18 November 2009 | 00:18
Completei ontem 30 aninhos.
Bem redondos.
Bem vividos.
Comemos um bobó de camarão regado a vinho branco e um bolo de chocolate feito pelo ruivo por dois dias seguidos. No domingo junto com a família do ruivo e ontem com uns amigos da faculdade. Meu bobó fez sucesso. Se bem que foi entre dinamarqueses que nunca provaram bobó antes, né? Mas modéstia à parte, fiquei bem satisfeita com o resultado.


Ganhei flores do pessoal da faculdade, da tia do ruivo e um bouquet muito especial direto do Brasil, da minha amiga Janaína.


Obrigada à todos pelas mensagens ontem. Muito bom se sentir abraçada, virtualmente ou não. ♥
Escrito por Cat em celebrando, eu-moi-mig |
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17 November 2009 | 23:02
Uma coisa que me incomoda na discussão sobre o caso da Geyse é o argumento “as coisas são assim, nossa sociedade é assim, sempre foi assim”. Pra mim esse argumento não faz o menor sentido. Porque as coisas são assim há muito tempo então quer dizer que está certo, que é aceitável? Giovanni explicou bem o que penso sobre isso aqui:
(…) é inconcebível justificar (ou explicar) que “as coisas são assim”, como se estivéssemos na era da barbárie, e qualquer mulher é presa fácil, portanto os homens, por instinto, que nem os cães seguem, tem a obrigação de comportar-se assim.
Há algum tempo as coisas eram assim:
- havia escravos que se não obedecessem os patrões iriam ser açoitados, talvez até a morte;
- Havia uma casta soberana, que ditava as regras, e ninguém poderia confrontá-las;
- Houve um tempo em que a palavra do Papa era final, para qualquer assunto;
- Houve tempo em que havia faraós e césares, que eram considerados deuses na terra, e sua palavra valia como dogma;
- Nâo há muito tempo, ai de quem dissesse qualquer coisa contra os governantes, que iria ser preso torturado, ou, quando não fossem encontrados, seus filhos poderiam ser seqüestrados como reféns para que os pais se entregassem (tenho um primo e um amigo que ficaram de reféns das forças de repressão da diatdura militar)…
SE está assim, está errado, as mulheres, como já dito por alguém aqui, deveriam ter o direito de sair nuas, ou vestidas da forma que quisessem, de casa, passar o dia todo vagando pelas ruas e voltar “a salvo” pra casa. O que tem que mudar não são as mulheres, quem tem que mudar é essa mentalidade doentia de vários homens, que tem medo de sua sexualidade e acham que se macho é atacar, estuprar, violentar…
Mas a campanha é contra TODAS AS FORMAS de violência contra as mulheres, e não apenas a clássica violência sexual
Ao meu ver a cultura de uma sociedade não é estática, ela está em constante transformação, e nós todos somos agentes dessa transformação. Não devemos ter que aceitar nada que não nos agrade e é extremamente importante deixarmos claro o que nos incomoda. Muitas vezes pode parecer uma luta perdida, mas eu acredito que a reação de uma pessoa pode não mudar uma segunda pessoa, mas pelo menos coloca uma reflexão em andamento. Só isso já é um grande passo, de um só indivíduo, pra mudar as “coisas que sempre foram assim”.
Escrito por Cat em blogosfera, reflexões |
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2 November 2009 | 21:51
Fiquei muito chocada com o caso da estudante que foi linchada moralmente por usar um vestido curto numa faculdade em São Paulo. Mais chocada ainda fiquei com a discussão gerada pelo caso argumentando que ela pediu por confusão se vestindo assim. É muita hipocrisia e machismo junto. Difícil de engolir. Repito aqui um comentário pertinente que li por aí: “Que tipo de roupa um HOMEM precisaria usar pra causar essa balbúrdia?”
A Lola escreveu um post fantástico dizendo tudo o que eu penso sobre o assunto e muito mais. Recomendo a leitura do post inteiro, obviamente. Mas destaco aqui uma parte dele que não poderia resumir melhor a problemática feminina:
Mas, e nós? Somos santas ou putas? Nem uma coisa nem outra, óbvio. Somos mulheres, que querem exercer sua sexualidade sem julgamentos, que gostam de sexo, que exigem os mesmos padrões de liberdade sexual que os homens têm. Até porque pros misóginos, mulher é tudo vaca mesmo (a menos que sejam as mães deles, aí são santas, pois pariram um ser tão iluminado). Mas também é repulsivo que sejamos colocadas num pedestal, porque esse pedestal tem preço. Pra ser santa, temos que ser mães ou virgens, e a gente deve poder se dar ao luxo de decidir não ser nem mãe nem virgem. E é facílimo cair desse pedestal. E quanto maior a altura, maior a queda.
Eu dispenso o pedestal. Dispenso estar sob constante avaliação. Eu quero que se espere um monte de realizações das meninas, não apenas que elas não se desgracem. Por sinal, essa desgraça não é minha, nem delas, nem nossa. É de quem insiste numa dicotomia estúpida, uma dicotomia que nunca teve razão de ser, mas que tem menos ainda no século 21.
Escrito por Cat em Blogs, lendo, notícias |
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