Oh! Mes petits….

27 October 2004 | 18:35

Essa semana eu recebi uma carta da família pra quem eu trabalhei como au pair na França, com uma carta de referência pra me ajudar em eventuais futuros trabalhos e umas fotos dos meus pimpolhos franceses. Que saudade dessas duas figuras!

Apesar de toda a dificuldade que eu tive (e não foi pouca!) eu me apeguei demais a eles. O mais velho (4 anos na época) era um diabinho, foi muito complicado aprender a me relacionar com ele. Mas depois de um tempo (infelizmente muito tempo), eu comecei a entendê-lo e enxergar nele mais do que um garotinho mimado, pirracento e arrogante. Pude perceber que ele tinha muitos problemas de timidez, auto-crítica e estresse; e que ele sofria muito com isso. Pra uma leiga em crianças como eu, era bem complicado entender que uma criança de apenas 4 anos sofresse com esses problemas "de adulto". Depois de muita cabeçada nós nos entendemos e nos conquistamos. Ele é um artista! Ótimo desenhista, me ensinou tudo o que eu sei sobre desenhar animais! :)

Já a minha relação com o mais novo (2 anos na época) sempre foi um mar de rosas! Ele me conquistou desde a primeira semana. Sempre bem-humorado, brincalhão, obediente, etc. Não foi nada difícil aprender a lidar com ele! Quando eu cheguei lá, ele só balbuciava "mama", "papa", "dada" e semelhantes. Eu tive o privilégio de acompanhar a evolução dele até ele se tornar o anjinho tagarela que eu deixei ao ir embora. "Catiá" foi uma das primeiras palavras que ele falou e eu, claro, não coube em mim de tanta felicidade! Desde o princípio eu me acostumei a chamá-lo de bebê e não pelo seu nome. Quando finalmente aprendeu a falar, ele deixou bem claro pra mim que o nome dele não era bebê e que ele não gostava desse apelido. Mas já era tarde, eu não conseguia chamá-lo pelo nome e ele acabou acostumando e pedia mais! :) Assim que eu botava o pé dentro de casa ele gritava lá do quarto: "Catiá, tu peux dire bébé?" (Cátia, você pode me chamar de bebê?). Detalhes bobos que iluminavam o meu dia!

Depois dessa minha experiência eu adiquiri um olhar com relação as crianças completamente diferente do que eu tinha antes. Antes era tudo muito bonitinho e engraçadinho, mas com cada um no seu canto. Depois de um certo tempo a criança já se tornava muito chatinha pro meu gosto. Agora eu sinto muita falta daquela convivência, daquele apego, do carinho inocente, das pequenas descobertas, de acompanhar o mundo de um ser humano se desenvolvendo. É muito gostoso!

Hoje quando eu vejo uma grávida na rua, uma mãe encantada falando do seu bebê, uma cena de nascimento na televisão eu fico toda derretida, emocionada. Hoje eu me identifico com isso tudo. Hoje eu sei que eu quero ter a minha hora também. Engraçado que há uns anos atrás a idéia de ser mãe nem passava pela minha cabeça. Mas acho que isso não se deve só à minha experiência com crianças não. Acho que estar apaixonada por um cara incrível e sentir que esse amor é recíproco faz com que eu sonhe com meus pimpolhos com ele (e o mais gostoso é que ele sonha junto comigo). Mas é só sonho gente, calma! ;)

Escrito por Cat em França, memórias, ruivo & eu


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