Mais frio e cavalos
E a brincadeira continua! Tem feito um frio danado esses dias! 3 graus abaixo de zero e ventando muito, o que faz com que pareça estar muito mais frio do que está na realidade. Está prevista pra amanhã uma outra tempestade de neve, e por isso a mãe do Marcus me deu o dia livre pra eu curtir embaixo do meu cobertor tão querido! Agora eu sei como uma criança nórdica se sente num dia de neve. Em dia de neve não tem escola! YES!
Agora vou contar um pouquinho mais sobre o meu trabalho com os cavalos na fazenda. Quem acha que eu sei tudo sobre cavalos está muito, mas muito enganado mesmo. Mais leiga, impossível. Mas eu adoro animais, sou curiosa e não tenho medo de trabalho. Então, desde que fiz o primeiro contato com a família por email e li a descrição do que seriam as minhas tarefas, eu fiquei animada! Encarei como uma oportunidade rara de ter uma experiência com cavalos, além, claro, de ser A oportunidade de finalmente ter meu visto e continuar morando com meu ruivo.
Bom, geralmente eu chego lá e Eva (mãe do Marcus) já alimentou os cavalos. Então o que eu preciso fazer pra começar é soltá-los no campo. Eles já estão ansiosos pra sair do box deles, que em português se chama baia. Então eu levo com cuidado um a um pro lado de fora. Os meninos ficam de um lado e as meninas de outro, separados por uma cerca, pra não brincarem do que não devem. Nessa hora normalmente eu não tenho problemas porque eles cooperam direitinho de tanta vontade que estão de sair.
Então eu volto pro estábulo e faço a “caminha” deles espalhando bastante palha no chão de cada baia. Na verdade, cada cavalo tem sua dose particular de palha, já que uns são bem porcalhões e outros são mais limpinhos. Essa é a parte braçal e mais cansativa. Pra quem não sabe, a palha vem em grandes blocos prensados, esse bloco é separado em camadas no sentido vertical. Normalmente essas camadas se separam facilmente, mas as vezes elas caem uma por cima da outra e fica bem difícil de retirar a palha. É preciso usar aquele garfão (ancinho) pra puxar a palha pouco a pouco. Haja braço!
Depois é a hora da comida. Eles comem feno, que parece com a palha, mas tem um cheiro mais forte e não é tão seco. O feno vem disposto da mesma maneira que a palha, só que por ser mais pesado não cai nem se desfaz, o que torna tudo mais fácil. Além do feno, eles também comem ração. Cada um come uma determinada quantidade, então eu preciso ficar de olho no quadro que descreve cada um pra não me confundir. No final do dia, lá pelas 5 eu os coloco pra dentro. De vez em quando eles fazem doce, fingem que não me vêem, etc. Já que, compreensivelmente, não estão assim tão afim de voltar pras baias.
Uma das coisas interessantes de lidar com os cavalos é perceber como cada um tem sua personalidade, suas esquisitices e manias. Por exemplo, Carno, o mais velho, não gosta de andar no molhado. Ele é enorme, então não adianta eu empurrar com toda a minha força pra fazer ele andar pela lama porque ele não se move nem um milímetro. Outra engraçada é a Anita, a chefona do grupo. Ela precisa ser a primeira sempre! A primeira a sair da baia, a primeira a ser alimentada, a primeira a voltar pro estábulo, caso contrário ela fica furiosa e relincha como uma louca.
Tratar deles tem sido uma terapia pra mim, além de um bom exercício físico (só assim pra eu sair do meu sedentarismo). Até agora eu aprendi que pra ganhar o respeito do cavalo você precisa mostrar segurança no que está fazendo, confiança no seu taco e deixar claro que quem está no comando é você. Mas a maneira de fazer isso tudo depende de cada cavalo. É necessário tempo e bastante convivência pra conhecer um a um e então saber como lidar com eles. Ainda estou bem no comecinho dessa aprendizagem e estou gostando.
Escrito por Cat em frio, trabalho____________________________________________________________


