Minha experiência
Sempre pensei em morar fora do Brasil por um tempo, por curiosidade, para conhecer novas culturas, para um crescimento pessoal e profissional, etc. Mas esses planos não pareciam muito reais, nem praticáveis para mim pois minhas prioridades eram outras: faculdade, decidir minha carreira e conquistar minha independência. No entanto, minhas prioridades mudaram de rumo quando conheci alguém especial, mas bem longe de mim. Na época eu tinha 23 anos, tinha me formado e ainda trabalhava num estágio da minha faculdade. Eu já tinha vindo à Dinamarca conhecer meu viking e ele ido ao Brasil conhecer minha família e minha terra, mas sabíamos que não poderíamos arcar com constantes viagens Brasil-Dinamarca e estávamos encurralados nessa sinuca sem saber o que fazer.
Foi diante dessas circunstâncias que decidi: "Vou pra França como au pair! Se eu não for agora, provavelmente não vou nunca mais!" As vantagens eram muitas: fico mais perto desse viking, nossas viagens ficam mais viáveis, vivo essa experiência de viver fora que sempre sonhei e praticando a língua que tinha estudado por tantos anos. Nesse período de um ano como au pair na França, o viking e eu teríamos mais oportunidades de nos conhecermos melhor e amadurecer esse relacionamento que parecia tão irrealizável. Se não fosse pra ser, tudo bem! Eu teria adquirido uma experiência de vida valiosa e estaria com a consciência limpa por não ter deixado uma possível história de amor feliz escapar por puro comodismo.
O que aconteceu a seguir foi exatamente o que planejamos e pretendíamos: amadurecemos nosso relacionamento, decidimos que queríamos mesmo estar juntos e vivemos momentos inesquecíveis visitando um ao outro nesse período.
Uma amiga da faculdade tinha ido para Paris como au pair fazia algum tempo. Mandei então um email para ela perguntando o que ela achava da idéia, se ela tinha gostado da experiência, etc. Ela respondeu me dando muita força, então eu me animei. Me cadastrei em vários sites (gratuitos) de au pair e comecei a minha busca por famílias hospedeiras. Para minha surpresa, essa minha amiga me escreveu novamente uns dias depois, comentando que sua ex-família hospedeira comentou com ela que estava procurando outra au pair e ela tinha me indicado.
Troquei emails e telefonemas com a família, acertei tudo no consulado e pouco tempo depois estava desembarcando no coração de Paris. Nos primeiros 4 meses eu tinha meu quartinho, com cozinha, televisão, etc, no último andar do mesmo prédio onde ficava o apartamento da família. Nos meses restantes a família se mudou e eu passei a dividir um apartamento com amigas que estavam morando em Paris na época. A família tinha dois meninos de 4 e 2 anos. Nunca liguei muito para crianças, mas depois dessa experiência me apaixonei completamente!
Minha experiência não foi perfeita. Não foi um mar de rosas. Primeiro porque eu não tinha experiência com crianças, e lidar com elas diariamente requer muita paciência e jogo de cintura. Segundo porque a mãe das crianças tinha um temperamento muito difícil e muito diferente do meu. O que requer até muito mais paciência e jogo de cintura.
Muitos dos meus erros foi por ser marinheira de primeira viagem e engolir seco muitas das coisas que me incomodavam e não conversar abertamente com a família. Apesar disso, não me arrependo de nada! Amadureci muito com essa experiência, aprendi muito sobre relacionamentos humanos, sobre tolerância e respeito. Aprendi a valorizar as pessoas pelo que elas têm de bom. Aprendi a valorizar o meu país pelo o que ele tem de bom. E o que acho mais importante: aprendi a tentar entender o comportamento das pessoas sempre pensando no ambiente em que ela vive, nas suas experiências de vida, e seus hábitos.
Eu acredito que viver numa cultura diferente da nossa nos ajuda a abrir os olhos pra muita coisa que temos como certas e óbvias na nossa vida, que existem realidades muito diferentes da nossa, e que o que separa o certo do errado é muito relativo e estreito. Ou seja, ser au pair me proporcionou, um amadurecimento pessoal, uma experiência de vida super rica. Por isso dou muita força para quem está interessado no programa!
Mas antes de você tomar essa decisão, é muito importante que você tenha consciência do que está por vir. Leia esse alerta para você ter uma idéia do que estou falando.


