6 February 2012 | 11:54
Muita coisa acontecendo. Muita coisa aconteceu. Muito tempo sem escrever. Muita coisa que deixei de contar por aqui. Vontade zero para a vida virtual. Inferninho astral.
Mas agora a vontade voltou e já faz um tempinho que ando ensaiando uma ressurreição do blog. Desconfio que ela será lenta, aos pouquinhos. Um provável fotoblog temporário para me dar tempo para me reacostumar a escrever. Que tal?
O verão chegou e foi embora. O inverno chegou e está tudo bem branquinho lá fora. Um dos fevereiros mais frios desde muito tempo, ouvi na rádio.

nevando às 14:55, 7 graus negativos
Em julho de 2010 compramos uma casa. Nos mudamos e Manuela nasceu aqui. Quero muito reservar um post só para falar da casa. Ela merece.

entrada da garagem
Lukas passou da creche para a escolinha. Grande transição na vidinha dele.

Lukas no Natal de 2011. 3 anos e meio.
Manuela começou na creche. Grande transição na vidinha dela também.

Manuela no parquinho de um shopping em janeiro de 2012. 1 ano e 1 mês.
Jonas lançou uma empresa própria (Lesspainful). Muita sorte para ele. Para nós.

A última grande novidade é que estamos nos preparando para uma temporada de 4 meses e meio no Brasil. Estou aqui entre listas e mais listas do que lembrar, do que levar, do que fazer. Muita coisa. Muita ansiedade. Muito feliz!

Crianças devidamente equipadas para a viagem. Passaportes.

malas (ainda vazias)
Escrito por Cat em Brasil, casa, Dinamarca, família, fotos, frio, Lukas, Manuela, quotidiano, Terra Estrangeira, trabalho, viagens |
Junte-se ao papo (15)
____________________________________________________________
11 April 2011 | 09:58
Ontem foi o primeiro dia realmente quentinho do ano. O pessoal da meteorologia prometeu um dia com temperatura de 2 dígitos, ou seja, maior de 10 graus. Uau, né? DOIS dígitos!!! Pra vocês terem uma idéia da gravidade das coisas aqui e como nós, cariocas, tomamos tempo bom como coisa certa. Dinamarquês faz (e agora eu também) uma festa danada porque a temperatura alcançou os dois dígitos, deu pra entender? É um festival de sorrisos, gente na rua, braços e pernas de fora. Ontem foi um dia desses.
Ontem também foi o aniversário do sogrão e fomos lá festejar almoçando com ele.
Fotos do dia:
Vovô aniversariante com netinha

Bandeira erguida no quintal, tradição dinamarquesa, que sinaliza que se está festejando um aniversário na casa.

Homem bolo, outra tradição dinamarquesa em aniversários.

Família curtindo o sol. Foi só aí que me dei conta que estava realmente quente.

Tia Lykke e Lukas dando uma corridinha pra celebrar o tempo bom.

Depois fomos passear um pouquinho (os malucos do Ruivo e o irmão ainda de casaco).

Lukas desapontado que não saía água da mangueira.

Papai ensinando o Lukas a subir na árvore.




Depois que chegamos em casa também fomos aproveitar as últimas horinhas de tempo bom do dia.




Agora olhem a previsão do tempo pra hoje:

Vamos torcer por 17 graus pra que a família ruiva possa curtir a vida um pouco fora de casa?
Escrito por Cat em celebrando, família, fotos, frio, passeios |
Junte-se ao papo (14)
____________________________________________________________
6 April 2011 | 23:16
Ser mãe pela segunda vez tem se mostrando, por enquanto, surpreendentemente mais fácil do que eu esperava. Me preparei para evitar e eventualmente lidar com os desafios que enfrentei quando me tornei mãe pela primeira vez. Aí, adivinhem! Os desafios são ooooutros! Parece até coisa de video game, sabe? Quando a gente fica bem treinadinho no jogo, passamos para a segunda fase e os obstáculos são completamente diferentes! É bem por aí mesmo.
Pra começar, o que foi mais difícil em se tornar mãe pela primeira vez foi exatamente isso: estava experienciando tudo pela primeira vez. Minha vida como eu a conhecia tinha acabado e começado outra, bem diferente, onde eu era responsável por um outro ser humano completamente indefeso e dependente de mim. Eu era a única fonte de alimentação dele e também a fonte principal de proteção e amor. Tudo isso praticamente 24 horas por dia. Essa mudança tão drástica, de um dia pro outro, foi dura. Por mais que eu soubesse, na teoria, que ela iria acontecer e tivesse passado a gravidez inteira me preparando e sonhando com isso, a realidade na prática foi sim, bem mais difícil. Meu corpo não era mais só meu. Meu tempo, meu sono, minha cama, nada. Por mais que essa viagem, que é a maternidade, seja fascinante e maravilhosa, tem hora que a gente quer dar uma pausa e poder tirar uma soneca sem se preocupar em manter a orelha em pé no caso do bebê chorar. Isso era meio frustrante, ainda mais juntando a dor na consciência que acompanha essa frustração. É uma pressão danada: “Eu não posso reclamar, não posso me sentir frustrada com a maternidade. Ser mãe é uma dádiva e eu só posso me permitir ficar feliz e agradecida por ter esse privilégio.” Mas a coisa não é bem assim. Esta frustração rola sim, e pode ser ainda pior reprimí-la e fingir que ela não existe. Essa ambivalência toda também era novidade pra mim. Além, claro, de todos os detalhes práticos de como cuidar de um bebezinho. O que, como fazer e quando? Todo dia, todo momento, eu tinha que lidar com uma coisa nova, aprender um aspecto novo do que era ter um bebê em casa. Era muita informação ao mesmo tempo e pouco tempo pra processar tudo. TUDO era novo! E olha que Lukas foi um bebê muito, muito, mas muito fácil!
Já na segunda vez, bom, é a segunda vez, né? Eu nem me lembro direito mais como era a minha vida antes de ser mãe. Os últimos anos da minha vida têm sido mesmo isso: ser responsável por um ser humano indefeso, dependente de mim e para quem eu sou uma das fontes principais de proteção e amor. Até aí me tornar mãe pela segunda vez não trouxe nenhuma mudança drástica na minha vida. Até a tal frustração por não ter tempo para mim não é mais a mesma. Ela ainda existe, mas num nível completamente diferente. Esses anos com o Lukas fizeram com que eu me conformasse com a falta de tempo, sono e privacidade. Essa já é a minha vida. Com a chegada da Manuela meu tempo, meu sono e minha privacidade diminuiram ainda mais, mas nada tão drástico como na primeira vez. Toda essa parte prática de como lidar com um bebezinho, logo depois de uma breve amnésia inicial no bom estilo “como é que era mesmo?”, também passa a ser feito no automático. Trocar fraldas, colocar pra arrotar, dar banho, cortar unha, etc., é feito sem nervosismo e insegurança. Manuela é um bebê mais complexo do que o Lukas foi, mas ainda assim acho mais fácil lidar com ela, pois hoje tenho facilidade em ler os sinais dela, e assim poder suprir as necessidades dela na hora certa. Claro que me deparei com problemas que não tive na primeira vez também e sendo assim, não tinha uma fórmula pronta e testada para aplicar. Mas acho que só pela minha forma de encarar os problemas dessa vez ser mais serena tem ajudado.
O que tenho achado difícil de verdade dessa vez é encarar a arte de ser mãe de dois. Tinha me preparado psicologicamente para essa tarefa, se não impossível, então complicadíssima de se executar. Imagina, um já dá trabalho, já é difícil… dois então, o trabalho seria dobrado, só fabricando um clone meu para dar conta de tudo e manter minha sanidade mental. Mas nem é o trabalho prático que tenho achado realmente difícil. Essa parte se resolve com muita ajuda do Ruivo, que é um papai super presente. A parte mais complicada em ser mãe de dois é dividir a atenção. Não importa o que eu tente fazer, eu sempre sinto, mesmo que as vezes só lá no fundinho, que estou negligenciando um deles. Quem precisa de mais atenção e quando? Como? Não tem como escolher! Tem hora que a incapacidade de me clonar consegue despedaçar meu coração.
E pra vocês que se perguntam se é possível amar o segundo filho tanto quanto o primeiro, o que posso dizer é que pela minha experiência eu tenho percebido que o amor não se divide, ele se multiplica.
Escrito por Cat em maternidade, reflexões |
Junte-se ao papo (5)
____________________________________________________________
24 March 2011 | 16:34
Minha gatinha faz hoje 3 meses de vida. Minha gatinha, mas o camundongozinho do papai, como ele diz “min lille mus”. ♥
Fotos recentes da nossa bochechuda.
Com olhinhos esbugalhados, mas de vestido e casaquinho que pertenceu ao pai (o casaquinho, não o vestido):

Cabelinhos ruivos aparecendo:

Família de preguiça no sofá num sábado à tarde, assistindo, muito provavelmente, um episódio do George, o curioso.

Com a mamãe, curtindo um passeio num café.

Escrito por Cat em Manuela |
Junte-se ao papo (10)
____________________________________________________________
23 March 2011 | 22:04

*mesma idade – 3 meses.
Escrito por Cat em Lukas, Manuela |
Junte-se ao papo (9)
____________________________________________________________
21 March 2011 | 15:26
Como disse no outro post, Manuela é tão fácil quanto Lukas foi. Ou melhor, quaaaase.
Lukas foi um bebezinho muito fácil. Com relação a amamentação, por exemplo, assim que a amamentação se estabeleceu bem, ele mamava bastante em cada mamada, à ponto de eu conseguir sentir que o peito esvaziava. Bem cedo ele começou a dormir por várias horas seguidas durante a noite, sem precisar mamar. Ele também era facilmente confortado no peito, qualquer chorinho, qualquer reclamação, era rapidamente resolvida quando eu o oferecia o peito.
Já Manuela é outra história. Desde que nasceu que ela mama pouco, mas em compensação, toda hora. Em média ela mama a cada duas horas. Tanto de dia quanto de noite. Por mamar bem pouquinho a cada mamada, ela dorme consequentemente poucas horas seguidas. Ela não aceita ser confortada no peito. Uma vez chateada, ela precisa primeiro ser confortada de alguma outra forma, para só depois aceitar mamar. Isso se ela estiver com fome, pois ela é uma mocinha bem decidida, que só mama quando tá afim. Sempre tento amamentá-la mais vezes e por mais tempo enquanto ela está acordada, mas ela recusa solenemente o peito. Então só me resta ter paciência e esperar. E acordar para amamentar, assim, 4-5 vezes por noite.
O curioso é que mesmo acordando tantas vezes durante a noite, eu ainda durmo bem melhor do que dormi durante a gravidez inteira com a danada da insônia. A insônia desapareceu num passe de mágica depois que pari. Pelo menos isso!
Escrito por Cat em amamentação, Lukas, Manuela |
Junte-se ao papo (5)
____________________________________________________________
11 February 2011 | 22:18
Uma pessoa me mandou uma mensagem hoje na parte de contato do blog, mas só recebi a metade da mensagem e nenhum email para contato. Se você que escreveu a mensagem está lendo esse post, por favor, mande sua mensagem novamente, dessa vez para o email do blog.
Obrigada!
update: O formulário de contato do blog não estava funcionando, mas agora o problema foi resolvido.
Escrito por Cat em quotidiano |
Junte-se ao papo (3)
____________________________________________________________
4 February 2011 | 22:57

Manuela fez 6 semanas hoje. Na consulta com a médica constatamos que ela está medindo 60 cm e pesando 5kg e 200g. 6cm e 1kg à mais desde que nasceu. Uma meninona.
As 3 primeiras semanas de vida dela foram um pouco conturbadas. Na primeira semana a amamentação estava complicada. O bico do meu seio esquerdo rachou logo nos primeiros dias e Manuela recusou o bico de silicone. Foi uma angústia só, fiquei morrendo de medo da amamentação não dar certo dessa vez. Comecei a tirar o leite do peito esquerdo com a bombinha e amamentar ela só com o peito direito. Fiz isso por dois dias e nesse tempo fiquei tratando intensivamente do bico do peito rachado. Muito creme lansinoh. Quando o bico melhorou, insisti novamente com o bico de silicone no início da mamada só para ajudar a formar um bico no meu bico do peito, que é arredondado e depois tirava. Depois de um dia já não precisava do bico de silicone. Vitória!
Na segunda semana ela começou a vomitar muito, de 3-4 jatos. Mamava muito pouco por vez, mas toda hora. Fomos ao médico, que nos mandou pro hospital para nos certificar de que estava tudo normal. Fizeram uma bateria de exames e como estavam todos normais, os médicos concluíram que ela precisava aprender a mamar, que muito provavelmente ela estava vomitando porque mamava além da conta. Poucos dias depois dessa visita ao hospital ela parou de vomitar. Alívio.
Ela é um bebê muito calminho, assim como Lukas foi. Só chora com fome ou sono. Reclama um pouquinho quando fica entediada. Fora isso ela está normalmente com uma carinha de satisfeita como essa alí da foto de cima.
Lukas até agora está sendo um irmão mais velho exemplar. Sempre que a vê, a enche de abraços e beijinhos, conversa com ela, traz brinquedinhos. De vez em quando pede para pegá-la no colo também. Mas fica angustiado quando ela chora. Numa ocasião, ela começou a chorar muito no colo dele e ele, assustado, começou a chorar muito também, achando que fosse o culpado pelo choro dela. Foi de cortar o coração. O abracei e expliquei que ela só estava com fome e ele acabou aceitando a explicação com um sorriso tímido.

Com o Ruivo e comigo o comportamento é outro. Ele está exigindo muito mais atenção do que antes, principalmente a minha e principalmente se eu estiver com a Manuela no colo. Estamos dando toda a atenção, chamego e denguinho que podemos, mas mesmo assim a fase do “não” dos dois anos se acentuou bastante. O curioso é que o humor dele muda muito. Uma semana ele está ótimo, cheio de amor pra dar, fácil de lidar e alegre. Na outra já está o oposto, dizendo não para tudo, fazendo cenas por pouca coisa, chateado. Haja paciência e muito, mas muito jogo de cintura.
Escrito por Cat em amamentação, Manuela, maternidade |
Junte-se ao papo (6)
____________________________________________________________
4 February 2011 | 17:12
Toda a informação sobre parto que eu devorei durante a gravidez do Lukas me fez considerar a idéia de um parto em casa já naquela época, mas o medo do desconhecido me impediu de levar a idéia mais a sério. Graças à experiência descomplicada que tive com o parto de Lukas, e inspirada por uma amiga, surgiu uma grande vontade de na segunda vez experimentar um parto em casa.
Na primeira vez eu já tinha certeza que queria um parto normal, sem intervenções ou anestesia. Mas naquela época eu não tinha idéia de que tipo de parideira eu era. O trabalho de parto seria curto/longo? Como eu reagiria a dor? Essas questões eram constantes na minha mente e o fato de estar no hospital me dava a ilusão de que se o processo fosse mais dramático do que eu imaginava, eu poderia gritar por socorro e pedir uma epidural. Digo ilusão porque eu tinha consciência que esperar muito para pedir uma epidural pode fazer com que seja tarde demais para recebê-la. Mas como me sentir segura era prioridade, essa ilusão era o bastante. Além disso, eu tinha muito medo de não conseguir amamentar e queria ter toda ajuda que podia ter. No hospital eu tive uma ajuda maravilhosa das enfermeiras nos primeiros dias. Tomar a decisão por uma parto em casa dessa vez foi muito mais fácil. Eu conhecia o processo, sabia como eram as dores, como eu reagia, o que eu queria fazer diferente dessa vez, etc. A mesma mulher pode ter partos bem diferentes um do outro e eu sabia disso, mas a segurança que senti por já ter dado a luz uma vez me deixou determinada.
Depois de um curto processo de me certificar de que era isso mesmo que eu queria, comecei a sondar o Ruivo com a idéia. De início ele não gostou muito. Estava preocupado, cheio de “E se…?” Procurei então toda informação que pude encontrar e que respondia justamente as dúvidas dele.
“O parto do Lukas foi relâmpago. E se não der tempo da parteira chegar?” -> Justamente o fato do parto do Lukas ter sido relâmpago e da probabilidade do segundo parto ser ainda mais rápido ser grande que me motivou inicialmente para querer um parto em casa. Quando pensava no começo das contrações, a minha vontade maior era poder relaxar, em vez de ter que catar malinha, lembrar disso e daquilo, sentar desconfortavelmente no carro com contrações até o hospital e todas as outras coisas pelas quais passei no parto do Lukas. A idéia de poder usar esse tempo todo me concentrando em relaxar, no conforto da minha própria casa, era muito mais atrativa. O parto relâmpago do Lukas está registrado no meu histórico médico e ouvi da minha parteira durante todo o pré-natal que o hospital, e consequentemente, a parteira de plantão estariam informados disso e que só por via das dúvidas, quando eu (mais provavelmente o Ruivo) ligasse, lembrar de frisar que meu primeiro parto foi relâmpago, o que faria com que a parteira tratasse de vir imediatamente.
“E se houver algum tipo de complicação?” -> Parir em casa só é “liberado” pelos médicos e parteiras na Dinamarca em caso de uma gravidez descomplicada, sem a probabilidade de risco algum. No caso de alguma complicação, teríamos que ser transferidos pro hospital, mas a probabilidade de complicação no parto no meu caso, com gravidez descomplicada, restultado de todos os exames normais, etc. era baixíssima. A parteira, por sua vez, traz consigo uma maletona com várias coisas para serem usadas em caso de emergência, além de um tanquezinho de oxigênio, no caso do bebê ter dificuldade de respirar. Com isso tudo eu estava confiante de que tudo correria bem.
Acho que minha confiança com o tempo foi transmitida para o Ruivo, pois ele ficou tão certo quanto eu que parto em casa era a escolha certa para a gente dessa vez. De repente, um dia, Ruivo vira para mim e pergunta em que cômodo da casa eu gostaria de parir. Foi uma alegria para mim ouvir essa pergunta dele e perceber que estávamos, mais uma vez, em sintonia.
Uma amiga que pariu sua bebê em casa me emprestou sua banheira de encher, própria para esse objetivo. Juntei vários lençóis e toalhas, lavei tudo em 90 graus e deixei separadinho. Fizemos um estoque de comida pronta no congelador, pra não ter que perder tempo nos preocupando com isso no dia do parto ou nos primeiros dias após o parto. Fizemos sopa, molho de carne, etc. No dia, foi só me certificar de que eram mesmo contrações o que eu sentia e ligar pro hospital. A parteira chegou, Jonas encheu a banheira, eu entrei nela e voilà, estávamos todos prontos pra receber Manuela. Acho que do ponto de ligar pro hospital e eu estar dentro da banheira levou 1 hora. Isso porque estávamos calmos e preferimos esperar a parteira chegar para encher a banheira.
O parto de Manuela foi muito melhor do que o parto de Lukas. Ter podido ficar no conforto da minha própria casa me deu a vantagem de estar no meu território, ou seja, a parteira seria uma visita na minha casa. Parece bobagem, mas isso tem uma relevância psicológica para todos. Bem ou mal a possibilidade da tolerância e do respeito da parteira se tornarem mais elásticos em território alheio são maiores, ou pelo menos assim acredito. Estar em território meu também aumenta a minha sensação de autonomia perante toda a situação, o que contribui para o tipo de parto que escolhi, um parto ativo. Ter a certeza de que as chances de receber uma parteira que dividisse a mesma visão que eu sobre um parto ativo também aumentaram com um parto em casa foi outra razão para a nossa escolha. A parteira que veio pro parto da Manuela foi maravilhosa, só interveio quando muito necessário. Na maior parte do tempo ela fez questão de me deixar a vontade. A vontade para escolher a posição em que eu me sentia mais a vontade, pra decidir quando e como respirar, empurrar, etc. Muito diferente da parteira do parto de Lukas, que não me deixou mudar de posição hora alguma, que me deu 3 opções de escolha quando na verdade eu só tinha 1 opção, que fez uma manobra não muito necessária para virar a cabeça do Lukas, entre outras coisas. E olha que eu tive uma experiência boa no parto de Lukas, hein? Mas essas pequenas coisas eu queria poder evitar na segunda vez e tenho certeza absoluta de que o parto sendo em casa contribuiu para que nada disso acontecesse. Por mais que eu reflita, não consigo pensar em nada que eu faria diferente tomando o parto de Manuela como referência.
Muitos me perguntaram sobre a sujeira que o parto deixa e posso dizer que essa parte me surpreendeu positivamente. Eu tinha separado muitas toalhas, lençois, sacos plásticos e uma toalha de mesa de plástico velha. Me preparei para um evento sanguinário no meu quarto. Acho que só usei 1 toalha, 1 lençol, 1 saco plástico, e a tolha de mesa. A toalha de mesa eu usei para cobrir a cama e o lençol em cima dela. A toalha eu usei para sair da banheira e o saco plástico nós usamos para colocarmos o lixo. A parteira se encarregou de recolher a placenta. A parteira trouxe na sua maletona vários protetores como esse, para o caso de eu achar necessário proteger a cadeira ou o sofa que eu fosse sentar ou mesmo a cama quando fosse dormir. Fora isso ela também trouxe várias fraldonas para mim. Ou seja, a toalha e o lençol não ficaram com nem um pinguinho de sangue. A parte que ficou mais suja (e que nem foi muito) foi a banheira. Mas esvaziar a banheira foi simples, pois ela vem com uma bombinha de tirar água e uma mangueira, então foi só levar a mangueira pro box do banheiro e deixar a bombinha fazer o trabalho.
De acordo com estatísticas feitas em 2007, 0,8% dos partos na Dinamarca são partos em casa. Mas acredito que esse número tenha aumentado desde então. No parto em casa as opções de anestesia e intervenções são limitadas. Eu recebi anestesia local para levar o pontinho, mas não tem epidural ou coisas do tipo. Acupuntura é uma opção, se a parteira em questão souber fazer. Não ter epidural não foi um empecílio para mim pois eu não queria anestesia. Também não tive no primeiro parto no hospital.
Eu adorei parir em casa e recomendo. Mas o que eu acho mais importante, é que a pessoa escolha o que mais combina com ela conscientemente, ou seja, uma escolha refletida, com argumentos. Seja essa escolha qual for, que seja uma que deixe a parturiente segura e tranquila, dando chances para que a experiência seja positiva.
Ótimo artigo sobre parto domiciliar escrito pela Dra. Melania Amorim.
E uma entrevista também interessante sobre parto domiciliar x parto hospitalar humanizado com uma enfermeira obstetra.
Escrito por Cat em parto, reflexões |
Junte-se ao papo (7)
____________________________________________________________
16 January 2011 | 01:02
A data prevista pro parto da Manuela era dia 24/12. Mas eu estava certa de que ela viria antes. Quando completei 39 semanas de gestação eu passei a sentir muitas contrações de braxton hicks, as tais contrações falsas, sentia também leves cólicas menstruais e dores na região lombar. Estava convencida de que Manuela estava se preparando para vir e que ela viria a qualquer momento. Daí fiquei doente. Um gripe feia me derrubou. O que aconteceu então? As contrações de braxton hicks e as cólicas menstruais sumiram. Eu só sentia dor no corpo, na cabeça e tossia sem parar. Na última consulta com a parteira ela me explicou que o corpo normalmente espera a gente se reestabelecer de uma doença para entrar em trabalho de parto. Ou seja, muito provavelmente a Manuela só chegaria depois que eu melhorasse da gripe. Passei vários dias de cama. No primeiro dia que me senti bem novamente o que aconteceu? As contrações começaram! Dessa vez as verdadeiras.

As contrações começaram por volta das 11:30 do dia 24/12. Elas vinham com 10 minutos de intervalo. Quando comecei a ter contrações no parto do Lukas, elas já viram com apenas 2 minutos de intervalo, então 10 minutos dessa vez me parecia muito tempo e imaginei que seria um looongo parto. Ficamos um pouco na dúvida se era pra ligar pro hospital ou se era pra esperar as contrações ficarem com intervalos mais curtos. Resolvemos ligar logo e deixá-los tomar a decisão se viriam na mesma hora ou não. A parteira se prontificou a vir imediatamente, levando em consideração o parto relâmpago do Lukas.
Não demorou muito a parteira chegou de taxi com sua maletona. Conversamos um pouco e ela me examinou pra ter uma idéia do avanço do trabalho de parto. Para a minha surpresa, apesar do “grande” intervalo entre as contrações, eu estava com 5cm de dilatação. A parteira nos aconselhou então a a encher a banheira. Fiz um lanchinho rápido enquanto o Ruivo enchia a banheira. Minha mãe, que chegou na Dinamarca uma semana antes junto com meu pai, estava ao meu lado, empolgada com a chegada da netinha e com a oportunidade de poder acompanhar tudo tão de pertinho.
Com a banheira cheia, entrei na água quentinha.
Além de relaxante, a água quentinha ajudava a aliviar as dores. Nisso o irmão do Ruivo chegou para ajudar a tomar conta do Lukas, já que ele não está muito acostumado com a presença dos meus pais. O irmão do Ruivo é o grande herói do Lukas, então para ele seria fácil manter Lukas distraído na sala enquanto nos preparávamos para a chegada da Manuela no quarto. Logo depois da chegada do cunhado, as contrações da fase de dilatação começaram, que eu sinto como dores mais intensas, na região lombar. A partir daí as contrações passaram a vir com intervalos bem mais curtos, mas eu continuava calma, conversando com a parteira e minha mãe e servindo de intérprete entre elas. O ruivo ainda estava às voltas com pequenos detalhes práticos e de vez em quando saía do meu lado para fazer alguma coisa na sala ou na cozinha. Uma hora Ruivo me diz que vai avisar ao irmão onde o presente de Natal do Lukas estava guardado, no caso do Lukas ficar enjoado, mas eu aperto bem a mão dele e digo que do meu lado ele não sairia mais. Eu já conseguia sentir que as contrações de expulsão estavam chegando. O ruivo, ajoealhado ao meu lado, do lado de fora da banheira, segurava minha mão e me abraçava durante cada contração. A parteira, também ajoealhada, estava de frente para mim. Minha mãe estava em pé, atrás da parteira. A parteira era tão tranquila que parecia que ela nem estava presente. Eu só percebia sua presença nas horas em que realmente precisava dela. Em um momento, um pouco confusa entre as dores, eu cheguei a perguntar pra parteira se era pra eu empurrar, ela respondeu que meu corpo saberia direitinho quando fosse a hora. Nem sei se cheguei a sorrir de verdade, mas lembro nitidamente que eu ri de mim mesma, pelo menos por dentro. Adorei a resposta dela, tão óbvia, tão natural, que me fez lembrar da razão pela qual eu escolhi um parto em casa. Essa resposta me ajudou a relaxar novamente e a me concentrar nos sinais que meu corpo me dava. Realmente não tive dúvidas quando tive que empurrar.
Durantes as contrações de expulsão eu comecei a suar muito e pedi uma toalha molhada com água fria para minha mãe. Lembro que tive dificuldade com a tecla SAP e construí a frase em português com dificuldade. Trocar de uma língua pra outra na fase de expulsão de um parto definitivamente não é uma tarefa fácil! Ruivo pôs a toalhinha na minha testa e lembro que o alívio foi tanto que achei que fosse cair no sono de tão relaxada que fiquei. Mas que nada! A dor inconfundível na contração seguinte não me deixou dúvidas: a cabecinha dela estava coroando. A parteira sorriu e disse que eu já podia tocar a cabecinha da minha filha. Foi o que fiz e Ruivo também. Pude sentir o cabelinho comprido dela “nadando” na água. Reclamei que eu podia sentir que quando eu empurrava a cabecinha dela saía, mas que quando eu parava de empurrar a cabecinha voltava pra dentro. A parteira me acalmou dizendo que era verdade, mas que a cada vez que eu empurrava a cabeça saía mais, ou seja, era como 3 passos pra frente e 1 pra trás. Disse também que se eu estava na dúvida se estava acontecendo alguma coisa era só eu ver a expressão no rosto da minha mãe que eu não tería dúvidas. Cada vez que eu empurrava os olhos da minha mãe se arregalavam mais e o sorriso também conseguia aumentar ainda mais. Dividir esse momento com ela era um sonho meu e fiquei tão feliz de ver a alegria dela bem ali na hora. Na contração seguinte a cabecinha dela saiu. Essa parte é sem dúvida a que dói mais. Mas lembro de pensar na hora que pelo menos dessa vez não ardeu tanto quanto na última e que talvez seja graças à água. Depois de mais duas contrações saiu também o corpinho dela.
A parteira ajudou a levanta-la da água e trazê-la direto pro meu colo. Dia 24/12/10 às 15:32 Manuela veio ao mundo com 4kg e 200g e 54cm. Lembro de olhar pra ela meio incrédula, ainda surpresa com a rapidez e tranquilidade que tudo aconteceu. Ruivo chorou, minha mãe chorou, enquanto eu segurava e observava aquele corpinho tão pequeno, todo enrugadinho e coberto de gordura do líquido aminiótico. Olhei pro rostinho dela e falei: “Oi, neném. Então é você que morou na minha barriga por todo esse tempo? Eu sou a mamãe.” Ela chorava e eu queria poder amamenta-la, mas tive uma certa dificuldade em achar a posição certa. Já tinha desaprendido a segurar um corpinho tão pequetitinho. Ri de mim mesma mais uma vez. Já não lembro quanto tempo levou desse momento até sairmos da banheira e ir pra cama. Na minha memória parece uma eternidade, em que estudava cada centímetro do corpinho da minha filha e procurava me convencer que tudo tinha mesmo acontecido do jeito que aconteceu. Mas sei que não levou tanto tempo assim, pois eu ainda precisava “parir” a placenta, e precisava sair da água para isso.
Levantar da banheira foi um sacrifício. Não porque sentia dores, mas porque minhas pernas estavam bambas e tremiam muito. Repeteco do parto do Lukas, pensei. A parteira explicou que é porque um parto é para os músculos do corpo o equivalente a correr uma maratona. Ou seja, eu tremo descontroladamente depois dos partos porque estou em péssima forma física.
Deitei na cama e expulsei a placenta com uma certa facilidade. Tive uma laceração pequena e levei um pontinho só. Deitada na cama encontrei uma posição confortável para amamentar Manuela. Nisso chega Lukas, que curioso ao ouvir o choro de Manuela lá da sala pediu para entrar no quarto. O primeiro encontro dos irmãos. Agora a mamãe aqui também chorou. Os olhinhos curiosos do meu filho, que de repente parece tão grande, tão maior do que há poucas horas atrás, olhando pra sua irmã. Irmã, o que é isso? Será que ele entende? Ele olhou bastante pra ela, indagou algumas coisas na língua dele, ainda incompreensível para nós e fez carinho na cabecinha dela.
Logo depois que a Manuela chegou ao mundo, meus sogros e cunhada também chegaram na nossa casa. Além do dia do nascimento de Manuela, também era véspera de Natal. A família do ruivo chegou trazendo a ceia de Natal. Depois de amamentar Manuela e curtir minha mais nova filhotinha enquanto descansava por algumas horas na cama, levantei e me juntei aos outros na sala. Cheguei a participar da dança em volta da árvore de Natal, que é tradição aqui na DK. Com isso eu não contava, mas eu estava ali, Lukas queria a mamãe dele pra dar a mão e acabei indo. Mas acabei também encurtando o ritual. Aproveitei que ninguém lembrava das letras das músicas mesmo e insisti em pedir a música que Lukas iria achar mais legal, que costuma ser a última. Participei também da troca de presentes e ajudei a colocar Lukas pra dormir. Logo depois já era minha hora de me juntar ao meu novo bebê e dormir também.
Deitei a cabeça no travesseiro muito satisfeita com o dia, apesar de ainda meio incrédula. Ainda não acreditava de conseguir ser tão sortuda. Ter o privilégio de poder ter um parto tão tranquilo, tão descomplicado, tão desprovido de sofrimentos. Fico muito agradecida por tudo isso. Sei que o mais importante é ter minha Manuela nos meus braços, perfeitinha e saudável. Mas poxa, como eu fico feliz também por ter tido o parto que tanto sonhei: natural, sem intervenções, sem medicamentos, sem anestesias, na água, no meu quarto, com meu marido, minha mãe, meu filho no cômodo ao lado e o resto da família de um certo modo também presente. Boas vindas à Manuela de um jeito mais humano do que esse eu não consigo imaginar.
Sinta-se muito bem-vinda, meu amor. Você já é muito amada!
P.s.: Um post sobre a nossa escolha por um parto em casa já está a caminho.
Escrito por Cat em Manuela, maternidade, parto |
Junte-se ao papo (24)
____________________________________________________________