido ao vivo e à cores, mas sinto como se nos conhecêssemos à séculos, tamanha a facilidade que é conversar com ele. Assunto é o que não falta! Tudo de bom!
Só fiquei triste que não tirei uma fotinha do evento para a posteridade. Afinal de contas, não é todo dia que o Ruivo e eu encontramos celebridades nessa cidadezinha e dirá recebê-las em casa! Imperdoável!
Cidão, obrigada por fazer do meu Valentine’s Day desse ano um dia especial! 
Aqui na Dinamarca, dia 14 de fevereiro é Valentine’s Day (dia dos namorados) assim como nos EUA e o resto da Europa. Mas aqui na Dinamarca, esse dia foi “adotado” muito recentemente, acho que nos últimos 4 anos. Por conta disso e também ao fato de ser avesso a datas comemorativas com intuito altamente comerciais (com excessão do Natal), o Ruivo não festeja. Eu também não ligo porque pra mim Dia dos Namorados é dia 12 de junho. Aí sim eu comemoro e ele sabe bem que pelo menos um passeio romântico eu espero nesse dia.
Escrito por Cat em amigos, ruivo & eu |
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13 February 2006 | 00:15
Reforçando a corrente de energia positiva para pedir pela recuperação do marido da Beth, o Ivan, que depois de um transplante de fígado, está passando por complicações e se encontra em coma induzido.
Redobro a minha prece, para pedir também pela minha linda tia Miloca que hoje bem cedinho fará um cirurgia delicada de ponte de safena. Tia, estou longe, mas mentalmente e de coração estou aí, do seu ladinho, segurando sua mão. Fique bem.
Que Ele os proteja!
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Update:
Com tristeza que deixo aqui meus pêsames à Beth, pelo Ivan, que faleceu essa manhã. Que Deus o tenha. Desejo à Beth e à toda a família muita força.
Ao mesmo tempo, agradeço à Ele pela minha tia Miloca, que resistiu bem a cirurgia e passa bem.
Muito obrigada pelas orações de todos!
Escrito por Cat em família, quotidiano |
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9 February 2006 | 11:17
Jonas estudando português:
ele: Cátia, “meu” é masculino e “minha” é feminino, né?
eu: É.
ele: Então, eu uso “meu” e você usa “minha”?
eu: Não. Não é a pessoa, mas ao que o pronome se refere. Por exemplo: “Meu cabelo é escuro” e “Sua barriga é grande”.
ele: Não! Pouquinho…
eu: Um pouquinho grande?
ele: Nããão! How do I say small?
eu: Pequeno.
ele: É! Minha barriga é pequenaninha.
Escrito por Cat em línguas, ruivo & eu |
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8 February 2006 | 19:23
Outro dia, durante o programa de crianças na rádio, apresentado e com participações de crianças por telefone, ouvimos a seguinte pergunta:
“O que precisamos fazer para deixar os muçulmanos felizes de novo?”
Junior, P3, de segunda à quinta às 18h.
Escrito por Cat em Dinamarca, reflexões |
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