19 February 2005 | 18:30
Essa semana que passou foi a primeira semana de trabalho pra valer, já que nas outras eu estava indo pouco a pouco, conhecendo devagar a rotina da casa, me habituando com o Marcus e com os cavalos. A mãe viaja à trabalho geralmente dois dias por semana, então eu fui dormir lá de terça até quinta já que ela precisava viajar bem cedinho na quarta e só voltaria na quinta à noite. Ela estava super preocupada porque seria a primeira vez que eu ficaria completamente sozinha com o Marcus e com os cavalos. Eu estava tranquila, já estava me sentindo super segura com os cavalos. Só a parte sobre minha comunicação com o Marcus que me deixava um pouco apreensiva. Mas como eu sabia que ele iria passar o dia na creche e depois dormir na casa do pai, nem me preocupei.

a casa
Então ela saiu bem cedinho na quarta, Marcus se esguelou de chorar na despedida e fui tentar consolá-lo e convencê-lo a ir tomar café. Nada adiantava! Ele continuava chorando e balbuciando a mesma frase sem parar. Depois de muito esforço consegui entender que ele dizia: “Jeg vil ring til min mor” (eu quero ligar pra minha mãe). Então fui eu lá correndo com ele ligar pra ela enquanto ela ainda estava a caminho do aeroporto. Depois de dois minutos conversando com a mãe no telefone ele parou de chorar como num passe de mágica e desceu comigo pra tomar café numa boa! Eu fiquei maravilhada! Daí comecei a me preparar psicologicamente pra enfrentar no mínimo 15 minutos andando na neve pra levar Marcus pra creche (porque infelizmente ainda não tenho carteira de motorista!), mas o pai dele apareceu de surpresa pra nos poupar esse trabalho!

os fofos
A partir daí eu tinha o dia inteiro só pra cuidar dos cavalos e dar um jeitinho na casa. Dei comida aos cavalos bem cedo, depois de uma hora os soltei sem grandes surpresas e prendi de novo lá pelas 5 horas da tarde. Eles são uns fofos! Só tem uma fêmea, a mais nova, que é meio louca. Mas ela decidiu ser bem boazinha comigo e se comportou. Foi tudo assim super tranquilo nos dois dias. A diferença foi que na quinta eu precisei ir buscar Marcus na creche, enfrentando os tais 15 minutos na neve. Levei aquele trenozinho pra voltar puxando ele pela neve, o que foi uma idéia brilhante porque além de deixar ele todo empolgado, foi muito mais rápido do que se ele fosse andando.
Passamos a tarde inteira tentando nos entender. Apesar de toda a minha angústia de não conseguir me comunicar direito, esse tempo com ele me forçou a falar dinamarquês. Eu não tinha opção! O que foi ótimo! O bom é que ele é super paciente e repetia trocentas vezes se necessário fosse até eu entender.
Num certo momento quando estávamos brincando na neve ele pegou um pedaço de gelo e começou a chupar como um picolé! Eu fiquei horrorizada e produzimos o seguinte diálogo:
Eu: Marcus! NEJ! (Marcus! NÃO!)
Ele: Hvofor???? (Porque????)
Eu: …….. (sem saber como dizer que era sujo)
Ele: Det smager godt! (É gostoso!)
Eu: …….. (ainda sem saber como argumentar)
Ele: Hummmmm! (saboreando o gelo)
Eu: Ok… (dando de ombros e desistindo)
Fazer o que?
Escrito por Cat em línguas,
trabalho
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