28 February 2005 | 17:29

E agora? O que eu faço? Cheguei hoje do trabalho às 14h e sentei pra relaxar e assistir tv. Tinha um pote de
Nutella em cima da mesa, ele estava praticamente cheio. Distraidamente eu fui dando umas colheradas. Colher de café, sabem? Bem pequenininha… Mas quando me dei conta o pote estava completamente vazio!!! Não! Não pode ser! Que eu me lembre foram só duas ou três colheradas…Que coisa feia, Cátia! O que o ruivo vai dizer? Eu sei o que ele vai dizer: Que nojento!
Nutella é pra se comer com pão!!! Aos pouquinhos! Isso não é saudável! Assim mesmo que ele vai falar. Mas é que ele não entende, ele não é ligado em chocolate do jeito que eu sou. Se fossem as horrosas balas dinamarquesas, as
lakrids, ele ia entender, ia até me consolar! Mas sinceramente eu também não entendo, é tão doce! Como eu não enjôo? Como?
Não que eu esteja preocupada com meu peso, não é isso! Quero mais é engordar, não entrar mais em minhas calças, dar boas vindas aos meus pneus e todas essas coisas que nunca experimentei. Eu fico preocupada é com o meu orçamento! Nutella não é exatamente um artigo barato no supermercado. Um pote de 350g custa geralmente 20 coroas dinamarquesas, equivalente a 10 reais. Se eu continuar nesse ritmo, ou seja, consumindo 1 pote por semana a coisa vai pegar!
Escrito por Cat em abobrinhas |
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27 February 2005 | 16:38

Outro dia, depois de muita procura e ansiedade, assisti o filme
Antes do pôr-do-sol (2004), continuação de
Antes do amanhecer (1995). Antes do amanhecer, pra quem não viu, é um filme sensível que mostra duas pessoas de culturas diferentes mas com muitas afinidades, que se conhecem num trem na Europa, decidem saltar em Viena e passar juntos as últimas horas até o vôo de um deles de volta pra casa. O filme é uma conversa ininterrupta deliciosa sobre vários assuntos diferentes. Foi um filme que realmente marcou minha adolescência.

Antes do pôr-do-sol conta o que acontece depois. Espero não estragar o encanto de vocês ao ver o filme, então quem ainda quiser ver o filme e gostar da surpresa total, feche o blog agora!

Não que eu vá contar a história do filme, eu quero apenas contar o efeito que teve sobre mim, mas claro que vou revelar alguns detalhes. Então uma vez avisados, aí vai:
Eu assisti o filme inteiro com um frio na barriga e em estado de graça. Adorei! Mexeu demais comigo! Por várias razões. Uma delas é que o filme se passa em Paris! Ver as imagens deslumbrantes de Paris me deu uma saudade das grandes. Saudade das minhas caminhadas solitárias por ruelas charmosas quando estava de bode por algum motivo, caminhar ao lado do rio Sena num fim de tarde, ouvir e falar francês… Saudades de uma época complicada, mas mesmo assim muito gostosa da minha vida!
Outro motivo, o mais significativo, é que o filme retrata aquela conhecida
sensação do “E se…”: E se eu tivesse aceitado trabalhar naquela empresa maior, mesmo tendo de me arriscar mais?; E se eu não tivesse casado com meu namorado de infância e sim com aquele cara que conheci naquela viagem? Ou seja, todas aquelas possibilidades que você deixou passar por achar que seria loucura, muito complicado e que não daria certo.
Lembrei de como uma vez alguém me disse que amor/relacionamento é conveniência, e de como eu cheguei a acreditar mesmo nisso! Que você está com seu namorado porque, além de gostar dele, ele é conveniente de alguma forma pra sua vida agora. Eu costumava ser bastante cética e prática, e isso então fazia muito sentido na minha cabeça. Mas uma coisa bem inusitada aconteceu na minha vida, que acabou causando um processo de desconstrução de ideais bem complicado: Me apaixonei pelo Jonas! Um cara muito diferente de mim e que pra piorar vivia do outro lado do mundo!
Agora me diga exatamente onde está a conveniência do meu relacionamento com o Jonas? Sinceramente eu não vejo nenhum aspecto prático. Além de sermos tipos de pessoas diferentes, somos de culturas diferentes, precisamos nos esforçar mais do que o normal pra respeitar o espaço um do outro, sem mencionar o fato de que um de nós precisa abdicar de viver no seu país natal para viver no país do outro. A única conveniência que consigo enxergar é o fato de nos darmos muito bem e nossa convivência tornar tudo bem menos pesado.
Mas voltando ao filme, eu o assisti de cabo a rabo com uma certa satisfação por não ter, de cara,
visto a minha história com o Jonas como impossível e desistido. Na verdade, eu vi sim a nossa história como impossível, levei na esportiva no início, tentei me interessar por outras pessoas, mas não adiantou. Pouco a pouco tudo ia se encaixando tão bem entre nós, que nada parecia mais certo! Nem todos os problemas e obstáculos pra concretizar o nosso romance pareciam nos convencer a desistir. E aos poucos também o meu processo de desconstrução dos meus ideais, há tempos estabelecidos, foi se desenrolando. Até hoje, aliás! É um processo lento, em que tudo aquilo que eu sonhei pra minha vida não faz mais tanto sentido e que chegou mesmo ao ponto de eu não saber mais quais eram meus sonhos, já que não tinha mais como ter idéia do que seria meu futuro como tinha antes. Ainda não tenho, mas já consigo enxergar novos sonhos pra mim, muito diferentes dos anteriores.
Numa cena do filme, a personagem de Celine diz uma coisa que eu acredito bastante. Que quando somos jovens, nós acreditamos que vamos encontrar inúmeras pessoas com quem teremos afinidades, nos sentiremos completamente à vontade e “completos”, mas quando o tempo passa percebemos que as possibilidades disso acontecer não são tão grandes assim.
Pra finalizar, o filme é muito bom! Além da história, que me tocou bastante, ele tem como mérito um ótimo roteiro, com cenas muito bem gravadas! Vale a pena!
Site oficial do filme Antes do pôr-do-sol aqui.
Escrito por Cat em quotidiano, reflexões |
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23 February 2005 | 12:23
Estou fazendo algumas mudanças no blog sempre que tenho um tempinho. Talvez vocês não tenham notado, mas dei uma melhorada nos links da coluna esquerda. Agora tem algumas seções :
Quem? – onde eu faço uma apresentação rápida sobre Jonas e eu;
Posts – que independente da seção em que você esteja no blog você pode voltar para a página
principal;
Arquivos – onde tem o blog inteiro separado por meses, desde o começo (mas ainda estou consertando todos os links quebrados e imagens desaparecidas);
Eu na net – outros espaços virtuais meus;
Blogs – uma lista de blogs que eu leio;
Au pair – uma seção onde eu procuro explicar o que é o programa de au pair e indicar sites
interessantes (ainda em fase de construção);
Links – links gerais que eu gosto de visitar;
Nossas fotos – links para as nossas fotos
Contato – meu email e do Jonas para contato.
Ah! Outro detalhe! Estou passando a dar respostas aos comentários, nos próprios comentários! Então dêem uma olhadinha por lá.
Escrito por Cat em quotidiano |
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22 February 2005 | 22:12
E a brincadeira continua! Tem feito um frio danado esses dias! 3 graus abaixo de zero e ventando muito, o que faz com que pareça estar muito mais frio do que está na realidade. Está prevista pra amanhã uma outra tempestade de neve, e por isso a mãe do Marcus me deu o dia livre pra eu curtir embaixo do meu cobertor tão querido! Agora eu sei como uma criança nórdica se sente num dia de neve. Em dia de neve não tem escola! YES!
***
Agora vou contar um pouquinho mais sobre o meu trabalho com os cavalos na fazenda. Quem acha que eu sei tudo sobre cavalos está muito, mas muito enganado mesmo. Mais leiga, impossível. Mas eu adoro animais, sou curiosa e não tenho medo de trabalho. Então, desde que fiz o primeiro contato com a família por email e li a descrição do que seriam as minhas tarefas, eu fiquei animada! Encarei como uma oportunidade rara de ter uma experiência com cavalos, além, claro, de ser A oportunidade de finalmente ter meu visto e continuar morando com meu ruivo.
Bom, geralmente eu chego lá e Eva (mãe do Marcus) já alimentou os cavalos. Então o que eu preciso fazer pra começar é soltá-los no campo. Eles já estão ansiosos pra sair do box deles, que em português se chama baia. Então eu levo com cuidado um a um pro lado de fora. Os meninos ficam de um lado e as meninas de outro, separados por uma cerca, pra não brincarem do que não devem. Nessa hora normalmente eu não tenho problemas porque eles cooperam direitinho de tanta vontade que estão de sair.
Então eu volto pro estábulo e faço a “caminha” deles espalhando bastante palha no chão de cada baia. Na verdade, cada cavalo tem sua dose particular de palha, já que uns são bem porcalhões e outros são mais limpinhos. Essa é a parte braçal e mais cansativa. Pra quem não sabe, a palha vem em grandes blocos prensados, esse bloco é separado em camadas no sentido vertical. Normalmente essas camadas se separam facilmente, mas as vezes elas caem uma por cima da outra e fica bem difícil de retirar a palha. É preciso usar aquele garfão (ancinho) pra puxar a palha pouco a pouco. Haja braço!
Depois é a hora da comida. Eles comem feno, que parece com a palha, mas tem um cheiro mais forte e não é tão seco. O feno vem disposto da mesma maneira que a palha, só que por ser mais pesado não cai nem se desfaz, o que torna tudo mais fácil. Além do feno, eles também comem ração. Cada um come uma determinada quantidade, então eu preciso ficar de olho no quadro que descreve cada um pra não me confundir. No final do dia, lá pelas 5 eu os coloco pra dentro. De vez em quando eles fazem doce, fingem que não me vêem, etc. Já que, compreensivelmente, não estão assim tão afim de voltar pras baias.
Uma das coisas interessantes de lidar com os cavalos é perceber como cada um tem sua personalidade, suas esquisitices e manias. Por exemplo, Carno, o mais velho, não gosta de andar no molhado. Ele é enorme, então não adianta eu empurrar com toda a minha força pra fazer ele andar pela lama porque ele não se move nem um milímetro. Outra engraçada é a Anita, a chefona do grupo. Ela precisa ser a primeira sempre! A primeira a sair da baia, a primeira a ser alimentada, a primeira a voltar pro estábulo, caso contrário ela fica furiosa e relincha como uma louca.
Tratar deles tem sido uma terapia pra mim, além de um bom exercício físico (só assim pra eu sair do meu sedentarismo). Até agora eu aprendi que pra ganhar o respeito do cavalo você precisa mostrar segurança no que está fazendo, confiança no seu taco e deixar claro que quem está no comando é você. Mas a maneira de fazer isso tudo depende de cada cavalo. É necessário tempo e bastante convivência pra conhecer um a um e então saber como lidar com eles. Ainda estou bem no comecinho dessa aprendizagem e estou gostando.
Escrito por Cat em frio, trabalho |
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19 February 2005 | 18:30
Essa semana que passou foi a primeira semana de trabalho pra valer, já que nas outras eu estava indo pouco a pouco, conhecendo devagar a rotina da casa, me habituando com o Marcus e com os cavalos. A mãe viaja à trabalho geralmente dois dias por semana, então eu fui dormir lá de terça até quinta já que ela precisava viajar bem cedinho na quarta e só voltaria na quinta à noite. Ela estava super preocupada porque seria a primeira vez que eu ficaria completamente sozinha com o Marcus e com os cavalos. Eu estava tranquila, já estava me sentindo super segura com os cavalos. Só a parte sobre minha comunicação com o Marcus que me deixava um pouco apreensiva. Mas como eu sabia que ele iria passar o dia na creche e depois dormir na casa do pai, nem me preocupei.

a casa
Então ela saiu bem cedinho na quarta, Marcus se esguelou de chorar na despedida e fui tentar consolá-lo e convencê-lo a ir tomar café. Nada adiantava! Ele continuava chorando e balbuciando a mesma frase sem parar. Depois de muito esforço consegui entender que ele dizia: “Jeg vil ring til min mor” (eu quero ligar pra minha mãe). Então fui eu lá correndo com ele ligar pra ela enquanto ela ainda estava a caminho do aeroporto. Depois de dois minutos conversando com a mãe no telefone ele parou de chorar como num passe de mágica e desceu comigo pra tomar café numa boa! Eu fiquei maravilhada! Daí comecei a me preparar psicologicamente pra enfrentar no mínimo 15 minutos andando na neve pra levar Marcus pra creche (porque infelizmente ainda não tenho carteira de motorista!), mas o pai dele apareceu de surpresa pra nos poupar esse trabalho!

os fofos
A partir daí eu tinha o dia inteiro só pra cuidar dos cavalos e dar um jeitinho na casa. Dei comida aos cavalos bem cedo, depois de uma hora os soltei sem grandes surpresas e prendi de novo lá pelas 5 horas da tarde. Eles são uns fofos! Só tem uma fêmea, a mais nova, que é meio louca. Mas ela decidiu ser bem boazinha comigo e se comportou. Foi tudo assim super tranquilo nos dois dias. A diferença foi que na quinta eu precisei ir buscar Marcus na creche, enfrentando os tais 15 minutos na neve. Levei aquele trenozinho pra voltar puxando ele pela neve, o que foi uma idéia brilhante porque além de deixar ele todo empolgado, foi muito mais rápido do que se ele fosse andando.
Passamos a tarde inteira tentando nos entender. Apesar de toda a minha angústia de não conseguir me comunicar direito, esse tempo com ele me forçou a falar dinamarquês. Eu não tinha opção! O que foi ótimo! O bom é que ele é super paciente e repetia trocentas vezes se necessário fosse até eu entender.
Num certo momento quando estávamos brincando na neve ele pegou um pedaço de gelo e começou a chupar como um picolé! Eu fiquei horrorizada e produzimos o seguinte diálogo:
Eu: Marcus! NEJ! (Marcus! NÃO!)
Ele: Hvofor???? (Porque????)
Eu: …….. (sem saber como dizer que era sujo)
Ele: Det smager godt! (É gostoso!)
Eu: …….. (ainda sem saber como argumentar)
Ele: Hummmmm! (saboreando o gelo)
Eu: Ok… (dando de ombros e desistindo)
Fazer o que?
Escrito por Cat em línguas, trabalho |
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15 February 2005 | 09:31
Nada de sol e não para de nevar!
Por enquanto ainda não estou reclamando!
Escrito por Cat em abobrinhas, frio |
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12 February 2005 | 20:31

Tava previsto tempestade de neve pra hoje aqui na Dinamarca. Quando o ruivo leu isso no jornal hoje pela manhã eu dei uma risadinha. Não acreditava mesmo. Porque não acreditava? Porque esse inverno tem sido um dos mais quentes dos últimos cem anos! Normalmente neva quando a temperatura está abaixo de zero. Desde que eu cheguei em dezembro do ano passado até hoje só tinha nevado duas vezes e derretido tudo no dia seguinte. Raramente a temperatura tem estado abaixo de zero, esse inverno tem ficado entre 0 e 7 graus.

Hoje depois do almoço a neve começou a cair timidamente e pouco a pouco foi aumentando até virar a tempestade mencionada pelo jornal. Eu tinha combinado com a Gi (brasileira que está morando aqui em Århus) dela vir aqui jantar com a gente. Então depois que a ventania braba passou, o ruivo e eu fomos até o supermercado comprar as coisinhas para o jantar (tipicamente dinamarquês que seria preparado por ele). Claaaro que levei a camera pra registrar essa neve toda pela rua! Os carros andando em camera lenta, as bicicletas atoladas na neve, o nosso boneco da neve… erhm… bem, como a neve não parava de cair e estava frio pra burro resolvi deixar pra fazer o meu primeiro bonequinho amanhã.
Não reclamei nem um tiquinho de ter que ir no supermercado dessa vez. Eu já tava achando esse inverno muito sem graça sem nenhuma neve pra dar aquele toque charmoso. Fui toda serelepe enterrando meus pés na neve, correndo atrás do Jonas e fugindo dos ataques de bola de neve. Mas acabou que a Gi desistiu de vir porque os ônibus não estavam rodando normalmente e ela estava assustadíssima com tanta neve.
No problem! O jantar fica pra amanhã, que aliás está previsto pra fazer sooool.
Todas as fotos aqui.
Escrito por Cat em frio, quotidiano |
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12 February 2005 | 19:31
Escrito por Cat em imigração, reflexões |
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10 February 2005 | 10:50
O post anterior recebeu um comentário interessante de uma também imigrante brasileira aqui na Dinamarca, na mesma situação que eu pelo o que eu entendi.Oi Valentina! Eu entendo perfeitamente o seu ponto de vista com relação a imigração aqui, cada um tem suas razões pra defender uma bandeira. Mas eu vejo essa questão com outros olhos e vou aproveitar o seu comentário pra explicar a minha opinião sobre o assunto. Espero que você não se importe também!
Eu acredito que “o buraco é mais embaixo”. Os imigrantes na Dinamarca não invadiram o país contra a vontade de ninguém. Eles foram praticamente convidados a entrar. Na década de 70 a Dinamarca tinha emprego demais e pouca mão de obra, então eles resolveram “abrir as portas” para os estrangeiros. Só que o país não estava preparado pra receber os estrangeiros e lidar com a condição de imigrantes deles. Eles não tiveram o suporte necessário quando precisaram para uma boa integração no novo país. Imagina que você caia de paraquedas numa cultura completamente diferente da tua, com outra língua, outros hábitos e todos te olham atravessados pela cor da sua pele ou seu sotaque complicado. Que incentivo você vê para se esforçar em se integrar? Na minha opinião nada mais humano do que se fechar para o desconhecido numa situação dessas, e viver na sua própria cultura tão familiar e menos complicada.
Não estou dizendo que concordo com esse tipo de atitude, apenas entendo. E acredito que é um grande ciclo vicioso. Os árabes, indianos e europeus do leste hoje são classificados como os “maus imigrantes”, como você descreveu, porque desde o início foram marginalizados e discriminados. Para mim isso é uma simples questão de ação e reação. Simplificando bastante: você está de mau humor, mas seu chefe te recebe no escritório com um grande sorriso e uma saudação bem amigável, você naturalmente vai sorrir de volta e ser tão simpática quanto ele, certo? Se assim que chegaram os estrangeiros não se sentiram bem-vindos nem tiveram apoio para se integrarem e pra piorar foram marginalizados, natural que eles se fechem em comunidades reclusas com sua cultura, se revoltem e infelizmente passem esse tipo de atitude de pai pra filho. Esses “maus estrangeiros que só dão trabalho” são revoltados porque não conseguem emprego. Acredito que eles contribuiriam mais com o governo dinamarquês se tivessem mais oportunidades de emprego e não precisassem depender desse mesmo gorverno pra sobreviver.
A mesma coisa acontece no Brasil, como você comparou. Os nordestinos não saem das suas regiões com a clara intenção de roubar o emprego de ninguém. Eles partem para o sul simplesmente porque não vêem outra opção de sobrevivência onde estão. Rio/São Paulo sendo pólos industriais são sinônimo de emprego pra muita gente de outras regiões menos favorecidas. Esse problema é muito antigo e nós conhecemos bem as consequências. A “culpa” não é só dos nordestinos, árabes, indianos, europeus do leste, mas do governo que não dá suporte.
Quando vemos o problema já formado e na situação em que se encontra tendemos a simplificar demais as coisas e colocar a “culpa” só nos “maus imigrantes”. Mas que tal parar pra pensar em como isso tudo começou e se eles são mesmo os únicos malvados da história?
Por tudo isso fico muito triste que o lado errado ganhou as eleições na terça! O ponto principal da camanha deles é o problema da imigração e na minha opinião isso só ajuda a aumentar o ódio e o preconceito contra os imigrantes.
Valentina, espero que você tenha entendido um pouco melhor o meu ponto de vista.
Beijo.
(update – 13/02)
-Considerações-
Obviamente que citar os nordestinos num tema sobre imigração é totalmente sem sentido uma vez que no Brasil eles são brasileiros como qualquer outro e têm o direito de ir e vir, como enfatizou a Antonieta muito bem. A minha intenção nesse post (apesar de não ter sido clara o suficiente) era de lembrar que o preconceito contra os nordestinos teve uma razão de ser, originada há muito tempo atrás com o êxodo rural (migração interna), que aliás existe até hoje. Citei os nordestinos também para responder ao comentário feito no post anterior em que foi feita tal comparação.
Escrito por Cat em Dinamarca, imigração, reflexões |
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7 February 2005 | 01:49
Oi Flavia! 
Obrigada muito mesmo pela torcida, pela força e pelo carinho!
Desculpa, mas vou aproveitar parte do seu comentário pra falar sobre alguns pontos do problema da imigração por aqui, ok? Espero que não se importe! Beijo grande da cunhadinha! Saudade!
Essa questão da imigração, não é uma simples questão de organização. Não quis me exaltar muito aqui no blog, porque não gosto de discutir sobre política. Mas vou explicar um pouquinho como a coisa acontece do ponto de vista de quem está dentro do problema.Essas leis são super castradoras e atrapalham a vida e a felicidade de muita, mas muita gente mesmo! Essas leis foram criadas pra evitar a vinda em massa dos árabes, indianos e europeus do leste. Mas além de dificultar a vinda deles, dificulta também a vida dos próprios dinamarqueses que escolheram se casar com estrangeiros. As leis que eu citei são apenas as que nós acreditamos que teremos mais dificuldade em dar conta, mas tem muitas outras, que parecem detalhes mas que acabam atrapalhando demais muitos casais nessa situação. E o problema não é só essa questão do casamento, mas também o tratamento com a imigração em geral.
O governo atual já é severo mas esse partido que eu comentei, pra quem a menina estava panfletando, está próximo demais de um nazismo “disfarçado”. A líder do partido já disse que não quer que os imigrantes se integrem, ela quer que eles voltem o mais rápido possível para o país deles e que fiquem por lá. Já dá pra sentir o clima do que seria esse governo, né?
Jonas acabou de fazer 23 anos. Teoricamente nós não precisamos esperar tanto assim, mas tem pessoas que se casam com 20. Não é justo tirar a liberdade da pessoa de decidir quando se casar ou não. Sem falar na questão do dinheiro! 53 mil DKK não é qualquer coisa, nem para padrões dinamarqueses! No nosso caso, Jonas é só um estudante que recebe ajuda do governo pra poder estudar e eu serei uma mera au pair nos próximos meses. Se eu citar o preço do aluguel de um apartamento bem modesto por aqui vocês caem pra trás!
Ser imigrante é muito delicado e complicado, mas num país que não te recebe exatamente de “braços abertos” é mais ainda. Onde você precisa procurar meios alternativos pra poder ficar legalmente, o que muita gente não consegue! E mesmo aqueles que são abençoados com o visto de permanência ainda podem esperar muito por uma oportunidade de trabalhar e ser taxado eternamente de imigrante. Imigração é uma questão muito séria na Europa, berço de muito preconceito racial.
Eu me considero uma grande sortuda com essa possibilidade de ser au pair, poder estudar e ficar com o ruivo! Apesar do que possa parecer depois desse post, eu sou muito otimista e tenho fé de que vai dar tudo certo conosco, que eu vou poder um dia falar dinamarquês fluentemente e trabalhar em algo que eu goste. Só quis esclarecer certos aspectos da vida num país estrangeiro pra quem talvez acredite que tudo é muito fácil e melhor quando se está fora do Brasil.
Escrito por Cat em Dinamarca, imigração, reflexões |
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