29 September 2007 | 22:26
*Postizinho para dar uma folga a vocês do meu chororô de drama queen.*
Se tem um blog que eu adoro e acompanho religiosamente é o Post Secret.
Frank Warren, criador do blog, posta todo domingo em média 20 cartões postais que ele recebe de pessoas de todo o mundo, onde elas contam seus segredos mais íntimos. Os segredos são dos mais variados. Desde aqueles que nos fazem rir até os que nos chocam.
Os cartões são postados apenas nos domingos, mas durante a semana sempre aparecem algumas respostas. Não existe sistema de comentário no blog, mas é possível escrever um email para o dono do blog com seu comentário e ele decide se publica no blog ou não. As respostas que são publicadas são o contraponto vital para os segredos, na minha opinião.

—–Email Message—–
Sent: Sunday, September 16, 2007 2:48 PM
Subject: "i put the toilet paper on backwards"
I knew it!
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Cartão postal:
As vezes eu coloco o papel higiênico ao "contrário" só pra te irritar.
Resposta:
Eu sabia!
Escrito por Cat em blogosfera, reflexões |
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29 September 2007 | 18:07
Eu juro que não sei se o meu instrutor da auto-escola é meio grosso ou sou eu que sou ultra sensível. Tendo mais a acreditar que seja eu a ultra sensível mesmo. De qualquer forma, tomei coragem e conversei com ele no final da aula de ontem. Expliquei, com bastante jeitinho, que quanto mais ele aumenta o tom de voz dele mais inversa é a reação que ele arranca de mim. Em vez de agir eu fico paralisada. Ele prometeu tentar maneirar, mas deixou claro que por vezes não vai ter como evitar. Agora é só esperar pelo próximo capítulo…
Uma coisa estressante que estou tendo para aprender a dirigir por aqui tem um pouco a ver com o cuidado extra que se precisa ter com relação a ciclistas. Bicicleta na Dinamarca é um meio de transporte, e como um tem o seu lugar e papel no trânsito. Só que não existe "carteira de ciclista", não existem cursos. Com isso quem precisa ter cuidado extra é mesmo o motorita. Então para o motorista virar à direita, por exemplo, ele precisa se orientar pelo espelho retrovisor, espelho lateral e olhando para trás. Só que uma vez não adianta. É preciso olhar pelo espelho lateral e para trás duas vezes, enquanto se faz uma série de outras coisas.
A sequência é mais ou menos assim no caso de dobrar para a direita:
1. espelho retrovisor
2. espelho lateral
3. olhar para trás enquanto se liga a seta, se pisa na embreagem e muda a marcha para a segunda
4. olhar para esquerda
5. espelho lateral
6. olhar para trás (para ter certeza de que não vou atropelar nenhum ciclista)
7. finalmente virar
O meu problema nessa sequência fica entre o número 2 e 3. Eu olho pro espelho lateral e dou conta da seta, embreagem e marcha ou eu olho pra trás ao mesmo tempo que dou conta do resto. Nunca consigo olhar pelo espelho lateral e olhar para trás enquanto dou conta de todo o resto. É nessa hora que o instrutor começa a aumentar a voz comigo, eu entro em pânico e faço tudo errado. E ele levanta mais ainda a voz. Estresse total…
Todo mundo que tem carteira por aqui vem me dizer que eles nem olham pelo espelho lateral, olham direto para trás. Que bom pra eles. Só que eu não vou passar na prova prática se não conseguir fazer tudo como manda o figurino, né?
Gente, eu durmo e acordo pensando nas aulas de direção. Tentem, então, dar um disconto nesse disco arranhado que o blog virou, ok?
Escrito por Cat em auto-escola |
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23 September 2007 | 12:06
Não, ninguém aí acertou a resposta e portanto ninguém ganhou o "super prêmio 5 estrelas".
Apesar de não ser nada improvável esse papo acontecer como um monólogo de vez em quando. Mas dessa vez não.
Quem diz essas coisas para mim é o meu instrutor da auto-escola. Nós temos uma certa dificuldade de encontrar um horário que caiba para os dois. O resultado é que tenho feito aula de direção com duas semanas de intervalo entre uma aula e outra. O que eu acho ruim pois quebra o rítmo. A teoria eu conheço de trás para frente, mas colocar todos os mínimos detalhes em prática em fração de segundos no meio do trânsito ainda é complicado para mim. E ouvindo essas frases num tom de voz cada vez mais alto só me deixa ainda mais nervosa e desconcentrada. Aí na hora eu fico na dúvida se o cara que é um grosso ou sou eu que sou uma molenga. O fato é que eu me sinto como uma criança levando bronca, e segurando o choro.
Só que aí a aula termina, o nervosismo passa e eu me mando tomar vergonha na cara, me convenço de que o cara não é grosso coisa nenhuma, que ele está fazendo o trabalho dele, tentando arrancar uma reação minha em momentos cruciais. Já até pensei em conversar francamente com ele e dizer que o tom de voz dele acaba me desconcentrando, mas sempre desisto pois não sei qual alternativa ele teria. Complicado.
Depois da aula, o nervosimo passa, mas minha frustração não. Nessas horas eu queria estar no Brasil e alugar meu pai ou irmão para ficar treinando com o carro deles entre uma aula e outra. Pois eu sei que o que me falta não é a teoria, mas a prática mesmo.
Agora ando sonhando praticamente toda noite que dirijo impecavelmente e estou toda feliz. Só para acordar pra realidade no final…
Escrito por Cat em auto-escola, eu-moi-mig |
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21 September 2007 | 17:54
- Você ouviu o que eu disse? Por que você não fez então?
- Quando eu digo para você fazer alguma coisa, tem que ser NA HORA!
- AGORA! AGOOORA!!!!
- Cátia! Você tá esperando o que?
- Mais rápido! MAIS RÁPIDO!!!
Quem aí adivinha quem fala essas coisas pra mim?
Escrito por Cat em abobrinhas |
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19 September 2007 | 23:46
Como pressentido, o blog em dinamarquês acabou de ser reinaugurado hoje, exatamente 1 ano depois do primeiro post.

Longa vida, bloguinho på dansk…
Escrito por Cat em blogosfera, línguas |
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19 September 2007 | 22:13
Sabe quando uma pessoa está contando uma história e você de vez em quando diz an-ham, un-hum, sei ou é nas pausas que a pessoa faz para demostrar que você está acompanhando e entendo o que ela diz? Pois é, muita gente da minha turma faz isso enquanto o professor está dando aula. Eu parto do princípio que na cultura delas é comum ter esse tipo de reação na sala de aula. Lembrando que minha turma é só de estrangeiros.
Pode até ser que esses un-hums não sejam traços culturais, mas característica isolada própria da personalidade da pessoa. Talvez os outros un-hums venham como resposta ao primeiro un-hum. Um simples fenômeno social. Talvez.
Mas eu já constatei que todo o pessoal de origem eslava da turma sempre diz o mesmo a-há. Você explica algo e eles respondem a-há pra mostrarem que entenderam. Sempre!
Uma exurrada de a-hás, un-hums, e afins no meio da explicação do professor. Eu acho graça, mas esses an-hams todos me desconcentram. Preciso muito aprender a abstrair e não deixar que isso me desnorteie.
Escrito por Cat em abobrinhas, estudando, quotidiano |
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18 September 2007 | 08:03
Apesar do blog estar caminhando em câmera lenta, a vidinha na minha mais nova rotina está a todo vapor. As aulas começaram há duas semanas e estou adorando. Cada leitura mais interessante do que a outra. Sem falar na mistura de nacionalidades da minha turma. Ainda está tudo muito light no curso, mas como sei que as coisas vão acelerar quando eu menos esperar estou aproveitando para fazer mil coisas diferentes com o vasto tempo livre que ainda tenho.
Já terminei aquela arrumaçao toda que contei há uns posts atrás. Por incrível que pareça, consegui organizar toda minha papelada de cursos anteriores, além de cartas e documentos. Tudo arrumadinho e fácil de encontrar, do jeitinho que eu gosto.
Estamos também tendo bastante tempo na cozinha. Como eu não canso de contar, eu tenho a sorte de ser casada com um cozinheiro de mão cheia. E cozinhar junto com ele é sempre muito gostoso. Sozinha eu acho chato, entendiante. Com ele é mais divertido, sempre aprendo coisas novas. Estamos então aproveitando para experimentar receitas diferentes. Já fizemos duas super fácieis que foram um sucesso. Qualquer hora posto nossas descobertas aqui.
Estou com um certo pressentimento que e o blog em dinamarquês ressuscitará…
Escrito por Cat em quotidiano, ruivo & eu |
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16 September 2007 | 21:05
Uma queridíssima amiga daqui está passando por um momento muito triste e difícil. Ninguém merece esse tipo de dor…
Acho que não existem palavras de consolo que bastem.
Espero de coração que ela consiga superar isso da melhor forma possível.
Escrito por Cat em amigos |
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16 September 2007 | 19:21
Quinto dia e último: Hals -> Grenå
De volta à Hals, no porto com o banheiro com chuveiro caprichadinho e gratuito a tripulação inteira fez a festa. Todos limpinhos e cheirosos, nós partimos bem cedo para a viagem mais longa – 6 horas no mar – em direção à Grenå, uma cidade a 65km ao norte de Århus.
Meu time nesse dia estava encarregado do convés. Como era a segunda vez que pegávamos o convés, os chefes do time nos deram tarefas mais avançadas e pesadas. Puxar aquelas cordas e erguer as velas é um baita exercício. As mãos então? Parece até tratamento de esfoliação. Minhas mãos não eram mais as mesmas depois de tanto puxa-puxa. Mas esse esforço todo compensa quando vemos as velas enormes se erguerem e o veleiro seguir seu rumo. Aquela gostosa satisfação de trabalho bem feito cumprido.
Por mais que eu tenha tentado me concentrar no mar o enjôo chegou implacável. Pelo menos ele só apareceu depois de 4 horas de viagem. Mas mesmo assim foi um alívio chegar em terra firme.
Em Grenå nós demos uma passeada pelo porto que é muito grande e estava repleto de yatchs alemães e ingleses.
De volta ao veleiro nós jantamos e fizemos uma singela festinha de despedida – já que era a última noite comigo e ruivo a bordo. Cantamos numa rodinha de violão músicas de marinheiros. Para mim foi um momento muito especial. Bateu uma saudade de casa, do Brasil, dos meus irmãos, das nossas rodinhas de violão, de cantar letras engraçadas e rir. Essa noite foi assim. Só que com músicas clássicas dinamarquesas, maioria delas ainda desconhecida para mim.
Uma das músicas que eu gostei mais foi uma descrevendo o estereótipo do marinheiro mulherengo.
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(Otto Brandenburg – Susanne, Birgitte og Hanne)
Alle sømænd er glade for piger
Todo marinheiro gosta de mulheres
men min skat du kan stole på mig.
mas meu amor, você pode confiar em mim
Det er fuldstændigt sandt når jeg siger
é a pura verdade quando eu digo
at mit hjerte kun banker for dig.
que meu coração só bate por você
Og lidt for Susanne, Birgitte og Hanne
e um pouco por Susanne, Birgitte e Hanne
og Tove og Anne og Lizzy og Kiz
e Tove e Anne e Lizzy e Kiz
Foruden Agnete, Elisa og Grethe og Anne-Merethe, og Molly og Liz
além de Agnete, Elisa e Grethe, e Anne-Merethe, e Molly e Liz.
Alle Sømænd tager ud i det fjerne.
Todo marinheiro viaja para longe
Du skal vide at natten når jeg står ved roret og ser på en stjerne
Você precisa saber que à noite quando estou navegando e olho para uma estrela
er jeg altid i tanken hos dig
estou sempre com o pensamento em você
og lidt hos Susanne…
e um pouco em Susanne…
Alle Sømænd er flot tatoveret
Todo marinheiro tem uma bela tatuagem
du skal se når jeg kommer i Havn.
você precisa ver quando eu chegar no porto
på min arm er jeg smukt dekoreret
meu braço é decorado
med et hjerte og der står dit navn
com um coração e o seu nome
Ved siden af Susannes, Birgittes og Hannes
ao lado do de Susanne, de Birgitte e de Hanne
og Toves og Annes og Lizzys og Kiz`
de Tove, de Anne, de Lizzy e de Kiz
Foruden Agnetes, Elisas og Grethes og Anne-Merethes,
Além do de Agnete, de Elisa e de Grethe e de Anne-Merethe
og Mollys og Liz`
e do de Molly e de Liz.
No dia seguinte ruivo e eu pegamos um trem de volta para casa, por motivos que vocês já sabem. O resto do pessoal continuou e fizeram mais duas paradas antes de desembarcarem de vez em Århus.
Essa viagem foi uma surpresa completa. Foi uma oportunidade de passearmos e visitarmos lugares que nunca conheceríamos de outra forma, enquanto aprendíamos muita coisa sobre navegação e veleiros, além de conhecermos muita gente boa. Nós já estamos agitando um encontro em breve para vermos e trocarmos fotos e vídeos da viagem.
Eu nunca mais verei um veleiro ou qualquer barco que seja com os mesmos olhos de antes. Obrigada Krakemut!
Escrito por Cat em Dinamarca, krakemuttur, viagens |
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11 September 2007 | 21:59
Quarto dia: Hirsholm -> Hals
No quarto dia, depois da noite boêmia do dia anterior, acordamos a hora que deu, sem pressa. Tomamos café bem tarde e fomos explorar a minúscula ilha.
Hirsholmene é um arquipélogo de pequenas ilhas, em que Hirsholm é a única a ser habitada – por 4 homens solteiros. Além de algumas casas a ilha possui um farol e uma igreja.
Dois dos meninos da nossa tripulação eram geólogos e deram uma bela aula sobre as diferentes pedras no nosso passeio pela ilha. Em 5 minutos nós atravessamos até o outro extremo da ilha andando. Como o vento estava muito forte eu voltei bem rapidinho para o veleiro para me vestir com uma roupa mais quentinha e apropriada. Já o ruivo ignorou o frio, se empolgou e mergulhou junto com os outros meninos.

Por volta de meio dia nós partimos em direção a Hals, no caminho de volta para Århus. Nesse dia meu time estava encarregado da navegação e eu fiquei no timão (volante). Simplesmente adorei a experiência. Foi o único dia que não enjoei nem por um segundo mesmo tendo sido o pior dia de mar agitado. Segundo o capitão, eu não enjoei por ter me concentrado no mar o tempo todo, acompanhando todo o movimento das ondas, o que fez com que meu corpo não fosse pego de surpresa. As ondas grandes dificultaram muito a direção, mas foi uma das melhores experiências que já tive. Me senti como um Amyr Klink da vida.
Escrito por Cat em Dinamarca, krakemuttur, viagens |
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