8 March 2005 | 23:03
Århus, 8 de março de 1975
“Mulheres, organizem-se!”
Hoje Jonas comentou comigo casualmente que hoje era o dia da “luta”. – Que luta?, eu perguntei. – Ué! A luta das mulheres por direitos iguais!, o ruivo respondeu. Aí me toquei que era o Dia Internacional da Mulher. Ele me explicou que em dinamarquês se fala Kvindernes Kampdag, que significa literalmente Dia da Luta das Mulheres. Depois, conversando sobre isso com a
Gi no telefone, ela comentou que alguma coisa sobre essa data envolvia a Dinamarca. Então fui pesquisar porque realmente eu não sabia muito sobre o porquê da data.No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecido em Nova Iorque se mobilizaram num protesto sobre suas más condições de trabalho. As aproximadamente 130 operárias acabaram morrendo queimadas numa ação violenta da polícia que tentava conter a manifestação. Em 1913, durante uma conferência mundial das organizações socialistas realizada aqui na Dinamarca, o dia 8 de março foi escolhido como a data para homenagear a luta de igualdade de direitos entre os homens e as mulheres.
O ruivo não gosta de datas especiais pra pessoas ou ocasiões. Ele acha tudo uma desculpa mercenária. Já eu acho legal que tenha uma data que valorize e intensifique a importância, nesse caso, da luta que as mulheres travaram (e ainda travam!) por seus direitos e contra o preconceito e discriminação.
MULHER LONGEVA(Renata Pallottini)
Quando nasceu menina
O pai disse: “que pena”.
Cresceu apesar disso,
Uma criança morena.
Conseguiu completar
O quarto ano do grupo.
Ajudava na casa.
E se acabou o estudo.
Casou jovem e virgem.
Não lhe valeu de nada.
Fez docinhos caseiros,
O marido a espancava.
Também fez seus 3 filhos.
Para não fazer mais
Aceitou coito oral,
Aceitou coito anal,
Aceitou coito anual.
Hoje, aos setenta anos,
Faz fila em hospitais,
Recebe uma pensão
De cem reais mensais.
E está aí, sobrevivente,
Incomodando o Presidente.
(Extraído da Agenda da Tribo do ano 2001)
Fonte: Usina de Letras
Artigo com poema: aqui
Escrito por Cat em Dinamarca,
reflexões
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[...] Lembrei também de como meu pai sempre trazia flores pra ela nesse dia, sempre acompanhado de cartãozinho com um poema de autoria própria. Eu mesma recebi flores dele muitas vezes, até quando ainda era pirralhinha, quando não achava que encaixava em nada no termo “mulher” (que pra mim tinha relação direta com maquiagem, salto alto e namorados), mas mesmo assim, ou por isso mesmo, eu adorava e ficava muito orgulhosa. Fiz um doce e reivindiquei ao ruivo minhas flores. Ele me olhou confuso e disse que me dar flores no dia de hoje é um gesto que contradiz o que o dia representa, que é a luta da mulher pelos direitos iguais. Aliás, aqui na Dinamarca o dia de hoje é conhecido como “Dia internacional da luta da mulher” (escrevi um post sobre esse assunto há ano atrás aqui). Rebati dizendo que receber flores de um homem está longe de representar submissão, mas sim um gesto de carinho. Tanto que eu não vejo o menor problema em presenteá-lo com flores (o que me fez lembrar que eu preciso fazer isso um dia!). Mas aí descambamos numa discussão sobre feminismo que não é exatamente o intuito desse post. [...]