Diferenças culturais

23 April 2005 | 17:12

Muitos amigos me perguntam se é difícil ter um relacionamento com uma pessoa de outra nacionalidade, se as diferenças culturais pesam, se não falar a mesma língua atrapalha, etc. Jonas e eu somos de culturas diferentes, pensamos de forma diferente sobre vários assuntos, naturalmente. Mas essas diferenças não afetam em nada nosso relacionamento, até porque somos pessoas com princípios e ideais bem parecidos.

Eu costumo dizer que sermos de culturas diferentes tende a nos ajudar muito mais do que nos atrapalhar. Porque se temos algum problema, ou discordamos em algum ponto, nós sentamos e conversamos. Fizemos um pacto quando decidimos apostar na nossa história: pra fazer essa história dar certo precisamos tentar sempre nos lembrar que somos de culturas diferentes, nos colocar no lugar do outro e ouvir sempre bem atentamente o que o outro tem para argumentar. Acho isso o máximo, porque assim quase nunca brigamos. Com esse pacto em mente, resolvemos até problemas que não têm nada a ver com cultura, como probleminhas de casal mesmo, de convivência, adaptação, etc.

Falar uma terceira língua (nem a minha, nem a dele) pra nos comunicarmos também acaba nos ajudando a nos ouvir com mais cuidado. Eu, assim como ele, penso duas vezes antes de falar, principalmente numa discussão, até porque eu quero que ele entenda exatamente o que eu quero dizer e não vir depois com a desculpa de que eu não me expressei direito e por isso ele entendeu outra coisa. Acabo escolhendo com cuidado as palavras na hora de me expressar e ele, por sua vez, ouve com mais atenção do que seria o normal.

As diferenças culturais mesmo, na verdade, não pesam. Elas aparecem em detalhes, em conversas de uma forma geral, em coisas práticas do dia a dia, em brincadeiras etc. Como por exemplo, o ruivo sempre defender o modo dinamarquês de fazer as coisas, que é “sempre melhor”, mais inteligente, mais prático, mais econômico e blablabla; ou eu me recusar a lavar a louça do jeito dinamarquês, que é nojento e blablabla… Nada sério demais.

Mas hoje li numa comunidade do orkut, uma menina que tem uma comunidade sobre “pais binacionais” (criar filhos com duas culturas), chamada Curumim, dizer que quando o casal tem filhos essas diferenças gritam. Isso me fez pensar bastante, por que hoje mesmo tivemos uma discussão sobre furar a orelha da menina quando ainda é bebê. Ouvimos no rádio (ele ouviu e foi traduzindo pra mim, claro) uma mulher brasileira contar que quer furar a orelha da filhinha de 4 meses e o marido dinamarquês é contra. Jonas concordou plenamente com o cara. Os dois acham de um egoísmo sem tamanho, que furar a orelha do bebê agora é pra satisfazer um mero capricho da mãe e que é preferível esperar a menina decidir se quer ou não. Poxa! Mero capricho??? Se for por aí, colocar vestido rendadinho e xuxinha no cabelo também são meros caprichos da mãe, né? Mas aí eles argumetam como se furar a orelha fosse uma agressão enorme ao bebê.

Ai gente! Ter filhos ainda está bem longe nos nossos planos e já estamos tendo divergências nesse assunto? Fala sério! Minha filha vai ter brinquinhos sim senhor, ô seu viking!

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PS: A Aninha me alertou para um possível problema no meu sistema de comentários. Vocês conseguem ver o link “Comentaí” no parte inferior direita do post? Espero que sim, mas por via das dúvidas eu coloquei a disposição um segundo sistema, que fica no link “… ou aqui”, em caso de pane do primeiro! Agora ninguém tem mais desculpa de sair calado! ;)

Escrito por Cat em quotidiano


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